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«Hoje somos fabricantes de imagens de leitura primária»
- 5-Sep-2003 - 23:06
«Falar de fotojornalismo, hoje, é falar de uma realidade completamente diferente da que se vivia no início da profissão. É falar de uma realidade assente em cerca de 100 anos marcados por rupturas várias, como a evolução técnica ou as novas politicas económicas», afirma, em entrevista ao Notícias Lusófonas, J. Paulo Coutinho, fotojornalista do Jornal de Notícias, o maior jornal de Portugal.
Por Jorge Castro
Notícias Lusófonas – Existem, com certeza, marcos importantes no fotojornalismo?
J. Paulo Coutinho – É claro que sim. A realidade desta actividade pode ser balizada por pontos de referência, nomes influentes, como o do alemão Erich Salomon, ou, ainda, o mestre de tantos: Henri Cartier-Bresson, o geómetra e poeta da imagem que fez de si mesmo a "referência".
NL – Mas há mais...
JPC - É natural que se fale da Magnum e de de Margaret Bourke-White, da americana Dorothea Lange e, sobretudo, do pai do fotojornalismo recente: W. Eugene Smith. Mas também do francês Raymond Depardon, do brasileiro Sebastião Salgado, do americano James Nachtwey e de muitos outros nomes, numa enorme diversidade estética.
NL – É, portanto, uma profissão que reflecte a humanidade?
JPC - Esta profissão proporciona, como poucas, uma permanente aprendizagem da condição humana, que, aliada à criatividade a um elevado grau de responsabilidade social, ajuda-nos a registar pequenas histórias que ganham força de memórias. Somos, assim, jornalistas e, por questões técnicas de expressão, repórteres fotográficos - expressão a cair em desuso, sendo substituída pela designação “fotojornalistas”, mudança que não me parece inocente.
NL – O que é que quer dizer com isso?
JPC – O fotojornalismo cresceu com rupturas e adaptações às mudanças das políticas económicas na Imprensa, que dele fizeram um produto comercial. È um instrumento influente na área do consumo e, também, para a difusão massiva de ideias e ideologias económicas.
NL – Ou seja?
JPC – Romperam-se os laços, recentemente, com o fotojornalismo documentalista, mais investigado e vivido como uma causa social. Tudo para passarmos a “fabricantes” de imagens de leitura primária, imediata e unívoca. Imagens tecnicamente perfeitas, a cores e, sobretudo, eficazes!
NL – E se é o presente, como será o futuro?
JPC – Os passos do futuro são cada vez mais incertos. As empresas não investem em formação profissional de qualidade, apesar de a noticiarem como uma necessidade urgente. O jornalista é valorizado pela carteira de contactos para um comentário “a quente”. Ganha importância pelo desenrascanço da notícia, da foto. A velocidade é um valor essencial e omnipresente, que transforma em letra morta a profundidade e a serenidade.
NL – Digamos que a independência, também do fotojornalismo, é algo de complicado...
JPC – O fotojornalismo independente sofre com esta pressão, mas ainda deixa, para quem pode, pequenos trilhos, pistas para recuperar os valores e as carreiras dos fotógrafos da Magnum e de outros sebastionismos

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