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  Cabo Verde
«Abordagem tradicional não explica toda história do país»
- 18-Nov-2003 - 14:28

O historiador Correia e Silva está convicto de que a realização de trabalhos arqueológicos em Cabo Verde virá preencher muitas lacunas e trazer "grandes surpresas", ao romper com ideias feitas e verdades estabelecidas.


O investigador cabo-verdiano, que fundamenta a sua tese apenas na intuição, afirma que os documentos escritos "são ricos, mas têm os seus limites, deixando de fora outras coisas".

"O salto qualitativo na historiografia cabo-verdiana há-de vir, concerteza, com esse casamento de disciplinas, métodos e técnicas, que nos vai, de certo modo, desenclausurar da metodologia das fontes tradicionais", sublinha, em entrevista à Agência Lusa.

E adianta que, sendo ele próprio um historiador pelos métodos tradicionais, a partir do documento, lhe surgem certas questões e inquietações para que não consegue obter respostas, nomeadamente em relação ao povoamento.

Para António Leão Correia e Silva, o cruzamento da investigação histórica tradicional, com a arqueologia, paleontologia e outras disciplinas poderia, nomeadamente, esclarecer se de facto ouve povoamento no arquipélago cabo-verdiano antes da chegada dos descobridores portugueses, em 1460.

Nesse sentido, como historiador, diz não poder aceitar "afirmações fantasiosas", como vem acontecendo em relação aos alegados escritos da Rotcha Scribida, na ilha de S. Nicolau, da Pedra da Letreiro, em Santo Antão, ou sobre os achados arqueológico do concheiro de Salamansa, em S. Vicente.

"Não me repugna nada que tenha havido alguma presença humana anterior, fortuita ou prolongada, em Cabo Verde, quer de africanos, quer de mediterrânicos, que foram dizimados pelos ciclos das secas, mas tenho reservas sobre afirmações fantasiosas", sustenta.

Na sua opinião, os documentos coevos à altura da descoberta não falam de sinais evidentes da presença humana. "E é curioso, porque o olhar do navegador que chega a Cabo Verde é mercantil".

"Diogo Gomes, António di Noli, Cadamosto, o que estão a buscar é a possível presença de um parceiro comercial, porque uma terra vazia não tinha grande interesse, mas eles de facto dizem que não há vestígios dessa presença", sublinha.

Para o historiador, nos textos da época há outros sinais que confirmam tais relatos. Cadamosto fala que os pombos eram mansos, não estavam habituados ao homem, e nem sequer fugiam.

Admite, contudo, que teria sido possível a passagem por Cabo Verde antes da chegada dos portugueses, em 1460, porque a própria navegação da costa africana propiciava essa eventualidade, ou a sua visualização.

"Mas, uma coisa é a passagem fortuita, ou casual, como diz Magalhães Godinho, e outra é a descoberta, o que implica depois a integração do novo espaço dentro de uma economia, e a sua exploração. Se alguém foi apanhado por um temporal e chegou a Cabo Verde, isso, do ponto de vista histórico, pode não ter grandes consequências", refere à Agência Lusa.

Correia e Silva, conselheiro cultural do Presidente da República, coloca, "mais no plano ideológico, do que no factual", a referência inserta em documentos de autores do século XVIII da existência de um rei jalofo na ilha de Santiago.

"Não é um testemunho coevo do século XV (aquando da chegada dos portugueses). É feito três séculos depois, e há razões sociais e até sociogénicas, que explicam a emergência desse mito. No século XVIII a elite portuguesa tem a ideia de que Cabo Verde se africanizou", afirma.

Quanto ao povoamento, António Leão Correia e Silva diz que existem grandes lacunas que impossibilitam entender de forma mais precisa como se processou.

Inicialmente há uma concentração de população nas ilhas de Santiago (a primeira a ser descoberta pelos portugueses) e Fogo, nos séculos XV e XVI, e a partir daí há "uma certa diasporização pelo arquipélago, sobretudo de escravos alforriados".

"Tendo liberdade formal, não encontram terra disponível para dar corpo a essa liberdade, e procuram-na noutras ilhas", especialmente nas ilhas com maior vocação agrícola, como as de Santo Antão e S. Nicolau, que até então eram "ilhas montado", para a produção de gado.

Essa "emigração silenciosa" - acrescenta - vai-se percepcionando através de pequenas informações nos documentos, que indicam a origem das pessoas que recebem terras por aforamento, e levam consigo rituais típicos de Santiago, com o da esteira (fúnebre) e do reinado (de cariz religioso e profano que vai de 6 de Janeiro às vésperas do Carnaval).

O próprio morgadio, que existia em Santiago e Fogo, provocava uma situação asfixiante, à medida que a sociedade escravocrata vai produzindo libertos, porque esse homem livre não tinha espaço de afirmação, refere.

Para além da fuga, os mecanismos tradicionais "provocavam uma produção quase contínua de homens livres", realça, frisando que "o senhor estava quase sempre obrigado a libertar escravos nas situações rituais, pelo casamento, pelo nascimento de um filho, na altura da morte, por testamento".

"Eu quero crer, e digo isso no meu próximo livro ("Combates pela História", a editar brevemente), que foram os foros que costuraram Cabo Verde por dentro, que se diasporizaram, e que levaram as mesmas formas de ser e sentir por todo o arquipélago", acentua.

Afirma que essa tese, "de monogénese", a defende já na História Geral de Cabo Verde, projecto em que participa, mesmo contra a ideia de outros, porque só assim se explica que não haja uma diversidade maior no arquipélago.

Para António Leão Correia e Silva, esta parte da história do arquipélago "só será esclarecida, e mesmo avaliada, com novos métodos" de abordagem histórica, para completar as lacunas existentes nos documentos.


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