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Procurador da República brasileiro escolhe Lisboa para fazer mestrado
- 23-Sep-2003 - 19:24
O procurador da República Luiz Francisco de Souza, conhecido como "caçador de corruptos" no Brasil, vai fazer um mestrado em Direito Público e Constitucional na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa (FDUL) Luiz Francisco de Souza vai receber esta semana a carta de aceitação da candidatura, deferida na sexta-feira, após o que poderá matricular-se na FDUL e, em meados de Novembro, iniciar o mestrado.
"A área que eu mais gosto de trabalhar é a questão do Estado, da forma democrática do socialismo - como impor à economia padrões éticos de conduta, como fazer com que ela não seja um abismo entre pobres e ricos, um massacre para o trabalhador", disse hoje o procurador da República à Agência Lusa.
Este, segundo Luiz Francisco de Souza, será o tema genérico da sua tese. O tema específico será definido com o seu orientador em Lisboa.
Aos 41 anos, dez dos quais dedicados ao Ministério Público, Luiz Francisco escolheu Portugal para fazer um mestrado por causa da facilidade da língua comum e para ampliar seus contactos.
Embora tenha conhecimentos de francês, espanhol, inglês e alemão, argumentar ou escrever em um desses idiomas seria mais complicado.
"Um dos objectivos que eu quero ir para Portugal é para fazer contactos, conhecer pensadores socialistas, ver como está a Teologia da Libertação na Europa, ampliar esta luta do Terceiro Mundo para que a gente se livre do imperialismo", declarou.
Ele disse ainda que espera visitar vários países da África, a França e também a Palestina.
Antes de partir para Portugal, onde deverá ficar um ano, Luiz Francisco de Souza irá lançar no Brasil, em meados de Outubro, o seu primeiro livro: "Socialismo - uma utopia cristã".
Com 1.200 páginas, o livro mostra a ligação dos principais socialistas do mundo com os princípios cristãos.
"Se as pessoas se afirmam cristãs - e são quase dois mil milhões no mundo inteiro - elas não podem ser capitalistas, nem imperialistas, nem latifundiárias", defende o Procurador da República, que ficou famoso no Brasil por sua luta contra as privatizações e contra a corrupção.
Luiz Francisco já processou vários ministros no Brasil de 1998 a 2001, auge do processo de privatizações.
O procurador da República também esteve à frente de processos contra governadores e senadores acusados de corrupção, e deputados suspeitos de envolvimentos em narcotráfico e homicídio, como foi o caso de Hildebrando Pascoal, deputado do Partido da Frente Liberal (PFL).
Foi o procurador quem gravou a conversa com o senador António Carlos Magalhães (PFL/Bahia) sobre a fraude no painel electrónico do Senado Federal durante a votação para por termo ao mandato do senador Luiz Estevão.
O escândalo acabou resultando no pedido de renúncia do poderoso senador baiano, em Junho de 2001.
Actualmente está a investigar fraudes na remessa de 30 mil milhões de dólares (26 mil milhões de euros) da agência do Banco do Estado do Paraná (Banestado) em Foz do Iguaçu para Nova Iorque.
A corrupção no Brasil será tema de um livro que Luiz Francisco de Souza espera terminar em Portugal.
"Este é um assunto que, infelizmente, não falta no Brasil", referiu, acrescentando que já escreveu mais de 100 páginas sobre o tema.
O procurador também quer concluir no ano que vem, em Lisboa, outro livro, que já está com mais de 500 páginas escritas, sobre cultura popular como forma de resistência, contestação, crítica social e transmissão de valores éticos.
Ao fazer um paralelo entre as Constituições do Brasil e de Portugal, Luiz Francisco afirmou que ambas foram prejudicadas por várias revisões.
"Houve revisões que estraçalharam bastante a Constituição de Portugal, que decorreu da Revolução dos Cravos. Do mesmo jeito, aqui no Brasil, a Constituição de 1988 já foi alterada mais de 30 vezes, em regra para pior", afirmou.
O procurador defendeu ainda que "o Direito português e o brasileiro deveriam ir mais para o campo do socialismo - não para um socialismo estalinista, autoritário, mas um socialismo totalmente democrático, com fundo cooperativista, com base na autogestão, controlado pela sociedade".

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