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  Cabo Verde
Nova ponte sobre o rio Mansoa abre ao tráfego sem inauguração oficial
- 2-Dec-2003 - 17:53

A nova ponte sobre o rio Mansoa, que liga o sul ao norte da Guiné-Bissau, abre sexta-feira ao tráfego sem inauguração oficial, pois a União Europeia (UE) ainda não reconheceu o novo governo guineense, afirmou hoje fonte governamental.


A fonte indicou que a decisão foi tomada pelo próprio presidente guineense pelo facto de a nova ponte, cuja construção começou em 1998, ter sido quase totalmente financiada pela UE.

No entanto, a fonte ressalvou que a ponte será aberta ao tráfego e que, a partir de sexta-feira, já será possível atravessar o rio Mansoa sem utilizar a tradicional "jangada" em João Landim, a 30 quilómetros a norte de Bissau.

A 14 de Setembro último, a Guiné-Bissau foi palco de mais um golpe de Estado, liderado pelo Comité Militar para a Restituição da Ordem Constitucional e Democrática, mas a UE ainda não reconheceu oficialmente o novo poder guineense, entregue já a civis.

Em causa está o artigo 96 do Acordo de Cotonou - que rege as relações de cooperação entre os Estados membros da UE e os países de África, Caraíbas e Pacífico (ACP) -, que prevê a suspensão imediata da assistência internacional em caso de golpes de Estado.

A UE, apesar dos esforços do governo português, ainda não reconheceu oficialmente as novas autoridades guineenses mas também não suspendeu a cooperação com Bissau, tendo mesmo reafirmado, sexta- feira última, o acordo de pescas que vigora entre as duas partes há mais de uma década e que garante importantes recursos financeiros ao país.

Segundo a fonte, a questão é "delicada", pois a UE receia que, ao reconhecer as autoridades de Bissau, saídas de um golpe de Estado, "possa abrir precedentes graves" noutros Estados em desenvolvimento e onde a situação político-militar é igualmente instável.

A ponte está integrada numa estrutura rodoviária bastante ambiciosa, pois trata-se de mais um troço da estrada pan-africana que vai ligar Lagos (Nigéria) a Nouakchott (Mauritânia), eixo importante para as trocas comerciais entre os países da África Ocidental.

A parte sul desta estrada pan-africana já está próxima da fronteira da Guiné-Conacri com a Guiné-Bissau, onde entrará junto a Gadamael.

Orçada em cerca de 55 milhões de euros e denominada "Amílcar Cabral", em homenagem ao "pai" da independência da Guiné-Bissau e de Cabo Verde, a ponte foi construída pela empresa espanhola "Necso - Intercanales".

A ponte tem uma extensão de cerca de 750 metros e contará com quatro faixas de rodagem. A sua construção esteve virtualmente parada devido ao conflito político-militar de 1998/99.

Mais tarde, e por erros de cálculo, as fundações tiveram de ser novamente calculadas, pois as estacas onde assentam os vãos da estrutura chegaram a ceder em várias ocasiões, dado o carácter lodoso do rio.

As estacas, que inicialmente se encontravam a 30 metros de profundidade, ficaram finalmente assentes depois de outros 35 metros de perfurações.

Com a abertura da ponte "Amílcar Cabral", a ligação rodoviária entre o sul e o norte da Guiné-Bissau fica mais facilitada, apesar de haver ainda a necessidade de construir idêntica infra-estrutura em São Vicente (sobre o rio Cacheu), onde ainda se utiliza a "jangada".

A nova ponte abreviará ainda em cerca de 100 quilómetros o percurso de ligação entre Bissau e São Domingos, no norte do país e junto à fronteira com o Senegal, cujo acesso ficará, também, mais facilitado.


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