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  Cabo Verde
Restaurante é "muro" de elogios de visitantes de todo o mundo
- 13-Sep-2003 - 14:06

Surgido no limiar da independência, o Pica-Pau é dos mais antigos restaurantes de Cabo Verde, mas a sua singularidade advém do cardápio de mensagens que exibe dos visitantes dos quatro cantos do mundo.


Por Francisco Fontes
da Agência Lusa

Criado em inícios de 1975 nas bandas de Monte Cara, no Mindelo, e reinstalado em 1984 na zona popular da antiga Rua de Mateuzin, actual Rua de Santo António, rapidamente ganhou fama pela qualidade da sua cozinha.

Mas, a um forasteiro, o que mais chama a atenção naquele pequeno restaurante, implantado numa viela paralela à baía do Porto Grande, é o "sui generis" das suas paredes, revestidas de cartazes de futebol, de eventos culturais e de pequenos fragmentos de papel com testemunhos dos visitantes.

E são aos milhares, aqueles que se conservam, e os que espontaneamente vão tombando, a abrir clareiras para os novos, e que o seu proprietário, Arnaldo António Lima, cuidadosamente guarda numa pasta, que exibe orgulhosamente a um cliente mais metediço.

Quem chega facilmente se rende à curiosidade, procurando ler o que ficou escrito de algum conhecido ou de alguma alma da sua terra distante.

Normalmente, os autores optam pelo verso rimado ou livre, a descrever momentos bem passados, de estômago bem aconchegado, com lagosta ao natural, arroz de marisco ou catchupa (receita tradicional com carne ou peixe, feijão, milho e legumes frescos), condimentados com uns bons tragos das regiões vinícolas do Dão, Bairrada ou Douro de Portugal.

Quase sempre se encontra uma assinatura de alguém conhecido, ou de que se ouviu falar, de uma cidade ou de um país distantes, sejam marinheiros, empresários, quadros de empresas, autarcas, políticos, artistas, jornalistas.

A porta franca ao mundo, que ao longo dos séculos foi a baía do Porto Grande, continua a trazer muitos já aconselhados a procurar o Pica-Pau e as iguarias do senhor Lima.

Vieram do Brasil, Noruega, Bélgica, Japão, Argentina, Indonésia, Itália, Dinamarca, França, Suíça, Holanda, Alemanha, e, muitos, de Portugal.

O presidente de Cabo Verde, Pedro Pires, o antigo primeiro-ministro Carlos Veiga, o ex-ministro Amaro da Luz e o actual embaixador do país em Lisboa, Onésimo da Silveira, já por lá passaram.

Onésimo da Silveira, que durante anos presidiu à Câmara Municipal de S. Vicente, tinha ali um recanto de convívios informais, para onde levava os convidados quando lhes queria mostrar o genuíno modo de ser cabo-verdiano.

Entre eles estão o antigo presidente da Câmara de Oeiras e ex-ministro das Cidades de Portugal Isaltino de Morais e o líder da autarquia de Viseu e presidente da Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP), Fernando Ruas.

Os tripulantes do Navio-Escola Sagres, que por diversas vezes escalaram o Mindelo, registaram um dia: SPara muitos sítios a Sagres já navegou, levando-nos até muitos lugares, até que nos deixou neste cantinho da Cidade do Mindelo, onde encontramos toda a amizade que nos faz lembrar a casa (...)".

Essa "tradição" nasceu por acaso, em 1985, um ano depois da reabertura do Pica-Pau na antiga Rua de Mateuzin.

Um francês, talvez por dificuldade em o verbalizar, elogiou num pedaço de papel o arroz de marisco e outros pratos. Então, o senhor Lima, sensibilizado, mas também como homem sagaz para o negócio, pensou que se colocasse isso na parede os clientes tinham mais confiança. E o gesto foi-se multiplicando.

Hoje, as mensagens de clientes disputam o espaço com cartazes do Sporting Clube de Portugal, de João Pinto, do Benfica, do Barcelona ou do escritor Baltazar Lopes, num ecletismo que o proprietário gosta de cultivar.

Quando, em 1975, este antigo imigrante em S. Tomé e Príncipe e Angola criou o Pica-Pau, apenas existia outro restaurante na cidade do Mindelo, o do Hotel Porto Grande, que se encontrava encerrado por falta de clientes. E quem quisesse comer só tinha a pensão Chave de Ouro.

Com a experiência acumulada de três décadas na imigração, o senhor Lima montou um restaurante-bar onde os cabo-verdianos do povo pudessem ir, aqueles que tinham vedada a permanência nos cafés Royal e Portugal, por não serem gente com posses e bem trajada.

A primeira experiência de imigração de Arnaldo António Lima aconteceu aos 14 anos. Partiu do Mindelo escondido entre o carvão de um vapor que aí aportara, carregado de milho da Argentina para Inglaterra.

O sagaz adolescente muniu-se de alguns víveres, que dessem para dois ou três dias, de forma a que, quando aparecesse à tripulação, já não fosse possível levá-lo a terra.

Como era menor, permaneceu em Liverpool pouco mais de um ano, acolhido por um português, à espera de ser repatriado para Cabo Verde.

Algum tempo depois foi contratado por uma empresa portuguesa para a pesca em Benguela, Angola. Aí permaneceu quatro anos, até rumar a Luanda. Em 1954 regressou a Cabo Verde, mas, 15 dias depois, engrossou a leva da imigração, a fugir às secas e fome, para as roças de S. Tomé e Príncipe.

Mas não gostou e foi para a cidade. Como "arranhava" um pouco de inglês, foi contratado para trabalhar no Bar Real, de um português.

Por volta de 1964 monta, com dois sócios, o Bar Mindelo em S. Tomé e Príncipe. Um sítio que os cabo- verdianos pobres pudessem frequentar, sem serem escorraçados por andarem descalços.

Volta a Angola alguns anos depois onde monta o Quinta Rosa Linda em Luanda, que diz ter sido o maior restaurante daquela antiga colónia portuguesa, com capacidade para servir banquetes a 1.500 pessoas.

Já depois da revolução de Abril em Portugal, decide regressar ao seu país.

Desde então, no seu restaurante, tem ensinado a jovens os segredos da cozinha. Afirma que já formou mais de um milhar. Alguns imigraram, outros estão a trabalhar em hotéis e restaurantes. Também os seus 13 filhos aprenderam a arte da culinária, e cinco deles exibem-na no estrangeiro.


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