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  Cabo Verde
Grupo de teatro "antecipa" declínio da sociedade com ciclo do petróleo
- 22-Sep-2003 - 17:04

A desagregação da sociedade de S. Tomé e Príncipe com o "ciclo do petróleo", numa visão premonitória à imagem de Orwell, inspirará a próxima criação do grupo de teatro Óssobó, destinada a despertar as consciências no país.


"O último são-tomense", titulo da obra, deverá ser estreado em Julho de 2004, por altura da Cimeira de Chefes de Estado da CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa) em S. Tomé e Príncipe, e é considerada o "grande desafio" daquele grupo fundado há um ano no país.

João Carlos Silva, responsável do grupo, que participou na nona edição do Mindelact - Festival Internacional de Teatro do Mindelo, adiantou à Agência Lusa que se trata de uma obra que pretende chamar a atenção para os problemas políticos e económicos do país, bem como para o vazio de certos valores que se notam na sociedade.

"O aparecimento de petróleo em S. Tomé e Príncipe faz-nos reflectir sobre o futuro e vamos provocar os próprios são-tomenses, fazer com que reflictam sobre um grande problema que é, a nosso ver, a desagregação possível da própria comunidade são-tomense a vários níveis", explicou.

Em "O último são-tomense - acrescentou - pretende-se reflectir sobre o nosso passado, o nosso presente, e o nosso futuro. É uma peça que tem o primeiro acto em 2004. Depois quase toda a história se passa entre 2047 e 2050, na era pós petróleo. Será uma antevisão em relação ao futuro".

"Está um grupo de são-tomenses a conversar numa praça de S. Tomé, e passa um nigeriano, ou de outra nacionalidade qualquer. E um deles diz, esta ali a passar um nigeriano. E os outros respondem, mas eles estão a chegar", adiantou.

Segundo João Carlos Silva, o momento seguinte passa-se no período entre 2047 e 2050.

"Nessa altura está um grupo de nigerianos, mais ou menos no mesmo sítio, e um deles pergunta: mas não está ali um são-tomense? E os outros respondem: É, mas deve ter fugido".

A parte final desenrola-se numa reserva criada com as últimas famílias são-tomenses, os Graça, os Espírito Santo, os Aguiar.

A reserva atrai turistas de todo o mundo, e essas famílias - que foram médicos, escritores, artistas, engenheiros, ou mafiosos - vão contar a sua vida, que é no fundo a história do país.

Os governantes, "manipulados, mas revoltados, porque o petróleo acabou e não deixou quase nada para a população, resolvem enveredar pelo desenvolvimento do Turismo em S. Tomé e Príncipe", refere.

"Nós pensávamos que o turismo fosse o quarto ciclo de S. Tomé e Príncipe, depois da cana do açúcar, do café e do cacau, mas não o será. Então, nesse ciclo, o turismo é visto como a forma de S. Tomé e Príncipe viver um desenvolvimento mais auto-sustentado e mais harmonioso", acentuou.

De acordo com João Carlos Silva, "a janelinha que fica aberta" é a reflexão e a visão de que há uma esperança, e que se pode começar uma vida nova.

"É uma provocação e um olhar para dentro de nós próprios, porque estamos a ficar mais maus, mais porcos e mais feios", referiu, frisando que na própria peça serão recriados os tiques dos actuais políticos do país.

No Mindelact - Festival Internacional de Teatro do Mindelo, que encerrou no domingo, o grupo de Teatro Óssobó trouxe a peça "A tartaruga que canta", uma encenação a partir da obra do escritor togolês Zenouvo Agbota Zinsou.

Em 2004, o grupo pretende estar de novo no Mindelact, com um trabalho que encenou em co-produção com o Grupo do Pau Preto, de Lisboa, "Quem Mostraboô Esse Caminha Longi", que se inspira na emigração dos cabo-verdianos para as roças de S. Tomé e Príncipe, para fugir às secas, em meados do século passado.

Para estar presente este ano no Mindelact tiveram de "inventar" os meios. Realizaram festas, "noites crioulas", que serviram para angariar alguns meios e mobilizar vontades de diversas instituições do país e do estrangeiro. A transportadora aérea portuguesa TAP e a Cabo Verde Telecom também ajudaram.

"Foi uma experiência nova, e um exemplo para outros grupos, a demonstrar que se formos persistentes conseguimos realizar os nossos sonhos", observou João Carlos Silva.

Um dos apoios mais significativos que tiveram em S. Tomé foi de um indivíduo de quase 70 anos, actualmente cego, Quintero Aguiar, que promoveu o teatro no país nos anos 40 e 50, e nas vésperas da partida lhes foi entregar 500 mil dobras, o equivalente a 50 euros.

O grupo de teatro Óssobó, fundado há um ano, está integrado num projecto mais vasto, a organização não governamental Centro Internacional de Arte e Cultura (CIAC), que vai fazer dez anos em 2004 e tem tido entre os principais apoiantes as cooperações portuguesa e francesa.

Na área da saúde fazem intervenção através do teatro, sobretudo na educação e prevenção da malária, paludismo e SIDA, em colaboração com o Centro Nacional de Endemias de S. Tomé e Comissão Nacional de Luta Contra a SIDA.

Desenvolvem também um projecto de educação não formal, com jovens com dificuldades de aprendizagem, bem como ateliers de formação em escultura, desenho, pintura, artesanato e informática.

São os promotores das bienais de arte de Cultura de S. Tomé e Príncipe. A primeira aconteceu em 1995, e a segunda em 2002.

Em Julho de 2004 decorrerá a terceira, por altura da Cimeira dos Chefes de Estado da CPLP, em que será estreada a peça "O último santomense".


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