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  Cabo Verde
Historiador propõe instituto especializado para a Cidade Velha
- 9-Dec-2003 - 23:17

A Cidade Velha, a primeira urbe fundada pelos portugueses em Cabo Verde, em 1462, deveria estar sob a alçada de um instituto que promovesse de forma continuada o seu estudo, defendeu o historiador Correia e Silva.


Deve ser um instituto que tenha por missão "essa empresa grandiosa que é a recuperação da Cidade Velha, não apenas patrimonial, mas também de investigação histórica e de promoção", declarou historiador.

Para este investigador, é necessário encontrar um modelo "que esteja a salvo de uma certa instabilidade institucional, e não sujeito a mudanças periódicas de figurinos e de pessoas".

"Deveria haver - insistiu - um programa continuado, e não investimentos pontuais, quer nas pessoas, quer nas instituições, para evitar que, depois de dois ou três anos, tudo mude e, de certo modo, se volte à estaca zero, perdendo já o efeito de aceleração".

António Leão Correia e Silva, um dos mais reputados historiadores cabo-verdianos da actualidade, considera importante criar esse instituto especializado, mesmo que seja pequeno, para formar pessoas e que, com o tempo, rentabilize o investimento feito.

Um Instituto - expplicou - "que faça uma gestão integrada, com parcerias transversais, de várias instituições do país, do turismo, da promoção, da educação, fomentando aquilo que se poderá considerar uma comunidade de responsabilidades sobre a Cidade Velha".

Para Leão Correia e Silva, que exerce ainda o cargo de conselheiro cultural do presidente da República cabo-verdiano, Pedro Pires, se a nível interno se tem deparado com uma certa indefinição e instabilidade, "também do ponto de vista da cooperação a vontade não é continuada, não é persistente, e há uma certa dose de aleatoriedade".

"A Cidade Velha é um projecto multidisciplinar, multi- institucional e até multinacional. E esse instituto deveria ter a capacidade de congregar toda essa grande parceria e assentar isso numa plataforma firme de entendimento", preconizou.

Se a parceria entre Cabo Verde, Portugal e Espanha "é fundamental" para a recuperação patrimonial, deve submeter-se a "compromissos firmes, claros e com bases de continuidade", e deve também ser estendida a outros parceiros.

"Eu já lancei o desafio de uma parceria entre cidades- portos importantes no tráfico de escravos, com um programa de ajuda mútuo, e que envolvesse, nomeadamente, a Cidade Velha, Gorée (Senegal) Cacheu (Guiné-Bissau), Cartagena das Índias (Colômbia), e ainda cidades de Cuba e do Brasil", adiantou.

De certo modo - observou - seria reconstituir a rede das rotas de escravos, mas agora para trocas documentais, de informações, de experiências. "Seria uma parceria preciosa, entre cidades que têm problemas comuns, experiências similares, e que podem completar- se", destacou.

Para o historiador, que participou no projecto "História Geral de Cabo Verde", a rede não deverá limitar-se à questão do tráfico de escravos, porque "há também outros tráficos", o das plantas, por exemplo, ou o das culturas.

"A própria Cidade Velha - lembrou - mostra que era uma cidade-jardim, cosmopolita pela diversidade de plantas, de pomares, de hortas. Muitas vezes as sementes eram levadas daí para outros locais, funcionando como uma espécie de estação experimental".

António Leão Correia e Silva vai mais longe ao afirmar que uma das razões que levaram Colombo a Cabo Verde foi observar a experiência bem sucedida dos portugueses nos trópicos, no sentido de dominar plantas, técnicas de sobrevivência nos trópicos.

"A colonização da América faz-se um pouco com a experiência já adquirida em Cabo Verde, de conviver com uma ecologia tropical, porque a tropicalidade era algo de estranho para os europeus", realçou.

Também do ponto de vista antropológico, a urbe fundada pelos portugueses em 1462 é igualmente importante, porque "a escravatura não deixa de provocar o encontro de povos".

Na opinião do historiador, "a Cidade Velha talvez seja das primeiras sociedades escravocratas, no sentido profundo do termo, a primeira a integrar africanos e europeus dentro de uma mesma sociedade, vivendo continuamente em trocas culturais, numa adaptação recíproca".

Toda essa riqueza cultural e esse pioneirismo deveriam, em seu entender, ser explorados e "ser uma bandeira para Cabo Verde".

Ainda segundo Correia e Silva, a Cidade Velha representa para os cabo-verdianos o desafio de conhecerem a sua própria história, o reencontro de Cabo Verde consigo mesmo.

"Mas isso - faz questão de sublinhar - não se faz apenas com declarações de princípios, com meras intenções, é preciso ter um conjunto de recursos, e, sobretudo, um programa integrado, faseado, de longa duração, para que Cabo Verde vá desocultando a sua história pela janela da Cidade Velha".

Embora reconhecendo que poderia ter-se feito mais, o historiador entende que "não se pode ser injusto ao ponto de dizer que não foi feito nada até agora, porque houve progressos".

"A Cidade Velha não é um projecto simples, mas tem futuro, e precisa de investimentos", frisou, admitindo que para se alcançar esse objectivo são muitas as dificuldades a vencer, pelo facto de Cabo Verde ser um país pobre.

Nos últimos anos, em parceria com Cabo Verde, Portugal e Espanha têm ajudado à reabilitação do património da Cidade Velha.

Da parte portuguesa, está actualmente em curso um projecto de consolidação das ruínas da Sé Catedral, considerado o monumento mais emblemático da urbe, antigamente denominada de Ribeira Grande. A sua construção demorou um século, tendo ficado concluída em 1700.

Também o arquitecto português Álvaro Siza Vieira tem a seu cargo a elaboração do plano geral de intervenção para a Cidade Velha. Os responsáveis cabo-verdianos pretendem, um dia, vê-la classificada como património da humanidade pela agência das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO).


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