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  Cabo Verde
Tarrafal é memória pouco eloquente de lutadores pela liberdade
- 29-Oct-2003 - 15:13

Inaugurado há 67 anos com a chegada dos primeiros presos políticos portugueses, o antigo campo de concentração do Tarrafal, em Cabo Verde, é hoje uma memória pouco eloquente do flagelo vivido por centenas de lutadores da liberdade.


Os pavilhões em alvenaria, que serviram de cela aos condenados políticos, fenecem em ruínas entre ervas daninhas que as generosas chuvas deste ano fizeram erguer a mais de meio metro do solo.

Adiado continua o projecto de ali criar um museu da resistência, embora um pavilhão de madeira no exterior do amuralhado recorde os tempos dolorosos da prisão política.

Espaço interpretativo, criado há meia dúzia de anos, o pavilhão não deixa cair no esquecimento da história o flagelo de centenas de opositores ao regime fascista português, reproduzindo testemunhos, mostrando algumas fotografias e dando a conhecer os nomes.

Com a chegada dos primeiros presos, a 29 de Outubro de 1936, o campo de concentração do Tarrafal, na ilha de Santiago, não foi o primeiro presídio político em Cabo Verde, eufemisticamente denominado pelo Estado Novo colónia penal.

A primeira tentativa do regime salazarista de criar um campo de concentração foi na localidade do Tarrafal, na ilha de S. Nicolau, também em Cabo Verde, após a revolta contra o governo dos oficiais na Madeira que seguiram o general Adalberto Sousa Dias, em 1931.

Para a instalação desse presídio foram aproveitadas barracas em madeira que faziam parte das indemnizações de guerra pagas pela Alemanha depois da I Guerra Mundial.

A 23 de Abril de 1936 foi aprovado o Decreto-Lei 26.539, que estabeleceu a colónia penal do Tarrafal, na ilha de Santiago, numa localidade que, por ironia do destino, adoptara o nome de Chão Bom.

Num rectângulo de terreno de 200 por 300 passos, circundado por arame farpado, foram instaladas barracas de lona para os presos. As retretes eram latas metidas nuns buracos, junto a paredes de pedra. O refeitório, umas mesas e uns bancos de madeira tosca ao ar livre.

Para os guardas e os serviços de apoio foram utilizadas as barracas de madeiras transportadas do Tarrafal de S. Nicolau.

Foi isso que os primeiros 155 presos encontraram, a 29 de Outubro de 1936, chegados de Portugal a bordo do vapor "Luanda".

Eram 35 marinheiros dos navios de guerra "Afonso de Albuquerque", "Dão" e "Bartolomeu Dias" que estiveram envolvidos na revolta de 08 de Setembro desse mesmo ano, contra o regime fascista português.

A estes juntaram-se uma centena de detidos nas cadeias de Lisboa, Porto, Coimbra e Angra do Heroísmo, mais uma vintena de outros, entre os quais se encontravam alguns portugueses radicados na Galiza, Espanha.

Seis anos depois, mercê dos trabalhos forçados a que foram sujeitos os presos, o campo de concentração era já um espaço amuralhado em cimento, com um torreão à entrada e um passadiço superior para os guardas. No interior erguiam-se pavilhões em alvenaria cobertos a lusalite.

Entre 1936 e 1954, altura em que o Campo de Concentração foi temporariamente encerrado, em 18 levas de prisioneiros passaram por ali mais de 250 reclusos, a maioria, com idades entre os 25 anos e 30 anos. Pelo menos dois deles, Edmundo Pedro e Josué Romão Martins, completaram em cativeiro os 18 anos.

Em resposta a uma tentativa de fuga colectiva, em Agosto de 1937, começam a ser aplicados os primeiros castigos. E é então que surge a fatidicamente célebre "frigideira", um bloco em cimento, de cinco por três metros, ventilada por uma exígua guarita, com duas celas no seu interior.

Os presos eram ali colocados de castigo, sujeitando-se a temperaturas entre 40 e 60 graus. Gabriel Pedro e Joaquim Faustino, com mais de 100 dias cada um, foram os mais flagelados com a tortura da "frigideira". Nessas "celas de morte", os detidos completaram 2.824 dias de permanência.

Em 1956, foi extinta por decreto a Colónia Penal de Cabo Verde, mas, desde inícios dos anos 60 e até 1974, quando eclodiu a Revolução do 25 de Abril, o presídio do Tarrafal passa a acolher presos das cadeias civis cabo-verdianas e elementos ligados aos movimentos independentistas de Angola e Guiné-Bissau.

A 01 de Maio de 1974, os presos políticos são libertados do Campo do Tarrafal. Nos primeiros anos da independência de Cabo Verde, decretada a 5 de Julho de 1975, essas instalações acolheram uma unidade militar.

Com a saída dos militares, os edifícios do antigo campo de concentração são votadas ao abandono. Apesar de quase todos se encontrarem em ruínas, são um local "obrigatório" de romagem de turistas.

O espaço amuralhado em betão continua a impor-se como um símbolo macabro do domínio colonial fascista português, nas imediações da sede do então nascente município do Tarrafal, a sete dezenas de quilómetros da capital do país, a Cidade da Praia.

As antigas casas de guardas, no exterior do campo, e outros edifícios de apoio, servem hoje de habitação a famílias pobres da localidade de Chão Bom.


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