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Cabo Verde
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Italiana lança obra sobre comércio informal em Cabo Verde
- 23-Sep-2003 - 15:12
A investigadora italiana Marzia Grassi acaba de lançar, na cidade da Praia, a sua obra "Rabidantes - Comércio espontâneo transnacional em Cabo Verde", um trabalho de investigação sobre a actividade das pessoas que se dedicam ao comércio informal no principal mercado da capital cabo-verdiana.
Marzia Grassi, especializada em economia do desenvolvimento, dedica-se, há dez anos, aos estudos sobre a informalidade tendo a mulher como principal protagonista.
Depois de ter trabalhado em Angola (Luanda e Benguela), Grassi escolheu Cabo Verde para dar continuidade à suas investigações, tendo seleccionado um grupo no mercado praiense de Sucupira, constituído por 50 mulheres e oito homens comerciantes fiscalizados pela Câmara Municipal da Praia.
A investigadora justifica a opção por este grupo com a necessidade de se introduzir o conceito de género na economia, por considerar que os modelos dominantes de desenvolvimento económico, nomeadamente nos programas de reajustamento estrutural do Banco Mundial e do FMI, privilegiam modelos rígidos que não têm em consideração as especificidades".
O perfil da rabidante do Sucupira revelado na obra de Grassi indica que são mulheres com baixo nível de escolaridade e que se deslocam em pequenos grupos por países em que, geralmente, não dominam a língua, desenrascam-se e trazem ao mercado cabo-verdiano parte significativa do que os consumidores precisam.
Com a sua actividade profissional conseguem sustentar a família, gerar empregos para os homens do agregado e investir os lucros na educação dos filhos, observa.
A autora contesta, assim, a visão dos modelos dominantes da ciência económica face ao sector informal, considerado "uma doença da economia, que tem que ser corrigida".
"Penso que é um problema mais de carácter político querer ou não querer ajustar os modelos à realidade", afirma.
Quanto à importância do sector informal na economia de Cabo Verde, Marzia Grassi lembra que estudos feitos em países da África Ocidental mostram que, se o sector informal fosse medido, iria triplicar o PIB desses países.
Outro aspecto é que essa actividade permite ajustar o nível de emprego, que o Estado nem sempre consegue fazer.
Há histórias de rabidantes que compraram mini-autocarros de transportes inter-urbanos de passageiros e arranjaram trabalho para os homens da família, ou que então compraram uma ou duas casas e que, quando locadas, constituem uma fonte segura de rendimento familiar.
"Se não são actividades económicas, então são o quê?", interroga-se para confessar, no entanto, que, se se quiser medir o lucro da "rabidância" através dos indicadores habituais, isso não é possível.
Marzia Grassi defende que, neste caso, o que está errado são os instrumentos e metodologias utilizados, "que não deixam ver o que se passa, e tudo fica na mesma, os grandes modelos de desenvolvimento mantém-se..."
O fenómeno da mulher empresária, segundo a investigadora, é comum a toda a África Ocidental e Central. "O que elas propõem é globalização", explica, sublinhando não perceber muito bem por que é que os Estados não olham para este tipo de actividade, nomeadamente para o regulamentar, mas sem o sufocar.
Marzia Grassi considera que não se trata apenas de sobrevivência, porque muitas das mulheres que se dedicam a esta actividade "já são empresárias muito dinâmicas".

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