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Dos a Deux, um singular duo luso-brasileiro formado em França
- 20-Sep-2003 - 23:32

Um português e um brasileiro juntaram-se há sete anos e formaram em França uma companhia de teatro, já muito aplaudida, que optou por uma linguagem dramatúrgica sem palavra, centrada no corpo e no gesto.


Esta semana apresentaram no Mindelact - Festival Internacional de Teatro do Mindelo, Cabo Verde, um singular espectáculo, criado durante uma pesquisa de dois anos e meio num hospital psiquiátrico francês. Em 2000 já tinham estado neste festival com a sua primeira criação, "Dos à Deux", o mesma designação da companhia.

A companhia Dos a Deux foi criada pelo brasileiro André Curti e pelo português nascido em Angola Artur Ribeiro, que vem assumindo a dupla função de actores e encenadores.

André Curti encontra-se há 13 anos em Paris, e o Artur Ribeiro há 10. O encontro entre ambos dá-se em 1995 durante um festival de teatro, onde participavam, e a partir daí começa a germinar a ideia de criar uma companhia com uma linguagem própria, marcada pelo teatro corporal e gestual, sem recurso a palavras.

Artur Ribeiro nasceu em Angola, morou em Lisboa e Madrid, e foi para o Rio de Janeiro com 8 anos, onde residiu até aos 21. Depois foi o início da vivência em Paris.

Ambos se formaram em teatro no Brasil, e aí começaram a trabalhar, em companhias e em novelas televisivas. Antes já faziam teatro e dança. Primeiro no Brasil e depois em França, onde, a par do teatro de texto, começaram a pesquisa e experimentação no teatro gestual.

É o teatro gestual que vai ditar o rumo da companhia, nas duas criações já concretizadas, "Dos a Deux", inspirado em "à Espera de Godot", de Beckett, e "Aux Pieds de la Lettre", de pesquisa num hospital psiquiátrico.

E a opção por esse tipo de linguagem artística permitiu-lhes criar espectáculos mais universais, que já puderam apresentar em diversos países, sem barreiras de idioma.

"Aux Pieds de la lettre", que esta semana apresentaram no Mindelact, terá sido para alguns o melhor espectáculo que passou por aquele palco nos nove anos de existência do festival.

Trata-se do resultado de dois anos e meio de pesquisa residente num hospital psiquiátrico, onde trabalharam com onze pacientes e três enfermeiras sobre o tema do isolamento.

Segundo Artur Ribeiro, a ideia surgiu porque ambos tinham muita vontade de trabalhar sobre a loucura e o isolamento. E concretizou-se depois de apresentarem um espectáculo num hospital psiquiátrico, quando a sua directora, conhecedora desse desejo, os convidou para uma residência nessa unidade.

Segundo confessaram à Agência Lusa, o que mais os marcou desse período de pesquisa foram os encontros humanos, a experiência humana, o que secundarizou as experiências estética e dramatúrgica.

Foi uma experiência humana intensa que lhes permitiu criar as personagens de uma forma verdadeira, acrescentou Artur Ribeiro.

Hoje sentem que essa experiência já impôs alterações no seu percurso, quer como homens, quer como criadores.

"Foi muito forte, não apenas pelo facto de estar trabalhando com eles, mas de ter estado dois anos e meio nesse hospital, e de ter acompanhado o seu quotidiano", explica André Curti.

Afirmam que os pôs a questionar "quem são os loucos e o que leva as pessoas a ficarem loucas, porque a fronteira entre a loucura e a sanidade é muito ténue. E isso muda muito o olhar, e afasta o cliché do louco".

"O resultado é estilizado, burlesco, completamente absurdo, mas a gente encontrou a essência da loucura deles, na maneira de ser fisicamente, nas emoções, no estado à flôr-da-pele", realça o brasileiro André Curti.

O personagem criado por André tem delírios místicos, porque é um maníaco depressivo. A sua grande obsessão é escrever uma carta, porque pensa que ela vai salvar o mundo.

A do português Artur Ribeiro tem uma obsessão com os pés. Daí o título "Aux Pieds de la Lettre" (Aos Pés da Carta).

É a partir dessa metáfora, em que um é a mente, e o outro o corpo como máquina de escrever, que se desenvolve a criação.

"A todo o momento um precisa do outro, e a todo o momento um acha que o outro é mais maluco do que ele. É essa grande interdependência de um em relação ao outro que lhes permite sobreviver nesse isolamento", explicam.

O próximo espectáculo da companhia Dos a Deux, a estrear em Março de 2005, será sobre emigração, uma vivência que eles próprios sentem em França.

Segundo André Curti, ambos tem uma grande vontade de abordar o problema da água no mundo através da criação dramática, mas ligada à emigração.

O ponto de partida da nova criação é sobre uma família que vive à beira do mar, que um dia seca. A partir desse momento começam a emigrar. Como personagens terá o duo mais uma actriz dançarina e uma marioneta (uma pessoa que vai nascer da emigração nesse percurso).

Acabar com o trabalho de cumplicidade artística de seis anos em duo implicará uma linguagem nova. "É uma nova aventura, uma nova pesquisa", afirmam. Da parte de André Curti há também o desejo de voltar ao teatro de texto. Um projecto que já têm em mente é encenar em 2005 um monólogo, embora dentro da pesquisa física que vem aprofundando.

André será o actor e Artur Ribeiro o director.

Sobre a sua presença no Mindelact, a segunda, depois de em 2000 terem trazido ao festival "Dos a Deux", afirmam notar um grande crescimento, e uma singularidade única, de os participantes o poderem acompanhar em todos os dias que dura.

A nona edição do Mindelact - Festival Internacional de Teatro do Mindelo, que teve início no passado dia 10, encerra domingo à noite com a estreia absoluta de "Ruínas", um espectáculo pela companhia de dança cabo-verdiana Raiz di Polón.

Pelos palcos já passaram companhias de Cabo Verde, Portugal, Brasil, S. Tomé e Príncipe, França e Bélgica.


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