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Personalismo, Fanatismo e Coletivismo: Só falta a «Praça Vermelha»
- 15-Nov-2002 - 10:37
Após a vitória de Lula na eleição presidencial brasileira, numa disputa onde TODOS os candidatos eram esquerdistas (variando apenas o grau do esquerdismo), marcada por um “bom mocismo” oportunista que impediu debates mais intensos principalmente a respeito de aspectos polêmicos ligados ao PT.
Como por exemplo, as relações históricas da legenda com ditadores e terroristas, e onde a mídia se posicionou de forma escandalosamente favorável ao candidato petista, prossegue a campanha para transformar Lula num autêntico líder messiânico.
Enquanto em todos os países verdadeiramente democráticos é não só desejável, mas também vital que existam forças de oposição, no Brasil surge a idéia de um “pacto social” para garantir a “governabilidade” do país, cabendo ao PMDB desempenhar aquele que tem sido seu papel há muito tempo: o de “fiel da balança”, fazendo o conhecido jogo fisiológico, trocando apoio por cargos. Aliás, dois conhecidos políticos, velhos freqüentadores dos corredores do poder em Brasília, Renan Calheiros e José Sarney, lideram as negociações com o PT. Como se vê, esse é o “novo” governo do Brasil...
O interessante é que após as eleições anteriores, o PT dedicou-se desde o primeiro instante a boicotar e atacar o governo eleito. Para o PT, a política partidária sempre esteve acima de outros interesses e todo tipo de dificuldade foi criada para o governo do PSDB. Não quero de forma alguma justificar o governo intervencionista de FHC, que apenas tolerou o mercado e a livre iniciativa, mas verdade seja dita: o PT sempre procurou sabotar o governo federal nos últimos oito anos, com constantes denúncias, utilizando seus simpatizantes na mídia e ministério público, e até mesmo pedidos de impedimento chegaram a ser cogitados contra o presidente.
E agora, quando chegam ao governo, sem maioria parlamentar, o que é que os petistas fazem? Saem-se com essa conversa de “pacto social”, “pacto pela governabilidade”, dando a impressão de que o partido está cheio de ótimas e inquestionáveis intenções, que só poderão ser colocadas em prática com a participação de todos os partidos do Congresso brasileiro. O objetivo é claro: aos partidos que não participarem do governo petista, restará o ônus de se colocarem contra o governo “popular” de Lula, uma posição desconfortável que a mídia petista se encarregará de ampliar junto à opinião pública.
De tudo que está ocorrendo atualmente no Brasil, três fatores chamam a atenção: Em primeiro lugar, a imensa e praticamente total vassalagem de órgãos de comunicação ao Sr. Lula, que, de repente, foi guindado ao posto de “sumidade nacional”. “Simpático”, “elegante”, “homem do povo”, candidato a títulos de doutor honoris causa, a uma vaga na Academia Brasileira de Letras, “Abraham Lincoln” e “Machado de Assis” brasileiro, “homem que conhece o Brasil de norte a sul”, “Jesus Cristo”, novo “Garrincha”, novo “Pelé” são alguns dos “humildes” adjetivos com que o novo presidente da República foi chamado pelos seus partidários.
Por trás desse “puxa-saquismo” desvairado existe um risco nada desprezível de ser criado um autêntico “culto à personalidade” no melhor estilo comunista ou fascista. Pelo ritmo das coisas, daqui a pouco estarão chamando o novo presidente de “maior gênio da história”, “pai de todos os brasileiros”, “maior cientista do mundo”, exatamente como os vassalos de Joseph Stálin faziam com seu líder.
Em segundo lugar, temos a absoluta incapacidade dos petistas em aceitar criticas ao seu partido. Esse tipo de situação ficou evidente durante a disputa presidencial, quando houve todo tipo de ameaça de censura e processos contra sites ou e-mails contendo opiniões de internautas que se opusessem ao PT. A simples menção de fatos que são de conhecimento público, como a ligação do PT com os narco-terroristas colombianos das FARC, foi alvo de ampla censura, inclusive com a prestimosa colaboração da justiça eleitoral.
No estado do Rio Grande do Sul, por exemplo, o candidato Tarso Genro atribuiu a sua derrota ao “anti-petismo”, o qual comparou, de forma absurda, ao “anti-semitismo”, numa clara tentativa de desqualificar os opositores do PT. Se durante a campanha a situação esteve nesse pé, pode-se imaginar como será durante o governo. E como agirá a mídia, quando e se as coisas tomarem rumos semelhantes aos da disputa eleitoral? Continuará servil?
E o que dizer da atitude do PT em fechar acordos com forças políticas e sociais que até bem pouco tempo eram classificadas pelos petistas como “reacionárias”? Alguns dirão: política no Brasil é assim mesmo. Pode ser, mas não era para combater esse tipo de política que o PT pretendia chegar ao governo? Ao invés de pragmatismo, não seria melhor classificar isso como mero oportunismo eleitoral, do qual o partido se aproveitou muito bem, negociando com velhas raposas políticas, que pouco dignificam a política nacional?
Finalmente, o Plano de Combate a Fome, apontado como “base” para as políticas sociais do futuro governo, é a mais pura e total demagogia, que tornará o cidadão dependente do governo federal para obtenção de alimentos, que farão parte de uma “lista”, e serão obtidos através de “cartões” fornecidos pelo governo. Será que ninguém percebeu que isso é uma forma de conceder ainda mais poder ao Estado sobre a vida das pessoas, além de favorecer clientelismo político? E pior: ninguém notou as semelhanças desse projeto com Cuba, onde o cidadão também obtém alimentos por meio de “cadernetas” e “cartões de racionamento”?
Portanto, temos elementos básicos do totalitarismo se configurando, com o culto a personalidade em torno de um homem que, intelectualmente, é um medíocre, mas que tende a ser transformado, pelo fanatismo de militantes de um partido político, em um grande líder. É esse fanatismo, também, que permite atos de censura, ameaças e intolerância com os que não concordam com as idéias dos novos donos do poder, e que apenas exercem seu direito de opinião. E, por fim, a transformação do Estado em elemento vital na vida nacional, com essa proposta de distribuição de alimentos e controle sobre as pessoas. Isso tudo somado, é a receita certa para o autoritarismo.
Agora só falta aparecer alguém sugerindo a construção de um lugar para celebrar as “conquistas” do novo governo, quem sabe no estilo “Praça Vermelha” de Moscou. Afinal, as semelhanças, ainda que sutis, entre as propostas do novo governo e o velho modelo bolchevista, são claras.
Paulo Diniz
Professor de História e Geografia em São Paulo, Brasil
paulodinizz@hotmail.com

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