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Língua Portuguesa tem o seu «exército» chinês
- 18-Nov-2002 - 11:13
Há cerca de quatro décadas que a China forma alunos em língua portuguesa, que vão formando um autêntico «exército», que o governo e as empresas nacionais recrutam para fazer a «ponte» não só com Portugal, mas com todo o espaço lusófono.
O ano lectivo ainda está em andamento, e um dos finalistas da Licenciatura de Português, da Universidade de Línguas Estrangeiras de Pequim, Ma Yue, 21 anos, já foi recrutado pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros da China (MNE).
Entre os finalistas do ano passado, «um vai para a Embaixada de Lisboa, outro vai para a Embaixada da China em Angola, outro para a de Brasília, dois para o consulado de Manaus».
Manuel Pinho, leitor do Instituto Camões (IC) enviado para Pequim para o ensino do idioma neste curso de licenciatura, diz ainda que «outros dois estão numa empresa de telecomunicações em Shenzhen com interesses em Angola e no Brasil».
«Primeiro são os ministérios (a contactar-nos)», diz Ma Yue, 21, ou António Ma, conforme o nome português que adotou, e depois vêm as empresas, a Rádio Internacional - com serviço em português, que transmite para todo mundo - ou outros, que precisem de novos reforços.
António Ma, que no final do ano será mais um elemento deste «exército» de falantes de português, recebe hoje uma «medalha», atribuída pelo Instituto Português do Oriente.
O bom desempenho na aprendizagem do idioma, vale-lhe um prêmio no valor de US$ 500 - mais do dobro do que António espera receber mensalmente no início de carreira.
«Depois de entrarmos (para o MNE), somos treinados. Temos quase um ano de estudo», afirma António Ma, que aceita qualquer destino, na Embaixada da China em Timor-Leste, Moçambique, «qualquer país», indica.
Além do Ma Yue e de um colega de curso, os outros «premiados» incluem o melhor da licenciatura em Xangai e o de Cantão, onde neste caso a língua é ministrada em regime opcional.
De fora ficou uma outra licenciatura, que há dois anos nasceu na capital chinesa (ou renasceu, já que este foi o primeiro local a iniciar o ensino «sério» do português), e a Zona Econômica Especial de Xiamen, no sul da China, onde a língua é ensinada em regime opcional.
Também excluído da lista dos contemplados, Chengdu, no sudoeste do país, desta vez destinado a ensinar o «vocabulário básico» a técnicos da área da saúde, recrutados pelo governo chinês para programas de cooperação com os países africanos de língua portuguesa.
A formação da nova fornada de falantes em português que a Universidade de Língua Estrangeira de Pequim entrega neste ano lectivo ao país, também passou por Macau.
Os cerca de 20 alunos da turma de António Ma, entraram para o curso de Português no ano da passagem da soberania de Macau para a China, em 19 de Dezembro de 1999.
Dois anos depois - durante os quais «eu passei a minha vida a estudar», afirma Ma Yue -, a turma foi enviada para o antigo território português, ao abrigo de um acordo com a Universidade de Macau, cujo departamento de português local fica encarregado do ensino do terceiro ano aos alunos de Pequim.
Em Macau, António achou mais fácil ver o mundo «em português» através dos três diários que alimentam a comunidade portuguesa, que «lia todos os dias», enquanto nos jornais que se publicam em Portugal, «é muito difícil», aponta, e justifica, «o ambiente é muito diferente».
Depois de quatro anos aprendendo português, a carreira diplomática, o serviço na agência de notícias oficial Xinhua, no Banco da China ou em alguma empresa chinesa de importação-exportação, poderá levá-los de volta a Macau, ou Portugal, Brasil, Angola, Moçambique.
São os falantes de português que há mais de 40 anos começaram a aprender o idioma na China, que traduziram, por exemplo, «O memorial do Convento» de José Saramago, para a língua dos mandarins ou compilam dicionários chinês-português e português-chinês.
O departamento da Universidade onde Manuel Pinho está colocado está preparando mais duas «armas» para os chineses falantes de português: um dicionário temático, ou seja, enciclopédico, e um dicionário com as terminologias da União Europeia.
Alguns exímios falantes do português, como o embaixador Han Zhaokang, ficaram «famosos» por, neste caso, ter sido o último responsável da parte chinesa pelas negociações da transferência de Macau para a China.
Manuel Pinho defende que, em relação ao investimento de Portugal na China, «a aposta deve ser a língua».
O curso dado em Pequim, que incide sobretudo no idioma, a outros níveis, além de Portugal, «fala-se um pouco» do Brasil, diz Manuel Pinho, que este ano vai organizar palestras sobre Angola e Moçambique, para abrir mais os horizontes aos alunos.
A língua «é um veículo para chegar à cultura», defende o professor, na China há cerca uma década, primeiro em Xangai e agora em Pequim.
E neste caso, a cultura de que estamos falando é não só Portugal, mas todo o espaço lusófono, com quem a China mantém boas relações, sobretudo com o Brasil, que é o maior parceiro comercial da República Popular na América Latina.

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