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  Cabo Verde
A sedução do turismo num ecossistema fragilíssimo
- 30-Sep-2003 - 18:53

Na sedução do turismo e na necessidade de defesa de um ecossistema extremamente frágil se joga o futuro da ilha desabitada de S. Luzia, em Cabo Verde, que resistiu ao povoamento, durante séculos, pelas inóspitas condições oferecidas.


Por Francisco Fontes
da Agência Lusa

O apelo do turismo é forte. Uma extensa praia de areia branca, de sete quilómetros, com um mar cristalino até ao horizonte e uns fundos marinhos de rara beleza, faz sonhar alguns governantes com um futuro que já marca, mas também descaracteriza, parte significativa do território.

Esta ilha, a décima do arquipélago cabo-verdiano, esteve vários séculos abandonada, com umas ténues tentativas de povoamento, mas recebe frequentemente visitas de pescadores de S. Vicente, em busca das suas águas para pescar, e a sua riqueza natural tem sido objecto de inventariação e estudo.

Nos últimos meses, recebeu um acampamento de jovens estudantes, promovido pela Secretaria de Estado da Juventude, e uma visita ministerial, o que não acontecia desde 1962, quando ali desembarcou o antigo ministro do Ultramar português Adriano Moreira.

Este novo olhar sobre a ilha por parte dos governantes e o súbito interesse em lhe dar uma finalidade, com pessoas ali a residir, tem deixado de sobreaviso defensores e técnicos ligados ao ambiente, conhecedores do seu ecossistema extremamente frágil, pela reduzida queda de chuva, a quase inexistência de vegetação e as desconhecidas reservas de água subterrânea.

Em meados deste mês, o secretário de Estado do Turismo, que participou no acampamento de três dias, que reuniu sete dezenas de jovens do ensino secundário na ilha, expressou, "a título pessoal", a ideia de que Santa Luzia "não deve ficar como está".

"Não faria sentido manter tudo como está, com praias tão maravilhosas como estas, com caranguejos e tartarugas. É preciso criar um mínimo de infra-estruturas de apoio para quem quer vir cá ao fim de semana", advogou Amílcar Lima, realçando a proximidade de "uma hora e tal" de barco, a partir da vizinha ilha de S. Vicente.

Na opinião do cidadão titular da pasta do Turismo em Cabo Verde, deve-se procurar um "equilíbrio entre o económico e o ecológico", mas não se pode continuar a impedir as pessoas de desfrutar o ambiente relaxante da ilha.

É precisamente a adopção de uma solução que preserve o equilíbrio ecológico que preocupa o biólogo e engenheiro paisagista Samuel Gomes, que nessa ilha, em conjunto com cientistas portugueses, desenvolveu diversos estudos ligados à biodiversidade e à inventariação das 51 espécies vegetais aí existentes, oito das quais endémicas.

Para este técnico do Instituto Nacional de Investigação e Desenvolvimento Agrário (INIDA) e responsável pelo Jardim Botânico Nacional na ilha de Santiago, Santa Luzia, com os seus 35 quilómetros quadrados de superfície, "é uma ilha pequena, se se pensar em grandes projectos que tragam males, mas grande para projectos bons e positivos".

"Até agora a agressividade que tem sofrido é apenas da aridez do clima. A minha preocupação é que venha a aumentar com a agressividade humana, com novas características para a ilha, com novas mudanças, novas construções", confessou à Agência Lusa.

Trata-se de uma ilha de "grande riqueza científica, mas de grande fragilidade", afirmou, explicando que "tem quase todas as presenças científicas, mas o seu número é reduzido, quer da avifauna, quer das vegetais".

A importância das espécies acresce do facto de algumas dessas endémicas serem utilizadas na medicina tradicional, como o espargo, a palha-de-formiga e a urtiga, susceptíveis de um aproveitamento comercial na feitura de fármacos.

Em termos de presença animal, as praias de Santa Luzia são utilizadas para a desova de tartarugas marinhas "caretta careta", uma espécie protegida a nível mundial, e visitadas por aves migradoras, incluindo a cagarra e a calhandra do Ilhéu Raso, estas duas raríssimas a nível mundial.

Por todas essas razões, e por ter sido considerada em 1990 por diploma legal "Futura Reserva Ecológica Natural", Samuel Gomes entende que Santa Luzia deve merecer uma atenção especial, pelo que possui e também como um meio de protecção das espécies que têm o seu habitat nos ilhéus Raso e Branco.

Não se opondo a um aproveitamento turístico da ilha, para fins de observação e científicos, o biólogo considera aceitável que possa vir a acolher alguns habitantes e equipamentos ligeiros.

É de opinião que a carga turística não deve ultrapassar uma dezena diária de pessoas, para que o seu impacto não atente contra o equilíbrio ecológico. E sugere que o Instituto Superior de Ciências do Mar (ISECMAR), instalado na ilha se S. Vicente, siga o exemplo da Universidade do Algarve (Portugal), e desenvolva aí um centro de estágios para os seus licenciados.

Contrariando um pouco a argumentação dos políticos, de que Santa Luzia tem estado abandonada e esquecida, contrapõe que foi estudada ao longo dos anos e que em parte esse esquecimento foi benéfico, porque "lembranças muito cedo poderiam ter sido um desastre".

Quanto ao futuro da ilha, Samuel Gomes deixa um alerta: as decisões tomadas em Cabo Verde relacionadas com o ambiente "têm de ser pensadas mil vezes", pela grande fragilidade do ecossistema "A bíblia diz que o maior cego é aquele que não quer ver, e para Santa Luzia todos temos de olhar com olhos de ver", concluiu.

Extremamente árida e um baixo relevo, que não ultrapassa os 395 metros, Santa Luzia tem a sudeste a bela Praia de Palmo a Tostão, com uma extensão de sete quilómetros, e a norte uma deslumbrante zona de dunar coberta de carquejas, formada pela desagregação de tufos calcários pelo efeito dos ventos fortes que sopram de nordeste.

A norte, localiza-se a Praia dos Achados, onde as correntes marítimas acumularam toneladas de lixos lançadas pelos barcos que sulcam os mares desde a zona das ilhas Canárias. As formações rochosas que cobrem a quase totalidade da ilha são de origem vulcânica, de pedra basáltica.

Pensa-se que Santa Luzia teve os primeiros habitantes em 1860, um casal e um filho. Em meados do século XX a família Da Cruz (um casal e dois filhos) parte para ali, mas abandona-a 15 anos depois (1964). Dedicava-se à pesca e pastorícia, e ao cultivo de uma pequena horta, alimentada pela água de um poço que entretanto secou. Desde então permanece desabitada.

Hoje, ainda são visíveis as ruínas da construção, e um engenhoso canal para a água que alimentava umas pequenas cisternas e a horta. E a devoção dos pescadores que a visitam mantém na ilha um nicho com a imagem de Santa Luzia.


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