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  Brasil
Maputo quer mais «conteúdo económico» nas relações bilaterais com o Brasil
- 3-Nov-2003 - 16:28

O governo de Moçambique pretende que a visita que o presidente brasileiro, Lula da Silva, vai efectuar ao país seja uma oportunidade para acrescer "mais conteúdo económico" às relações entre os dois países.


O ministro moçambicano da Indústria e Comércio, disse à Agência Lusa que a visita de três dias que Lula da Silva inicia terça- feira ao seu país é aguardada "com grande expectativa", por poder marcar a viragem nas relações económicas.

"As relações entre Moçambique e Brasil estão suficientemente evoluídas no campo político e diplomático, o que já é uma importante base para o lançamento de uma cooperação económica mais intensa", afirmou Carlos Morgado.

O governante acrescentou que o facto de a comitiva do presidente brasileiro integrar mais de centena e meia de empresários, mostra o interesse do Brasil em pôr as "óptimas relações políticas ao serviço do desenvolvimento económico e empresarial com África".

O ministro da Indústria e Comércio moçambicano referiu-se às capacidades económicas e tecnológicas do Brasil, como "reais vantagens" que interessam a Moçambique aproveitar.

Carlos Morgado salientou ainda que o poderio económico e político do Brasil na América do Sul e o crescente protagonismo de Moçambique na arena política africana, com a assunção da presidência da União Africana, faz dos dois países "actores imprescindíveis" na minimização dos desequilíbrios económicos entre os países mais ricos e os mais pobres.

"A intensificação das relações políticas e económicas entre o Brasil e África irá concorrer para a viabilização da desejada cooperação Sul-Sul", destacou o ministro.

O embaixador do Brasil em Maputo, Pedro Luiz de Mendonça, disse, por seu turno, que a visita de Luiz Inácio Lula da Silva a Moçambique irá conferir um "maior sentido prático às relações entre os dois países", com a assinatura de oito acordos em áreas em que Moçambique precisa de apoio.

"As relações entre os dois países terão de ser orientadas para sectores em que o Brasil tem muita experiência e onde pode prover serviços ainda demandados por Moçambique", sublinhou o diplomata brasileiro.

Pedro Luiz de Mendonça citou as áreas da educação, saúde, agricultura e administração pública, como de interesse comum, uma vez que o Brasil já atingiu um nível de desenvolvimento assinalável nesses sectores, mas nos quais Moçambique ainda enfrenta carências.

"O Brasil assumirá, através dos acordos que serão assinados, compromissos claros de apoio ao desenvolvimento desses sectores em Moçambique", frisou o embaixador brasileiro.

O diplomata afirmou ainda que a visita será igualmente uma oportunidade para se salientar a necessidade dos dois povos se conhecerem melhor.

"Um conhecimento mais concreto entre os dois países irá abrir caminhos para a intensificação das relações, sobretudo económicas, que são ainda diminutas", frisou Pedro Luiz de Mendonça.

Nesse sentido, afirmou que a inclusão de um grande grupo de empresários na comitiva do presidente brasileiro e a possível discussão do interesse da Companhia Vale do Rio Doce (CVRD) na exploração das minas de carvão de Moatize, em Moçambique, testemunham a vontade do Brasil em alargar as relações de cooperação para o campo económico.

Pedro Luiz de Mendonça falou também da eventual reconversão, em financiamento, de 20 milhões de dólares da dívida de Moçambique ao seu país para a instalação de uma fábrica de anti-retrovirais, medicamentos de combate ao vírus do HIV.

Na sua opinião, o empreendimento será mais uma forma de "demonstrar o empenhamento do Brasil em ajudar os seus parceiros a ultrapassar as suas dificuldades", no caso Moçambique, um país onde 12 por cento dos seus 18 milhões de habitantes estão infectados com o HIV/SIDA.

O presidente Lula da Silva, que é esperado em Maputo ao final da tarde de terça-feira, assinará com o seu homólogo moçambicano, Joaquim Chissano oito acordos de cooperação contemplando as áreas da educação, saúde, administração estatal, juventude e desportos, meio ambiente, ciência e tecnologia, agricultura, recursos minerais e energia.


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