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Centenas de pessoas em cerimónias fúnebres de homenagem a Vieira de Mello
- 22-Aug-2003 - 17:21
Cerca de 500 pessoas reuniram-se hoje no principal complexo das Nações Unidas em Timor-Leste, na primeira de várias cerimónias fúnebres de homenagem a Sérgio Vieira de Mello e outras vítimas do atentado de terça-feira em Bagdad.
Por António Sampaio
da Agência Lusa
Numa homenagem sentida de muitos que trabalharam ao lado de Vieira de Mello, enquanto este chefiou a ONU em Timor-Leste, a maioria acendeu velas e assinou livros de condolências colocados no local.
Antes, personalidades nacionais e internacionais louvaram o diplomata brasileiro morto naquele que o chefe da ONU em Timor-Leste, Kamalesh Sharma, classificou como "um dos dias mais negros" para as Nações Unidas.
Entre os presentes contavam-se as principais individualidades nacionais e internacionais do país, incluindo o primeiro-ministro, Mari Alkatiri, o presidente do Parlamento, Francisco Guterres, membros do governo, deputados e representantes do corpo diplomático.
Sentados e em pé no largo recinto contavam-se centenas de funcionários internacionais e nacionais da ONU, alguns dos quais acompanharam Vieira de Mello durante todo o seu período de trabalho em Timor-Leste.
Mari Alkatiri recordou o homem que conheceu primeiro em Nova Iorque e com quem trabalhou "intensamente", nem sempre sem diferenças de opinião - "porque ele era um homem de ideias claras, muita determinação e com um projecto".
"Houve momentos de convivência comum muito intensa. Neles aprendi a conhecer melhor Sérgio Vieira de Mello. Um homem que queria a paz, defendeu profundamente os direitos humanos e implementou em Timor-Leste a igualdade entre homens e mulheres", afirmou.
"Sérgio era um combatente internacional pela paz e direitos humanos e por isso é o herói da paz e um herói internacional. Sérgio faz parte de nós próprios, nós os timorenses, e jamais o esqueceremos", disse.
Também Francisco Guterres, presidente do Parlamento Nacional, expressou um "profundo voto de pesar" pela morte de Vieira de Mello, que "deixou uma marca profunda em Timor-Leste".
"É um amigo, que soube agir nos momentos mais difíceis, sempre com grande empenho e dedicação. Um combatente e um lutador", disse.
"Foi a vítima de um atentado contra os que trabalham para defender os direitos humanos. Agora temos de continuar a obra deixada por Sérgio Vieira de Mello, continuando a sua luta pela estabilidade em Timor-Leste e no mundo", acrescentou.
Kywal de Oliveira, o embaixador brasileiro em Díli, lembrou Vieira de Mello como "o brilhante arquitecto em situações de alto risco", um lutador pelos direitos humanos, "pela liberdade e pela vida".
"Nessa luta Sérgio perdeu a sua própria vida, as Nações Unidas perderam seu funcionário exemplar, o Brasil perdeu um dos seus melhores filhos", afirmou.
"Sérgio era um homem simples, possuía a simplicidade que só os brilhantes podem ter. Ele não era admirável apenas por ser o advogado das grandes causas. Era um esplêndido condutor de pessoas, reunindo o carisma, a habilidade e a criatividade", qualificou ainda.
Kywal de Oliveira apelou a todos para que tentem lembrar o legado de Vieira de Mello e das restantes vítimas de Bagdad, visando "pôr fim a esta violência irracional que mata e fere inocentes".
Um dos momentos mais intensos ocorreu quando uma antiga funcionária doméstica de Vieira de Mello subiu ao palco e, visivelmente emocionada, descreveu um homem que "mais do que um patrão sempre foi pai de todos nós".
"No Natal nunca se esquecia de nós. Convidava as minhas crianças e dava-lhes presentes. Nunca nos distinguiu dos outros, só porque éramos empregadas da limpeza. Mesmo depois de sair, durante muito tempo mandava dinheiro para nos ajudar", disse.
"Não era só uma grande líder. Era um grande amigo de todos nós. Que a sua alma repouse em descanso", disse Maria Arroyo.
O impacto da morte de Vieira de Mello sente-se especialmente entre os funcionários das Nações Unidas, grande parte deles já em Timor-Leste desde o período da administração transitória liderada pelo diplomata brasileiro.
"A perda de Sérgio Vieira de Mello está a ser sentida por todos nós, aqui em Timor-Leste, com especial angústia e desespero", disse Kamalesh Sharma, sucessor de Vieira de Mello no país.
Louvando um homem "que dedicou a vida ao serviço da humanidade", Sharma recordou o "charme, energia, sinceridade, capacidade e dedicação" do brasileiro.
"O Sérgio deixou os alicerces sobre os quais continuamos a tentar construir. Enquanto choramos a perda insubstituível do nosso grande amigo e colega, temos de sentir inspiração no seu legado e em tudo o que representa", disse.
Centenas de pessoas assinaram já os livros de condolências colocados quer na sede da ONU quer na embaixada Brasileira, onde nos últimos dias afluiu um largo número de timorenses anónimos, querendo prestar homenagem a Vieira de Mello.
Os livros foram já assinados pelos principais responsáveis timorenses.
O governo timorense tem prevista para o final da tarde de sábado uma vigília em frente do Palácio do Governo e do gabinete, no primeiro piso do edifício, onde Sérgio Vieira de Mello trabalhou durante dois anos.
Xanana Gusmão assiste no domingo a uma missa que decorre na Catedral de Díli.
O chefe da diplomacia timorense, José Ramos Horta, confirmou já à Lusa que o governo deliberou atribuir o nome de Vieira de Mello à rua da residência onde o diplomata brasileiro viveu e que é actualmente ocupada pelo presidente do Parlamento Nacional.
O Parlamento Nacional aprovou igualmente uma moção de pesar tendo o presidente e o chefe do governo enviado já notas de condolências ao secretário-geral da ONU, Kofi Annan.

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