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  Cabo Verde
Bispo de Bissau preside comissão para estudar futuro governo
- 15-Sep-2003 - 19:57

O bispo de Bissau, D. José Camnaté Na Bissign, vai presidir a uma comissão de 16 elementos para apresentar num prazo de 48 a 72 horas os "termos de referência" do governo de transição na Guiné-Bissau.


A decisão foi tomada hoje durante uma reunião das chefias militares com os partidos políticos, líderes religiosos e elementos da sociedade civil, anunciou o porta-voz da nova comissão, Silvestre Alves.

Esta comissão, composta maioritariamente por juristas de diferentes quadrantes e sensibilidades políticas e sociais, deverá agora elaborar uma proposta escrita para apresentar ao Comité Militar para a Reposição da Ordem Constitucional e Democrática (CMROCD).

O CMROCD, liderado pelo chefe do Estado-Maior General das Froças Armadas, general Veríssimo Correia Seabra, líder do golpe militar de domingo que depôs o presidente Kumba Ialá, deverá, depois de estudada a proposta da comissão encabeçada pelo prelado, avançar com a composição do governo de transição até às eleições legislativas.

Não existe ainda um prazo para a realização das eleições, mas estas devem ser separadas entre legislativas, dentro de quatro a seis meses, e presidenciais, dentro de dois a três anos.

A manutenção de Correia Seabra como presidente interino da Guiné-Bissau reúne o consenso das diferentes vertentes, mas a definição do perfil do primeiro-ministro está a esbarrar com vincadas divergências entre os múltiplos protagonistas da vida política guineense.

A comissão liderada pelo bispo D. José Ná Bissign, de acordo com dirigentes políticos ouvidos pela Agência Lusa, vai ter uma tarefa espinhosa pela frente para definir o perfil do futuro governo de transição na Guiné-Bissau.

As dificuldades vão nascer das evidentes diferenças de posição dos principais partidos guineenses.

Para o ex-primeiro ministro, Francisco Fadul, que esteve à frente do governo após a guerra civil de 1998/99, onde foi destituído o presidente João Bernardo "Nino" Vieira, o chefe do executivo de transição deve ser "independente e credível".

Fadul, que lidera o Partido Unido Social Democrata (PUSD), defendeu ainda, em declarações à Lusa, que os membros do futuro governo devem igualmente ser apartidários e emanados da sociedade civil.

Independência é coisa que para Jorge Mandinga, da Plataforma Unida (PU), "não existe na Guiné-Bissau" e, por isso, o próximo chefe do executivo deverá ser Hélder Vaz, que é o candidato da PU a primeiro- ministro.

Amine Saad, da União para a Mudança já anunciou que está disposto a aceitar chefiar o governo de transição se for convidado para isso pelo presidente interino, o general Correia Seabra, que liderou o golpe e chefia o Comité Militar para a Reposição da Ordem Constitucional e Democrática.

Entretanto, outras posições mais radicais já se fizeram ouvir.

Idrissa Djaló, presidente do Partido da Unidade Nacional (PUN), entende que a posição assumida hoje pelos diversos partidos "é uma desonra para a classe política".

"Se os militares deram o golpe devem ser eles a assumir as responsabilidades daquilo que vai ser o futuro da Guiné-Bissau", disse Djaló, adiantando que "as chefias militares devem optar por eleições imediatas".

Entretanto, chegou hoje a Bissau a ministra dos Negócios Estrangeiros de Cabo Verde, Maria de Fátima Lima Veiga, que vai integrar a missão da Comunidade Económica de Estados da África Ocidental (CEDEAO) com o objectivo de recolher informações junto dos militares golpistas.


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