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  Entrevista
E com a ajuda dos timorenses
Portugal pode adiar a falência

- 14-Nov-2010 - 11:18


Timor-Leste poderá vir a comprar, em breve, títulos de dívida pública portuguesa, disse hoje em Macau o Presidente timorense, José Ramos-Horta

“Não vejo dificuldades em Timor-Leste comprar também dívida pública portuguesa, na medida em que o próprio Governo timorense já tomou a decisão de diversificar a aplicação do Fundo do Petróleo, comprando outras dívidas públicas, incluindo a australiana e de outros países”, disse Ramos-Horta, escusando-se a comentar se o tema tinha sido abordado num encontro que hoje manteve com o primeiro ministro de Portugal, José Sócrates, à margem da conferência ministerial do Fórum Macau.


A compra de dívida pública portuguesa é avaliada à luz da diversificação de investimentos do Fundo do Petróleo timorense, que terá mais de 6000 milhões de dólares (4,38 mil milhões de euros).

Instado a comentar quanto poderia Timor-Leste investir, Ramos-Horta disse que é um tema que não lhe compete, mas assegurou que o investimento poderá ser “discutido quando o senhor primeiro-ministro Sócrates visitar Timor-Leste”.

“Espero que o possa fazer muito brevemente tendo já manifestado interesse em visitar (Timor-Leste)”, disse, salientando que Sócrates “agora está muito interessado em visitar” o país.

Ramos Horta apontou outros caminhos, que considerou rentáveis, para investimentos em Portugal, nomeadamente em empresas públicas ou semi-públicas como é o caso das energias renováveis ou as telecomunicações. “[Apostar em] Energias renováveis e em telecomunicações (...) garante proventos, seguros elevados” concluiu

José Ramos-Horta não brinca, diz ele, em serviço. Timor-Leste tem – diz ele - um plano de investimentos públicos para 10 anos que visa criar milhares de empregos e dotar o país de estradas e de um novo aeroporto.

Numa entrevista publicada em Julho de 2009 pela revista «Foreign Policy», Ramos-Horta aponta como prioritária a construção de infra-estruturas.

"Precisamos de investimento massivo em estradas, estradas e estradas. Se quisermos desenvolver a agricultura e garantir segurança alimentar, promover o turismo e possibilitar o acesso das pessoas à saúde e à educação, precisamos de estradas", frisou, acrescentando tratar-se de um projecto para 10 anos que irá criar milhares de empregos.

"Construiremos quatro mil quilómetros de estradas, um novo aeroporto e um porto. À medida que desenvolvermos as infra-estruturas, atrairemos investimento estrangeiro para o turismo", prosseguiu.

Ramos-Horta adiantva já nessa altura que Timor-Leste estava a negociar com a operadora de telecomunicações Digicel a entrada no território, acabando assim com o monopólio da Timor Telecom, detida pela Portugal Telecom.

Com a entrada da Digicel, Ramos-Horta estima que Timor-Leste possa vir a aumentar de 150 mil para 500 mil a 800 mil os utilizadores de telemóvel.

Na mesma entrevista, Ramos-Horta criticava ainda aqueles que consideram Timor-Leste um "estado falhado".

"Alguns génios norte-americanos e europeus, que escrevem em jornais ditos académicos, rotularam-nos como um estado falhado. [...] Alguns desses pseudo-intelectuais nos Estados Unidos parecem esquecer-se que Timor-Leste, juntamente com a China, está a financiar a dívida norte-americana", disse Ramos-Horta.

... e agora vai fazer o mesmo com a portuguesa. Portanto, cuidado com tudo que se diga sobre Timor-Leste.

"Então quem é um estado falhado - os Estados Unidos ou Timor-Leste?, questionou na altura.

Citando dados de uma pesquisa do Instituto Internacional Republicano dos Estados Unidos, Ramos-Horta adiantou que no final de 2008 os níveis de confiança no Presidente da República atingiam os 83%, na polícia 82% e no primeiro-ministro, Xanana Gusmão, 79%, enquanto mais de 60% dos timorenses concordavam com o rumo do país.


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