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  Brasil
Victor Bout, o Falcone da UNITA
- 13-Oct-2003 - 16:18

A UNITA também tem os seus falcones. Joaquim Mulato, vice-presidente da UNITA, fez tal declaração à margem da cerimónia de abertura das jornadas parlamentares do partido decorridas ao longo da semana, no palácio dos congressos. Mas, o que isso significa, terá o galo negro um relacionamento privilegiado com um traficante de armas do calibre de Pierre Falcone?


Se não tem, pelo menos teve. O Falcone da UNITA chama-se, na verdade, Victor Bout, um cidadão russo que é apontado pela prestigiada revista «The New York Times Magazine» como o maior traficante de armas do mundo.

Victor Bout, de acordo com dados recém divulgados no Brasil, nasceu no Tajiquistão, mas possui cinco passaportes e um número maior de Bilhetes de Identidade. É proprietário de várias empresas de aviação, detendo, ainda hoje, um conjunto de 50 aviões. Antes da queda do império russo, Bout foi, também, um importante piloto.

Tais aeronaves facilitam o seu negócio. Uma reportagem publicada em jornal brasileiro revela que Victor Bout «opera a partir de uma base nos Emiratos Árabes Unidos» e que, no mundo escuro do negócio ilícito de armamento, «a sua especialidade é a venda de armas em troca de diamantes».

Daí o facto de, no recuado ano de 2000, se ter descoberto que os seus amigos e clientes pessoais incluíam nomes africanos tão importantes como Taylor e Savimbi, sem esquecer, é claro, o antigo líder da RDC, Mobutu Sese Seko.

Pierre Falcone não parece despertar muito o interesse dos EUA. Pelo contrário, de acordo com revelações da imprensa local, ele é tido até como aliado de políticos importantes naquele país. Mas Victor Bout não reúne tantas simpatias. Sob ele pesa a acusação de ter fornecido armas para o Afeganistão e, mais do que isso, para o regime Taliban de Osama Bin Laden.

Sob ele impende um mandato de captura emitido há alguns anos pelas autoridades belgas, acusando-o de ser o principal fornecedor de armamento para a UNITA, além do facto de ter estado envolvido no tráfico dos chamados diamantes de sangue. O mandato de busca a Bout saiu numa altura em que a ONU calculava que eram traficados ilegalmente, a partir de Angola, e todos os dias, dimantres no valor de 1 a 2 milhões de dólares. Grande parte desse dinheiro recaía para a compra do armamento que suportou o conflito armado.

De acordo com dados divulgados na altura pela ONU, Bout organizou 38 voos para entregar equipamento pesado aos então rebeldes da UNITA. Mais recentemente, a sua mão fez-se sentir na Serra Leo, para onde a sua frota de aviões antigos, de fabrico soviético, entregou helicópteros de ataque, blindados e armas anti-blindados aos rebeldes da Frente Revolucionária Unida.

A ONU já divulgou dois relatórios escandalosos em torno da figura de Victor Bout e da sua mão nos conflitos em África. Num deles, publicado há dois anos, é assim caracterizado: «ele alimenta com armas mortíferas todas as guerras civis da Serra Leoa, Angola, Congo». E refere uma das suas melhores ideias: «ele muniu de armas pesadas os grupos rebeldes que, nessas regiões de África, controlaram, ou controlam, as minas de diamantes».

A sua fama é tal que um investigador da Human Rights Watch, em 2000, não hesitou em considerá-lo «uma espécie de McDonald’s do tráfico de armas». O seu nome, conforme tal investigador, «é uma marca no mercado negro de armamento».

Victor Bout ainda está solto; permanece como um fugitivo da justiça internacional. Mas ao contrário de Pirre Falcone, Osama bin Laden e Saddam Hussein ele vive tranquilo (em Moscovo), sob aparente protecção de um sistema pós-comunista que lucra com suas actividades, tanto quanto ele mesmo.

A este propósito, Ernesto Mulato, falando na abertura das jornadas parlamentares do seu partido confirmou que, no contexto da guerra, a UNITA também teve os seus falones. «Mas nunca os nomearia para um cargo de Estado».



«Ele faz parte do passado»
A justificação é de Alcides Sakala, da UNITA

O vice-presidente da UNITA disse que o movimento também tem os seus Falcones. O que isso significa, que durante o conflito vocês recorreram a traficantes de armas?

Bom não foi esse o contexto a que ele queria se referir. A verdade é que isso tem um contexto que pertence ao passado, acabou a guerra e durante esse período evidentemente as pessoas tinham as suas alianças, as suas amizades e os seus amigos. Pensamos que isso tudo pertence ao passado, o mais importante agora é trabalharmos no sentido de criarmos um clima de mais confiança. E quando vem a Angola, como veio o senhor Falcone, recebido enfim com honras, se quisermos, quase oficiais, pensamos que é um gesto que não dignifica a diplomacia angolana. A guerra devíamos enterrar todos os fantasmas que no passado contribuíram para o conflito de um e outro lado. Não há necessidade de termos que ressuscitar novamente pessoas como o Falcone que evidentemente tiveram o seu contributo

Falou-se, durante certo tempo, de um cidadão russo que vendeu armas para a UNITA. Quem é esse cidadão e em que circunstância se fez tal negócio? Teve a UNITA algum relacionamento extra com tal pessoa?

Sabe que durante o conflito, durante a guerra - o negócio de armas é um processo complexo - surgiram muitas pessoas, mas acho que não há necessidade de levantarmos novamente estas questões, isto agora pertence ao passado. Angola conhece a paz, devemos é trabalhar para ela. Fazer outra vez referência ao passado pensamos que não nos conduz a absolutamente nada.

O que acha que está mal no caso Falcone: o facto do governo ter recorrido a um traficante para compra de armamento, as comissões no âmbito do ANGOLAGATE, ou a sua indicação para diplomata angolano?

Penso que tudo está mal , sobretudo pelo facto de ter vindo agora a Angola, e como veio. Ter sido nomeado como diplomata no quadro da UNESCO, alguém que representa o Estado angolano no exterior do país, foi uma gaff da diplomacia angolana. Entendemos que Falcone, no seu percurso, teve uma postura. É mercenário, foi mercenário, e sabe que mesmo o facto de ele ter vindo a Angola isto viola um pouco o espírito dos acordos de Lusaka que prevêem o repatriamento de todos os mercenários. Pensamos que esta atitude não foi analisada devidamente e os contornos políticos apenas vêm confirmar a falta de popularidade de que o Presidente da República goza.

Há quem defenda, em torno desta questão, que a nomeação de Falcone decorre de algo juridicamente aceitável. O que dizem os vossos juristas?

Do ponto de vista jurídico poderá haver uma ou outra explicação, não interessa aqui abordarmos agora. O importante é a visão no contexto político, em que isto acontece. É quase uma atitude de provocação, se quisermos considerar esta questão nestes termos. Foi inoportuna a decisão tomada, foi irreflectida mesmo.

O que a UNITA vai exigir no parlamento em torno desta problemática? E o que fará, se a maioria parlamentar, como sempre, for contra as ideias da UNITA neste caso específico?

Apenas uma chamada de atenção para dizermos no fundo que devemos evitar situações como estas que não dignificam de forma nenhuma o Estado angolano.


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