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  Brasil
Metas da Declaração de Alma-Ata ainda por cumprir... 25 anos depois
- 8-Dec-2003 - 16:10

Vinte e cinco anos após a Declaração de Alma-Ata, a meta de "saúde para todos", definida por 134 países e 67 organismos internacionais, é ainda uma "utopia", segundo conclusões de uma conferência internacional realizada em Brasília.


Ministros e representantes de vários países, assim como o director-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS), o coreano Jong Wook-Lee, participaram ao longo do fim-de- semana na Conferência Internacional sobre Cuidados Primários de Saúde - 25 anos da Declaração de Alma-Ata.

A Declaração, celebrada em 1978 no Cazaquistão, traçava o objectivo de "saúde para todos" no ano de 2000, mas os avanços registados a nível mundial ficam muito aquém das expectativas, conforme admitiu o ministro da Saúde brasileiro.

"O Brasil foi um dos países que avançou em relação à meta de Alma-Ata, mas, de um modo geral, o avanço mundial poderia ter sido bem maior", afirmou Humberto Costa.

O ministro afirmou que o Sistema Único de Saúde (SUS) brasileiro é modelo numa série de acções, "principalmente na área da oferta de atendimento universal nos tratamentos de mais alta complexidade e programas específicos como o de combate à Sida".

Humberto Costa reconheceu, porém, que o SUS tem "sérios problemas" no que diz respeito à atenção básica, aos serviços de emergência e à qualidade de atendimento em saúde.

Para a ministra da Saúde de Angola, Albertina Júlia Hamukwya, "a maior ameaça à saúde é, acima de tudo, a pobreza".

Segundo Albertina Júlia Hamukwya, a escassez de alimentos, o baixo poder de compra, a diminuição dos orçamentos dos governos com a saúde, o HIV/Sida e os fracos sistemas de saúde estão a colocar em risco 14 milhões de pessoas na África Subsahariana.

"Para melhorar a saúde das populações, os governos devem adoptar políticas macro-económicas favoráveis aos pobres e expandir a escolaridade básica", defendeu a ministra durante a sua intervenção na conferência sobre os 25 anos de Alma-Ata.

Albertina Hamukwya disse também que, para se atingirem as metas da Declaração do Milénio, aprovada pelos 189 Estados-membros da Organização da Nações Unidas (ONU), em Setembro de 2000, "é necessário que haja paz e que os valores da solidariedade se sobreponham a todos os outros".


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