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Responsável da Segurança do Rio admite que polícia recorre a tortura
- 8-Sep-2003 - 18:35
O secretário estadual de Segurança do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho, admitiu que a polícia brasileira usa a tortura como método de investigação, noticia hoje o jornal O Globo.
O antigo governador do Rio de Janeiro e actual secretário estadual de Segurança reagia assim a declarações do pesquisador sobre o Brasil da Amnistia Internacional, Tim Cahill, para quem a tortura "continua sendo a principal maneira de investigação" da polícia brasileira.
Os comentários foram feitos na sequência do caso da morte na semana passada de um comerciante chinês naturalizado brasileiro, Chan Kim Chang, 46 anos, alegadamente vítima de tortura no Presídio Ary Franco, do Rio de Janeiro, onde estava detido por suposta tentativa de levar ilegalmente 30 mil dólares para os Estados Unidos.
Um dia depois de ter sido detido no presídio, o comerciante foi encontrado caído no chão da cela, com várias escoriações no corpo.
Após uma semana internado em estado de coma, morreu na passada quinta-feira de traumatismo craniano e pneumonia dupla.
"Quem pode negar que a polícia brasileira pratica tortura? Eu seria um hipócrita. Pratica tortura", reconheceu Anthony Garotinho, que admitiu ainda que a Polícia Militar também age com excesso de violência para com os presos.
"Nenhum governo está livre de que essas situações ocorram, mas temos punido todos os casos", assegurou Garotinho, defendendo que, no Estado do Rio de Janeiro, as autoridades têm tentado desenvolver nos últimos anos uma nova mentalidade nas forças policiais.
"Reformulámos a Polícia Civil. A Acadepol (Academia de Polícia) é uma das melhores do país", indicou o governante, salientando que "não é possível que em três anos se substitua uma mentalidade desenvolvida no país inteiro ao longo de muitos anos".
Sobre o caso Chang, que será analisado hoje em audiência pública na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, o secretário estadual de Segurança realçou que os seis acusados de tortura são agentes penitenciários, "uma outra categoria".
"Não tiveram formação na academia como a da Polícia Militar", defendeu Garotinho, reconhecendo contudo que "isso não quer dizer que uma vez por outra não haja excessos na Polícia Militar".
Comentando a versão de três dos acusados do caso, que em declarações à imprensa garantiram inocência e alegaram que o comerciante chinês já chegou ferido à prisão e se magoou após uma crise nervosa, Anthony Garotinho declarou que isso é inverosímil.
"Essa é uma história da Carochinha. Ninguém acredita nisso", afirmou o governante.
Para Tim Cahill, para quem "a guerra contra o crime no Brasil continua a ser utilizada para justificar abusos cometidos contra pessoas com menos protecção do Estado", o caso da morte do comerciante chinês é apenas "a ponta de um iceberg".
"O crime de tortura, como descrito no Relatório Especial da ONU, é praticado de forma sistemática e generalizada no Brasil", disse ao Globo aquele pesquisador da Amnistia Internacional, lamentando que, "enquanto não houver punição para os que praticam esse crime", os detidos "continuarão a sofrer violações".

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