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  Entrevista
Sonangol está de olhos na privatização de hospitais lusos
- 31-Aug-2011 - 15:54

A Sonangol está interessada na privatização da Hospitais Privados de Portugal (HPP), apurou o SOL. A venda do ‘braço’ para a saúde da Caixa Geral de Depósitos (CGD) é uma das exigências feitas pela troika no âmbito do programa de assistência financeira e poderá representar uma oportunidade para a Sonangol entrar num novo sector e expandir a sua presença em Portugal, depois da banca (BCP) e da energia (Galp).

A HPP é um dos três maiores grupo de saúde privados em Portugal, a par do BES Saúde e da CUF. Detém uma rede de seis hospitais, emprega mais de dois mil trabalhadores e facturou 162 milhões de euros em 2010.

A ligação entre a Sonangol e a HPP não é nova. Em 2009, o grupo espanhol USP Hospitales, na altura accionista da HPP – com uma posição de 25% –, ganhou a gestão da clínica privada da Sonangol, a Clínica Girassol, que é a única presença da empresa angolana na área da saúde. A unidade, situada em Luanda, tem mais de 350 médicos e oferece 30 especialidades.

Fontes da banca e da saúde adiantaram ao SOL que a aquisição da HPP pela Sonangol é um negócio que «faz sentido». Porém, a corrida ao grupo hospitalar da CGD promete não ser solitária. Numa entrevista recente ao Expresso, a presidente do BES Saúde, Isabel Vaz, admitiu estar interessada nesta privatização. Já a_CUF, por seu lado, não deverá participar. Os antigos accionistas da HPP, a USP Hospitales, um dos maiores grupos de saúde da Península Ibérica, são sempre uma hipótese em cima da mesa, dado o seu amplo conhecimento do funcionamento da HPP e as sinergias possíveis.

A troika não impôs à CGD nenhuma data para a venda das suas posições fora da banca, como é o caso da HPP, dos seguros ou das participações financeiras em empresas como a PT ou a ZON. Esta semana, o Diário Económico avançou que a Comissão Europeia e o Fundo Monetário Internacional vão autorizar a CGD ficar com o ramo segurador.

A empresa liderada por Manuel Vicente refere no seu plano de negócios até 2015 que um dos objectivos é apostar na diversificação da sua actuação para além do sector do petróleo. Além da saúde, a Sonangol está presente com empresas próprias nas telecomunicações, aviação comercial e imobiliária.

No mês passado, recorde-se, o ministro de Estado e chefe da Casa Civil da Presidência de Angola, Carlos Feijó, afirmou que o Executivo de Luanda está a estudar «profundamente» a possibilidade de entrada no processo de privatizações em Portugal, para o qual já tinha, aliás, realizado três estudos.

O SOL apurou, contudo, que a venda da HPP por parte da CGD está actualmente parada. Uma fonte conhecedora do processo descreve-o como «complicado», devido, sobretudo, à situação do Hospital de Cascais. Esta unidade, construída na modalidade de Parceria Público-Privada (PPP), foi sempre alvo de polémica. O contrato de concessão chegou a ser ‘chumbado’ pelo Tribunal de Contas por não serem conhecidos todos os encargos para o Estado. No primeiro semestre deste ano, as imparidades reconhecidas da PPP desta unidade colocaram os resultados da HPP no ‘vermelho’.

Fonte: Sol
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