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Nomeação de Sanhá gera mal estar
- 24-Sep-2003 - 16:15
No dia em que passam 30 anos sobre a declaração unilateral de independência da Guiné- Bissau, vários representantes partidários e da sociedade civil guineense não disfarçam o "mal estar" provocado com a nomeação do primeiro-ministro interino.
Por José Sousa Dias
da Agência Lusa
Entrevistados pela Agência Lusa à margem do Encontro Mundial de Guineenses na Diáspora, que hoje termina em Lisboa, todos, com uma excepção, defenderam que o golpe de Estado de 14 deste mês, em que depositaram muitas esperanças, acabou por tornar-se "uma farsa".
Nas declarações à Lusa, as críticas duras e violentas ao nome imposto pelo comité militar para a chefia do executivo de transição, Artur Sanhá, contrastam com o consenso em torno de Henrique Rosa para a presidência da Guiné-Bissau.
"O golpe de Estado acabou, afinal, por tornar-se uma farsa. Tinham um cavalo que era perdedor (o presidente deposto Kumba Ialá) e resolveram sacrificá-lo num jogo em que as regras democráticas estão subvertidas", sintetizou à Lusa Pedro Godinho Gomes, membro do Conselho de Anciãos da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO).
Mário Cabral, várias vezes ministro em sucessivos governos do antigo partido único - PAIGC - e hoje embaixador itinerante da organização "Humana - People to People", adiantou à Lusa que a "imposição" de Artur Sanhá pelo Comité Militar para a Restituição da Ordem Constitucional e Democrática (CMROC), prova que o diálogo "não funcionou".
"É importante que o diálogo se complete, pois sem o aval dos partidos políticos, não vejo como possa funcionar o governo de transição sem o apoio dessas forças, que são importantes e fundamentais para o país", sublinhou.
O sociólogo Carlos Lopes, actual director do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) em Brasília, e responsável máximo da ONU no Brasil, foi claro na contestação.
"O que se passou ontem (terça-feira) é a constatação do carácter atípico do golpe de Estado, pois o que suscitou foram apenas pequenas modificações que são impostas mais pelo exterior que pelo interior, mais pelos governos que não o da Guiné-Bissau do que pelos militares", destacou.
"Uma vez mais há uma confusão entre representatividade e legitimidade e as Forças Armadas acabam de legitimar, ao impor Artur Sanhá, não uma mudança na Guiné- Bissau, mas sim uma mudança na liderança do PRS (Partido da Renovação Social, de que Kumba Ialá é fundador e o novo primeiro-ministro é secretário-geral)", acrescentou.
Por seu turno, o historiador e investigador guineense Leopoldo Amado sublinhou que a "imposição" de Artur Sanhá deixa o país "numa situação pior que a anterior".
"Não há consensos e a imposição é algo de aberrante e demonstra um retrocesso dos militares. Artur Sanhá é uma extensão de Kumba Ialá e representa o imobilismo, incompetência e imoralidade. É ainda árbitro e jogador que representa os interesses da etnia balanta, sobretudo da que vive no sul", e que constitui o grosso dos efectivos do comité militar e da generalidade das Forças Armadas guineenses, acrescentou.
António Soares Lopes, jornalista guineense, director da revista África Lusófona e comentador da RTPÁfrica, foi mais cáustico, defendendo que a "imposição" de Artur Sanhá "é apenas a confirmação de que os militares deram um golpe de Estado, mas mantêm o poder nas mãos".
"Trata-se de um golpe de Estado na continuidade porque, ao contrário do que se chegou a pensar, há o facto de não se proceder a qualquer mudança e de se garantir a continuidade de um regime falido e que não vai conseguir convencer internamente nem dar garantias de credibilidade à comunidade internacional, que é quem abre os cordões à bolsa", sustentou, lembrando que a oposição e a sociedade civil estão "de fora".
Entre os dois dirigentes partidários contactados pela Lusa em Lisboa, duas posições distintas, com Antonieta Rosa Gomes, líder do Fórum Cívico Guineense/Social Democrático (FCG/SD), a defender que Artur Sanhá "não é o homem certo" para a transição, e Augusto Mendes Pereira, representante em Lisboa da coligação Plataforma Unida (PU, de Vítor Madinga e Hélder Vaz), a considerar a "decisão" do Comité Militar "a solução possível".
"A situação tinha de ser ultrapassada e as responsabilidades estão nas mãos dos militares e das novas autoridades da transição", adiantou Mendes Pereira, para justificar o apoio da coligação de Vítor Mandinga e Helder Vaz à nomeação de Artur Sanhá.
Resumindo a sua opinião numa frase, a historiadora Maria Domingas Cardoso ironizou: "Não comento mais nada a não ser que o que se passou ontem (terça-feira) constitui uma bela prenda de aniversário", numa alusão aos 30 anos que passam hoje sobre a declaração unilateral de independência.
Quanto à nomeação de Henrique Rosa para presidente interino, apenas uma advertência: tratando-se de um empresário sem filiação partidária e que tem ligações à Igreja Católica, terá "grandes limitações" no exercício das suas funções, nomeadamente na coabitação com Sanhá, defenderam Carlos Lopes e Leopoldo Amado.

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