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Mulheres em África morrem muito mais
- 20-Oct-2003 - 22:17
A saúde materna nos oitos Estado da CPLP é de extremos, com Portugal e Cabo Verde entre os com melhores índices, e Angola, Guiné-Bissau e Moçambique com os piores
Uma em cada 16 mulheres africanas corre o risco de morrer durante a gravidez ou no parto, média que é 175 vezes superior à dos países desenvolvidos, indica um relatório hoje divulgado pelas Nações Unidas. Elaborado conjuntamente pela Organização Mundial de Saúde (OMS), Fundo das Nações Unidas para a População (FNUAP) e Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), o documento salienta que esta taxa de mortalidade poderá ser evitada se os países africanos se dotarem de assistência técnica adequada.
A saúde materna nos oitos Estado da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) é de extremos, com Portugal e Cabo Verde entre os países com melhores índices e Angola, Guiné-Bissau e Moçambique com os piores. São Tomé e Príncipe não é referenciado no relatório, por não ter disponibilizado dados.
"A grande maioria das mortes poderia ser evitada se todas as mulheres tivesses acesso a assistência especializada durante a gravidez e no parto, bem como a medicamentos básicos no caso de sofrerem algumas complicações", lê-se no relatório.
Das 529.000 mortes de mulheres durante a gravidez ou na altura do parto registadas no mundo ao longo de 2000, 95 por cento ocorreram nos continentes africano e asiático, contra 4 por cento na América Latina e Caraíbas e menos de 1 por cento nas regiões mais desenvolvidas.
A taxa de mortalidade materna em 2000, tendo por base 100.000 nados vivos, variou entre 20 mulheres nas regiões desenvolvidas e 920 na África Sub-Saariana. A mesma taxa é de 520 no sul da Ásia central, de 210 no sudeste asiático, de 240 na Oceânia e de 190 na América Latina e nas Caraíbas.
"Muitas mulheres têm os filhos sozinhas, com familiares ou ajudantes mal preparados, pessoas que não estão à altura de enfrentar complicações pós-parto", afirmou Jong Wook Lee, director-geral da OMS.
"A existência de assistentes preparados é essencial, porque podem reconhecer e prevenir problemas. Também podem transmitir às mães informações básicas sobre cuidados a terem consigo mesmas e com os bebés antes e depois do parto" acrescentou.
A nível mundial, 13 países em vias de desenvolvimento totalizam 70 por cento dessas mortes, com os números mais elevados atribuídos à Índia, com 136.000 mortes, e Nigéria, com 37.000, dois dos mais populosos Estados subdesenvolvidos.
No entanto, os países que apresentam as mais elevadas taxas de mortalidade materna são a Serra Leoa, com 2.000 mortes em cada 100.000, Afeganistão (1.900/100.000), Malauí (1.800/100.000), Angola (1.700/100.000) e Níger (1.600/100.000).
Entre os oito países da CPLP, Angola é o que apresenta dados relativos a 2000 mais preocupantes nos três itens considerados - número de mães mortas, risco de morte durante o parto e taxa de mortalidade materna.
Durante o ano de estudo, Angola apresenta dados preocupantes, tendo, em 2000, falecido 11.000 grávidas, morrendo uma em cada sete mulheres durante o parto e com a taxa, já referida, de 1.700 mães mortas em cada 100.000 nados vivos.
A situação pouco melhora na Guiné-Bissau, que tem uma taxa de mortalidade materna de 1.100 em cada 100.000 nados vivos, o que corresponde a 590 mulheres mortas, com o risco de uma morte em cada 13 partos.
Números praticamente idênticos apresenta Moçambique, com uma taxa de mortalidade de 1.000/100.000, o que corresponde a 7.900 mulheres mortas, sendo o risco de morte no parto de uma em cada 14 mães.
Em Timor-Leste a situação é também preocupante, pois o risco de morte durante parto é de uma mulher em cada 30, tendo o total de falecimentos ascendido a 140, o que corresponde a uma taxa de mortalidade materna de 660 mulheres em cada 100.000.
No Brasil, a situação é menos preocupante, embora os dados sejam ainda elevados, pois, em 2000, registaram-se 8.700 mortes de mães, sendo o risco de uma morte em 140 partos, o que corresponde a uma taxa de mortalidade materna de 260 por cada 100.000.
Cabo Verde apresenta números melhores do que o Brasil, pois morreram apenas 20 mulheres em 2.000, sendo o risco de morte no parto de uma em cada 160 mulheres, o que leva a uma taxa de mortalidade materna de 150/100.000.
Em Portugal os dados são, comparativamente aos restantes membros da CPLP, francamente positivos, pois apenas cinco mulheres morreram durante a gravidez ou no momento do parto, sendo o risco de morte de uma em cada 11.100 partos, o que corresponde a uma taxa de mortalidade materna de cinco por cada 100.000 nados vivos.
A média portuguesa está bastante acima da registada no conjunto dos países da Europa, onde o risco de morte à nascença é de uma em cada 2.400 partos, sendo a taxa de mortalidade materna de 24/100.000.
À frente de Portugal, que tem a sua taxa de mortalidade materna igual à da Dinamarca, Guadalupe, Irlanda, Itália e Kuwait, apenas está a Islândia (com uma taxa nula), Suécia (2/100.000), Eslováquia (3/100.000) e Áustria, Espanha e Martinica (4/100.000).
"Estas novas estimativas demonstram um número inadmissível de mulheres que morrem no momento do parto e que é vital desenvolver o acesso ao cuidados de obstetrícia, sobretudo na África Sub-Saariana", declarou Carol Bellamy, directora geral da UNICEF.
O estudo indica também que a grande maioria das mortes resulta de atrasos no reconhecimento dos vários tipos de complicações possíveis, a falta de cuidados médicos e a inexistência de assistência especializada.

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