As Notícias do Mundo Lusófono
 Notícias de Angola Notícias do Brasil Notícias de Cabo Verde Notícias da Guiné-Bissau Notícias de Moçambique Notícias de Portugal Notícias de São Tomé e Príncipe Notícias de Timor Leste
Ir para a página inicial de Noticias Lusofonas desde 1997 toda a lusofonia aqui
 Pesquisar
 
          em   
 Notícias

 » Angola
 » Brasil

 » Cabo Verde
 » Guiné-Bissau
 » Moçambique
 » Portugal
 » S. Tomé e Príncipe
 » Timor Leste
 » Comunidades
 » CPLP
 
Informação Empresarial
Anuncie no Notícias Lusófonas e divulgue a sua Empresa em toda a Comunidade Lusófona
 Canais


 » Manchete
 » Opinião
 » Entrevistas
 » Comunicados
 » Coluna do Leitor
 » Bocas Lusófonas
 » Lusófias
 » Alto Hama

 » Ser Europeu

Siga-nos no
Siga o Notícias Lusófonas no Twitter
Receba as nossas Notícias


Quer colocar as Notícias Lusófonas no seu site?
Click Aqui
Add to Google
 Serviços

 » Classificados
 » Meteorologia
 » Postais Virtuais
 » Correio

 » Índice de Negócios
 
Venha tomar um cafezinho connoscoConversas
no
Café Luso
 
  Cabo Verde
Inscrições rupestres alimentam fantasia do povo
- 18-Nov-2003 - 14:30

Em Cabo Verde, existem inscrições rupestres, nunca estudadas por especialistas, mas ao longo dos tempos têm estimulado o imaginário dos cidadãos, que procuram ver nelas uma origem anterior à chegada dos navegadores portugueses, em 1460.


Por Francisco Fontes
da Agência Lusa

Referenciadas em escritos de portugueses e estrangeiros no último século, a Rotcha Scribida na povoação de Ribeira de Prata, na ilha de S. Nicolau, e a Pedra do Letreiro, em Ribeira de Janela (ou Genela), na ilha de Santo Antão, têm suscitado até agora as mais ousadas especulações.

Se para o povo os possíveis caracteres da Rotcha Scribida são da autoria de piratas, para outros poderá ser uma marca da presença de jalofos africanos, ou meramente um fenómeno natural resultante da pressão de camadas rochosas.

Quanto à Pedra do Letreiro, no concelho do Paúl, Santo Antão, não há dúvidas de que as inscrições resultam de mão humana, sejam caracteres rúnicos (dos mais antigos povos germânicos e escandinavos), ou berberes, como alguém defendeu, sejam dos primeiros navegadores portugueses.

"Em qualquer dos casos, não passam de simples conjecturas sem fundamento real", opina o antropólogo João Lopes Filho, frisando que quanto a um anterior povoamento efectivo das ilhas cabo-verdianas não foram encontradas até agora indústrias líticas, nem quaisquer elementos ou utensílios que demonstrem terem sido habitadas antes dos portugueses.

Se em relação à Pedra do Letreiro, em Março último declarada como património protegido pelo Governo, é possível ainda fazer um estudo, porque os caracteres estão marcados na rocha, quanto à Rotcha Scribida o efeito da erosão praticamente fez desaparecer as incisões do que poderia ter sido uma escrita.

Ao escritor Baltazar Lopes da Silva, nascido em S. Nicolau, mas já falecido, muito se fica a dever o adensar da fantasia, mas também a tentativa de encontrar explicações para as inscrições rupestres.

No seu romance "Chiquinho", que teve a sua primeira edição em 1947 e foi um marco pioneiro do movimento da Claridade, o autor põe o protagonista a falar sobre a sua passagem por Ribeira de Prata, e diz: "não encontrei feiticeiras; mas ficou-me para sempre depositado no fundo da alma o respeito pelo mistério da Rocha-Escrevida, em que há letras inscritas pelos piratas, quando desembarcavam aos tiros na praia agreste, atraídos pelo verde dos canaviais".

É também Baltazar Lopes da Silva que, no léxico de "O Dialecto Crioulo de Cabo Verde", defende a tese de que a Ribeira da Prata é uma evolução fonética e semântica do original topónimo Ribeira dos Piratas.

Mas, o autor de "Chiquinho" também deu uma achega para o esclarecimento do mistério das inscrições da Pedra do Letreiro, embora baseando-se apenas numa fotografia que lhe remetera o seu amigo sociólogo Arnaldo França.

Baltazar Lopes da Silva, em carta remetida a Arnaldo França, e que este deu a conhecer num artigo editado em 1999 na revista "Ekos do Paúl", embora se assumindo como um "epigrafista menos que amador", opta pela tese de se tratar de uma inscrição de portugueses, eventualmente dos primeiros navegadores que aí aportaram.

Baseando-se nos conhecimentos que adquirira no curso de românicas concluído em Lisboa, o escritor identifica palavras portuguesas, "Diogo" e ao pé da cruz "Antº (António) a fez", e ainda uns caracteres "XPTO", que admite serem uma abreviatura de "Cristão".

O autor de "Chiquinho" admite a hipótese de poder ser uma inscrição tumular, em lembrança de alguém que aí tivesse ficado sepultado, uma tese que Arnaldo França põe de lado, por se situar em pleno leito da ribeira, e não ser local adequado para tal.

Por seu turno, o professor de liceu João Morais, num artigo publicado no jornal Notícias em 1988, recorda ter ouvido na sua infância, passada nos anos 20 no concelho do Paúl, populares a atribuírem as inscrições da Pedra do Letreiro "a coisas do encantado ou do demónio".

Admite que anos mais tarde chegou a pensar poder tratar-se de inscrições de berberes da África do Norte. Se tinham chegado às Canárias, porque não também um pouco mais a sul, na linha da tese perfilhada pelo naturalista austríaco Immanuel Friedlaender, que visitou Cabo Verde em 1912.

No entanto, pegando na tese de Baltazar Lopes da Silva, João Morais realça que o ancoradouro de Janela, onde se localiza a Pedra do Letreiro, é o mais seguro da costa nordeste de Santo Antão, e também a zona mais rica. E poderia então ser uma cruz como um padrão a assinalar o desembarque dos primeiros ocupantes da ilha.

Arnaldo França, em resultado das suas pesquisas, refere que Immanuel Friedlaender nunca visitou a Rotcha Scribida nem a Pedra do Letreiro, apenas as referenciou nos seus escritos em resultado dos relatos dos habitantes, mas ressalva que nas suas viagens pelo arquipélago cabo-verdiano em 1912 não encontrou quaisquer vestígios da idade da pedra, nem dos fenícios, gregos ou romanos.

É August Chevalier, professor do Museu de História Natural de Paris, que andou por Cabo Verde em 1934, que avança com a hipótese de as inscrições da Pedra do Letreiro serem caracteres rúnicos, embora não tenha aprofundado a tese.

Mais recentemente, o francês Pierre Sorgial, na obra "Les Iles du Cap Vert dÈHier et dÈAujourdÈhui", editada em 1995, baseando-se nas observações do engenheiro português Bacelar Bebiano, no início do século XX, diz que as supostas inscrições da Rotcha Scribida de S. Nicolau serão "um fenómeno natural resultante da pressão exercida por camadas de terra sobre as camadas de tufos subjacentes".

Também o professor de história do liceu de S. Nicolau José Manuel Ramos, e o delegado do Ministério da Educação na mesma ilha, António Rodrigues, em declarações à Agência Lusa, alinham na mesma tese de fenómeno natural. No entanto, Rodrigues recorda, da sua adolescência, ter observado o que pareciam ser caracteres de uma escrita desconhecida, um deles a assemelhar-se a um "A".

O historiador Correia e Silva e o sociólogo Arnaldo França não põem de lado a hipótese de ter havido presença de pessoas em Cabo Verde antes da chegada dos portugueses, em 1460, mas nada até agora pode afiançar essa tese. E afirmam que estas ideias fantasiosas caem sempre no gosto das pessoas.

Arnaldo França é de opinião de que isso se insere numa ideia de as ilhas cabo-verdianas terem feito parte da antiga Hespérides, da Atlântida, cantada por Camões nos Lusíadas, e continuada por poetas de Cabo Verde como José Lopes.

Na sua opinião, é uma forma de os intelectuais procurarem uma identidade própria, antes dos portugueses, pelo problema do colonialismo. E compara isso ao que disse Ÿscar Lopes da Monarquia Lusitana, que no tempo da dominação filipina defendia que os portugueses não eram do mesmo grupo dos espanhóis, mas da antiga Hespérides.


Marque este Artigo nos Marcadores Sociais Lusófonos




Ver Arquivo


 
   
 


 Ligações

 Jornais Comunidades
 
         
  Copyright © 2009 Notícias Lusófonas - A Lusofonia aqui em primeira mão | Sobre Nós | Anunciar | Contacte-nos

 edição Portugal em Linha - o portal da Comunidade Lusófona Web Design Portugal Algarve por NOVAimagem