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Menos um café a favor de quatro angolanos
- 21-Nov-2002 - 15:36

A privação de apenas um café por dia e o depósito do seu valor (45 cêntimos de euro) numa conta bancária ajudará a alimentar quatro angolanos carenciados por dia.

O desafio foi lançado em Portugal pela organização não governamental portuguesa de Cooperação e Desenvolvimento OIKOS, com o objectivo de angariar fundos para combater a fome em Angola.

O valor de uma «bica» dará, segundo a OIKOS, para alimentar quatro pessoas, cuja ração diária individual custa cerca de 12 cêntimos.

Uma ração consiste em 400 gramas de milho, 50 gramas de feijão, 30 gramas de óleo e cinco gramas de sal.

A OIKOS analisou hábitos de consumo comuns de uma pessoa em Portugal, como por exemplo um café, uma ida ao cinema e uma cerveja.

Se cada pessoa dispensar um destes gastos por dia ou num dia, doando o equivalente ao valor de cada um desses bens, poderá contribuir, «com um pequeno gesto», para alimentar mais uma pessoa em Angola, refere a organização.

A campanha, intitulada «Não vire as costas a Angola», visa conseguir fundos para financiar projectos de emergência em curso naquele país.

Manuel Quintino, representante da OIKOS em Angola, afirmou que «esta campanha, assim como qualquer iniciativa tomada a favor da população angolana, é importante porque vai aliviar o sofrimento das pessoas, nomeadamente de muitos dos quatro milhões que se encontram numa situação grave de fome ou isolamento».

A campanha terá como suportes principais a Televisão, a Rádio, Imprensa e um Site de Internet, desenvolvido para dar apoio à campanha.

O site www.angola.oikos.pt apresenta informação sobre a campanha, projectos da Oikos em Angola, simulador interactivo sobre o valor dos donativos e e-cards.

Neste site é possível fazer donativos com cartão electrónico e MBNet, sendo também dada informação sobre como fazer doações através de outros meios, como o Multibanco e através das contas bancárias criadas nos balcões da Caixa Geral de Depósitos e da NovaRede.

A actual situação humanitária em Angola é considerada pelas Nações Unidas como uma das mais graves no mundo.

Angola é um dos países com maior número de pessoas deslocadas das suas casas e terras, num número estimado pelas Nações Unidas em quatro milhões de pessoas.

Nos campos de deslocados e áreas de acolhimento, três milhões de pessoas dependem de ajuda humanitária para sobreviver.

Mais de 60 por cento da população vive abaixo do limiar da pobreza, a esperança de vida é de 42 anos e uma em cada três crianças morre antes de atingir os cinco anos de idade.

Segundo o Programa Alimentar Mundial (PAM), o stock de milho, componente principal das rações diárias de ajuda alimentar, terminará em Dezembro.

Por outro lado, a distribuição de sementes e ferramentas para a agricultura é essencial para que as populações possam tornar-se auto-suficientes depois da próxima colheita.

A OIKOS é uma das organizações que trabalha nos centros de acolhimento angolanos, fazendo a distribuição de alimentos e de outros bens essenciais, em parceria com o Governo de Angola.

Angola é, neste momento, um país onde é prioritário combater a fome, reconstruir infra-estruturas básicas, criar auto-suficiência a nível alimentar, reintegrar a população nas suas terras e criar empregos.

A OIKOS, que está em Angola desde 1989, apoia directamente cerca de 200.000 pessoas em projectos de ajuda humanitária nas províncias de Huambo, Kuanza Sul e Malange.

Esses projectos incluem a distribuição de alimentos a novos deslocados em áreas recentemente acessíveis, reassentamento de famílias deslocadas nas suas aldeias de origem, apoio a familiares de ex-militares, distribuição de factores de produção agrícola, materiais de construção e bens essenciais, parcelamento de terras para cultivo e apoio na comercialização de produtos agrícolas.

É uma Organização Não Governamental (ONG) portuguesa fundada em 1988 e que tem vindo a trabalhar em África (Angola, Guiné-Bissau, Moçambique e Madagáscar), América Latina (Argentina, Brasil, Bolívia, Chile, Cuba, Honduras, Nicarágua, Panamá, Peru e Uruguai) e na Ásia (Timor).

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