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Sida entre mulheres estabiliza mas aumenta entre homens heterosexuais
- 25-Nov-2003 - 22:22
O crescimento da epidemia de sida entre as mulheres estabilizou-se no Brasil, mas avança entre os homens heterossexuais, indica um estudo do Ministério da Saúde brasileiro hoje divulgado.
O relatório mostra que, entre os homens, a relação heterossexual é agora a principal forma de transmissão, enquanto, por outro lado, têm diminuído os casos de contágio por uso de drogas injectáveis e relações homossexuais.
Enquanto em 2000 a incidência da doença entre os homens heterossexuais era de 60 por cento dos casos registados, actualmente a proporção é superior a 65 por cento.
Segundo o ministro brasileiro da Saúde, Humberto Costa, duas das razões deste aumento da taxa da epidemia entre os homens heterossexuais são a popularização dos medicamentos contra a impotência e o facto de muitos homens na faixa dos 40 aos 50 anos apresentarem grande resistência ao uso de preservativos.
"Este aumento é preocupante. Os medicamentos que corrigem a disfunção eréctil estão a permitir que pessoas com mais idade pratiquem sexo mais frequentemente. E há uma tendência para que estas pessoas não usem protecção", salientou o ministro.
Mais de 19 mil novos casos de infecção do vírus HIV foram registados no Brasil nos primeiros nove meses de 2003, dos quais 13.611 relativos a 2002 e 5.762 diagnosticados este ano.
Em Setembro, o Brasil acumulava um total de 277.141 casos de sida registados desde o início da epidemia no país, em 1980, dos quais 70 por cento (mais de 197 mil) são homens.
Os resultados do estudo mostram uma estabilização a partir de 2000 na taxa de crescimento da epidemia entre as mulheres, com uma média de oito mil casos por ano.
A proporção entre os sexos mantém-se desde 2000 em cerca de 1,8 casos em homens por cada 1,0 caso entre mulheres.
A epidemia mantém-se estável nas regiões Sudeste e Centro- Oeste com, respectivamente, 21 e 12 casos por cada 100 mil habitantes, enquanto no Norte, Nordeste e Sul do país ainda há uma tendência de crescimento, embora com taxas menores do que as registadas antes de 2000.
As taxas médias têm sido de 15,2 casos por cada 100 mil habitantes, sendo de 19,3 por 100 mil homens e 11 por 100 mil mulheres.
Segundo o ministro da Saúde, o relatório mostra, por outro lado, duas boas notícias: a virtual eliminação da transmissão da doença por transfusões de sangue e a redução em cerca de 30 por cento nos casos de transmissão de mãe para filho.

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