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Jorge Sampaio vai doar 20 anos de cadernos políticos
- 6-Oct-2003 - 14:28
O presidente português afirmou hoje em Lisboa que irá doar à Torre do Tombo os "cadernos políticos" por si elaborados ao longo dos últimos 20 anos e apelou a todos os que têm documentos históricos para fazerem o mesmo.
A intenção de Jorge Sampaio foi expressa no discurso da sessão de abertura do seminário "Património Arquivístico nos Países da CPLP - Experiências e Estratégias", promovido pelo Instituto dos Arquivos Nacionais/Torre do Tombo (IAN/TT), que termina terça-feira.
O chefe de Estado português não adiantou quando disponibilizará as suas notas e documentos sobre os últimos 20 anos da História em Portugal, mas "advertiu" que essa documentação, "por razões óbvias", só poderá ser consultada "dentro de 20, 30, 40 ou 50 anos".
No mesmo sentido, Sampaio apelou a todos os que têm documentos de interesse histórico para Portugal ou relacionados com os restantes sete Estados que integram a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) que o ofereçam aos arquivos históricos nacionais.
"Não temos a tradição de oferecer espólios. Há inúmeras pessoas que têm documentação valiosíssima que se perderá ou acabará com as novas gerações a vendê-las a alfarrabistas", sublinhou Sampaio, salientando que um arquivo histórico é um "serviço público fundamental", a "base para o trabalho de estudo e investigação".
O presidente português adiantou também ser sua intenção criar na Presidência da República um Museu Histórico, que contará a história da República e respectivos chefes de Estado desde 1910, a que se juntará também um Centro de Documentação.
Sobre o seminário, Sampaio lembrou que o objectivo é tratar questões de gestão, informação e cooperação, de modo a criar condições para novos projectos "indispensáveis à constituição da memória e da historiografia", sobretudo nos países africanos de língua portuguesa.
"As histórias de todos os povos têm luzes e sombras que devem ser assumidas integralmente e avaliadas. O nosso passado comum deverá ser um estímulo às novas capacidades de entendimento do presente", acrescentou.
Em declarações à Agência Lusa, a directora do IAN/TT, Miriam Halpern Pereira, destacou a importância do seminário, lembrando que o caminho a percorrer é ainda longo, mas que, com as novas tecnologias, a par de uma maior colaboração entre os directores dos arquivos históricos dos "oito", a "História" ficará "enriquecida".
"Há muita documentação dispersa e por qualificar e as novas tecnologias, como os suportes informáticos e o microfilme, trarão novos problemas mas também novas soluções", sublinhou.
Por isso, tal como Sampaio, a directora do IAN/TT destacou também o contributo "valiosíssimo" dado pelo vice-almirante Almeida Bessa, que ofereceu recentemente ao Arquivo Nacional de Cabo Verde o espólio sobre o Governo de Transição daquele país.
No seminário, que decorre no auditório do Instituto, serão debatidos quatro temas principais - "Gestão de Documentos na Administração Pública", "Arquivos e Sociedade de Informação", "Arquivos Locais" e "Património Arquivístico Comum".
Os trabalhos do encontro, patrocinado pelas fundações Oriente e Calouste Gulbenkian e pela Câmara de Lisboa, contam com a presença dos directores dos Arquivos Históricos de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e, pela primeira vez, Timor-Leste.
No final dos trabalhos será feita a apresentação do projecto internacional "Rota do Escravo", que diz directamente respeito ao património arquivístico comum aos países de língua portuguesa.
O mesmo será feito em relação aos projectos "Resgate" e "Reencontro", que têm o mesmo fim, mas ligados unicamente às relações históricas entre Portugal e Brasil.
Quarta e quinta-feira, os participantes reunir-se-ão com outro objectivo, no âmbito do Fórum dos Directores dos Arquivos Nacionais da CPLP.
Sexta-feira, decorrerá a VI Reunião da Comissão Bilateral Luso- Brasileira de Salvaguarda e Divulgação do Património Documental, enquadrada no espírito dos projectos "Resgate" e "Reencontro".

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