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«Literatura angolana tem voz própria mas não abordou certos temas»
- 25-Oct-2003 - 17:09
A literatura angolana já tem uma voz própria e criou um espaço, mas tem "descurado" a realidade rural e não tratou alguns temas amplamente abordados noutras literaturas africanas, afirma o escritor Pepetela.
"Há um tema que ninguém ainda focou na literatura que é a vinda do jovem do meio rural para a cidade, o que ele sente, quais as contradições que sente, etc.", disse.
Pepetela encontra-se em Portugal a promover o seu mais recente livro, "Jaime Bunda e a morte do americano" onde o intrépido agente dos SIG (Serviços de Informações Gerais) investiga "no assombro de terra que é Benguela" a morte de um engenheiro norte-americano.
Hoje, em Portimão, o escritor angolano inicia um périplo por três cidades algarvias que o levará segunda-feira, a Faro onde falará na Biblioteca Ramos Rosa às 18:00 sobre o seu livro, e terça-feira à Biblioteca Dr. Júlio Dantas, em Lagos, onde estará a partir das 21:00.
"Jaime Bunda e a morte do americano" é o regresso de Pepetela ao romance policial, numa prosa pontuada por vários regionalismos, pela ironia e a crítica social.
Não sendo sua preocupação a fixação dos termos dos vários idiomas autócnes, considera que se "está a perder um património que é identidade de todos os angolanos" e que seria essencial "fixar as tradições orais, sob o risco de as perdermos e perdermos parte de nós próprios".
Angola é hoje um espaço "de múltiplas confluências, cruzada de Norte a Sul e Leste a Oeste pelas mais variadas nacionalidades".
"Até muçulmanos erguem hoje as suas mesquitas, facto nunca antes visto, e à margem da lei, para além dos várias igrejas quem têm surgido" e de que aliás faz referências neste seu mais recente título.
O pregador que foi roubado pelo "Robin dos comboios" que actuava no caminho-de-ferro de Benguela ou a governante do americano, a Dona Guilhermina, "adepta de uma dessas crenças modernas em que se conhece a verdade absoluta deste mundo e dos outros todos".
Contudo "após um declínio logo a seguir à independência e porque estava ainda conotada com o colonialismo a Igreja Católica está em plena pujança", disse o escritor.
Segundo Pepetela "as igrejas estão sempre cheias e muitos ministros e outras figuras de relevo na sociedade angolana que nunca tinham mostrado qualquer religiosidade vieram a público dar a conhecer a sua fé, e até o Presidente da República se casou catolicamente".
Pepetela considera que a Igreja Católica tem desempenhado um "importante papel na reconciliação, designadamente desde que o Estado entregou a Rádio Eclesia que tem promovido debates sobre os problemas sociais de Angola".
"Também muitos dos dignatários católicos foram alvo de perseguições pelo regime colonial e há um outro entendimento por parte dos angolanos".
No livro que apresentará segunda-feira, em Faro, a morte de um engenheiro americano preocupa o Governo de Luanda receoso "que o presidente americano considerasse o país área perigosa" o que "representava um desastre, perdendo assim Angola a agradabilíssima companhia dos ianques, umas jóias de pessoas", como enfatiza D.O. ao agente Jaime Bunda.
Este é "o sentimento do povo" relativamente aos Estados Unidos. "Os americanos são mais os amigalhaços do Governo que da população", disse.
O vate de Massangala, Julião Domingos de Sousa, entre a sua roda de amigos do bar da praia Morena "logo proferiu lapidar sentença: um gringo a menos sempre melhora a qualidade do ar".
"Línguas de fogo" este grupo que logo recordou um caso idêntico ocorrido na década de 1950 durante o tempo colonial.
Hoje, as relações entre Portugal e Angola são outras apesar de Pepetela considerar que "em termos culturais poderiam ser mais intensas, pois há muita coisa a fazer, o que aliás se passa também com o Brasil, o primeiro país a reconhecer a independência angolana".
Pepetela afirma que Portugal "goza de uma grande quota de influência e simpatia". A morte do engenheiro norte-americano muitos transtornos causou a algumas personagens que queriam assistir através da televisão a um jogo decisivo do campeonato português de futebol.
Mas não é só a área do desporto, "mas um pouco de tudo que diga respeito a Portugal tem interesse para os angolanos, muitos deles com filhos ou parentes cá".
E a esse propósito o escritor não deixa de fazer notar "que aos brasileiros ilegais em Portugal foi-lhes dada uma segunda oportunidade e aos angolanos não".
O autor, galardoado com o Prémio Camões em 1997, salienta ainda o crescimento da Língua Portuguesa em Angola.
"Actualmente o Português é a língua materna de 3 em cada 4 angolanos", enfatiza, para logo contrastar que Portugal tem apenas um Centro Cultural em Luanda e um centro de língua no Lubango, "enquanto a França tem três activos centros culturais, e não têm quaisquer afinidades connosco".
Neste sentido o autor de "A geração da utopia" gostava que a CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa) "fosse mais activa em termos culturais e permitisse maiores permutas e contactos até entre escritores".
Pepetela com "Jaime Bunda e a morte do americano" que apresenta hoje em Portimão, segunda-feira em Faro e terça-feira à noite na cidade de Lagos não coloca um ponto final às aventuras do "detective de mataco grande" mas afirmou ou à Lusa "que por agora não tem vontade de voltar a ele" nem vislumbre que se torne uma série, mas sempre vai dizendo "talvez apeteça ao Jaime Bunda ir à China, quem sabe".

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