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  Cabo Verde
Embaixador em Lisboa recusa falar sobre futuro de Kumba Ialá
- 15-Sep-2003 - 19:52

O embaixador da Guiné-Bissau em Lisboa escusou-se hoje a falar sobre um eventual regresso do presidente guineense deposto, Kumba Ialá, à chefia da nação, sublinhando ser "melhor" falar do presente "e não entrar em futurologias".


Joãozinho Vieira Có falava aos jornalistas no final de uma reunião do Comité de Concertação Permanente da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), onde deu conta aos embaixadores de Angola, Brasil, Cabo Verde, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste sobre o golpe militar de domingo na Guiné-Bissau.

Recusando entrar em polémicas, Vieira Có limitou-se a reafirmar os conteúdos dos comunicados divulgados hoje de madrugada, em Bissau, pelo Comité Militar para a Restituição da Ordem Constitucional e Democrática (CMROCD).

Nesse sentido, afirmou estar garantida a integridade física de Kumba Ialá, que se encontra, segundo disse, desde a noite de domingo, na sua residência privada no Bairro Internacional, em Bissau, sob forte escolta militar.

Vieira Có afirmou que também está garantida a integridade física do primeiro-ministro, Mário Pires, e dos membros do governo, que se encontram em "perfeita liberdade".

O diplomata guineense adiantou igualmente que já foram reabertos o aeroporto internacional Osvaldo Vieira, de Bissau, e todas as fronteiras terrestres e marítimas, pelo que há "total liberdade de circulação de pessoas e bens" em todo o país.

"A via do diálogo continua a ser o principal objectivo a atingir, pois no processo estão envolvidos todos os actores da vida do país, como partidos políticos, organizações da sociedade civil e entidades religiosas", sublinhou.

Vieira Có indicou ainda estar em condições de garantir que estão reunidas as condições para a conjugação de esforços, de forma a assegurar "ajuda urgente" à Guiné-Bissau, pois o país atravessou "diferentes ciclos de asfixia económica e financeira".

Nesse sentido, Vieira Có, que se escusou depois a responder às questões dos jornalistas, apelou para o "bom senso de todas as partes" na resolução dos "problemas candentes" do país.


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