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  Cabo Verde
Bia de Bebeto, uma mestre da medicina popular
- 14-Jan-2004 - 14:33

A sabedoria herdada da avó e da mãe, além da curiosidade que sempre cultivou, tornaram Bia de Bebeto uma "médica" reconhecida na ilha do Fogo, em Cabo Verde, quase diariamente procurada para aliviar o sofrimento dos doentes.


Por Francisco Fontes
da Agência Lusa

A sua arte não se resume ao domínio das técnicas no fabrico e aplicação dos remédios extraídos das plantas que crescem na ilha, mas também à crença forte que incute aos enfermos através de rezas feitas numa mistura de crioulo, português e uma espécie de latim.

Nascida há 78 anos na localidade de S. Jorge, lançou-se na actividade há 40 anos, quando a mãe faleceu. Hoje, a sua modesta casa na aldeia de Cutelo Capado, esquecida no interior da ilha do Fogo, serve de "consultório" e de "enfermaria" para quem precisa de cuidados especiais de saúde.

Do cardápio de curas que ministra destacam-se as doenças de pele, mas também trata infecções, os problemas do aparelho digestivo e respiratório e até diz ter "operado" recentemente as varizes de um missionário capuchinho italiano que esteve envolvido na criação de uma unidade hospitalar na sua ilha, na cidade de S. Filipe.

Entre o povo, dizem que Bia de Bebeto, baptizada com o nome de Maria Andrade Tavares, até já conseguiu curar pessoas desenganadas pelos serviços de medicina convencional.

Isso mesmo é realçado numa publicação da Câmara Municipal de S. Filipe, "Identidades e Curiosidades", ao afirmar que das "suas mãos "milagrosas" já restituiu vida a muita gente, algumas incapazes de sobreviver pelos serviços legais de medicina".

Também o antigo vereador da cultura da Câmara de S. Filipe, actualmente na autarquia com o pelouro do património, confirma o reconhecimento da comunidade pelo saber da curandeira.

"É uma pessoa muito respeitada na ilha. As pessoas acreditam no tratamento que faz (...), um trabalho que todos reconhecem ser de grande qualidade. Tem experiência da vida, aprendeu com outras pessoas e conhece muito bem as plantas que utiliza", afirma Luís Pires.

Aos 16 anos Bia de Bebeto substituiu a sua mãe nos trabalhos de limpeza na "botica" de S. Filipe e, mais tarde, transitou para o hospital. Aí foi observando os curativos ministrados aos pacientes. A sua curiosidade e os conhecimentos herdados fizeram o resto.

A mãe e a avó, tal como ela, eram também parteiras e curandeiras. A inexistência de cuidados de saúde acessíveis ao povo nesta antiga colónia portuguesa desafiavam o engenho e a sabedoria popular na luta pela sobrevivência.

Na sua modesta casa em Cutelo Capado, a uma dezena de quilómetros da cidade de S. Filipe, Bia de Bebeto desvendou à Agência Lusa um pouco da sua sabedoria e das técnicas que utiliza para curar as maleitas do seu povo.

Diz que cura todo o tipo de doenças da pele e tecidos, nomeadamente a tinha ("impincha"), o panarício ("panarico"), abcesso ("malita"), eczema (crisema), furúnculo ("frunco"), mas também outras maleitas do organismo como a icterícia ("enterice"), lombrigas e a asma.

A asma é tratada com um "medicamento" confeccionado a partir de agrião picado cozido em água, a que adiciona açúcar e um medicamento em cápsulas que manda comprar na Cidade da Praia (capital do país).

Para o furúnculo utiliza erva do tabaco cortado em pedacinhos, com clara de ovo, que depois aplica com uma pena de galinha sobre a zona infectada, depois de vazado o pus.

A icterícia é com nove claras de ovo batidas em castelo, um quarto de grogue, um quarto de açúcar e duas cápsulas.

Se o doente está com lombrigas, então o medicamento é preparado com raiz de romãzeira picada e cozida em três litros de água. Quando fica a três quartos mistura-se arruda picada, duas cápsulas e um quarto de açúcar.

O eczema trata-se com uma pomada que contém limão, sal, "contra" (substância amarelada extraída da cratera do vulcão), cápsulas, tintura de iodo e vaselina.

Em função das doenças assim prepara os "seus" medicamentos. E chega a utilizar também pólvora, banha de porco, erva-doce, casca de purgueira velha, flor da planta do tabaco, alecrim, sambucho, casca de laranja seca, "palha santa" ou fadegosa.

Todos os tratamentos são acompanhados de rezas, que, por vezes fazem lembrar um ritual de exorcização do mal, como o exemplo que se segue: "Pelo sinal de Santa Cruz, livre-nos dos nossos inimigos, credo in cruz, figa canhota, prega mar..., abrenúncio, em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo".

Se a debilidade do paciente o aconselha, se este não tem quem o trate, ou se o tratamento tem de ser feito com uma determinada sequência, Bia de Bebeto interna-o por uns dias em sua casa.

A utilização dos "remédios di terra" é uma prática enraizada na população de Cabo Verde, especialmente na rural. Mas também o é a auto-medicação. E, nas ruas da capital do país, é frequente os vendedores ambulantes oferecerem saquinhos de ervas e medicamentos a retalho, indiferentes à oposição das autoridades.

Para o biólogo Samuel Gomes, torna-se necessário proceder a uma validação científica dos "remédios di terra". Por um lado, para confirmar as suas propriedades curativas e, por outro, para evitar falsas presunções e a delapidação de um ecossistema frágil.

O Instituto Nacional de Investigação e Desenvolvimento Agrário (INIDA) já inventariou mais de três centenas de plantas utilizadas na medicina tradicional, mas o projecto de estudo fito-químico delineado com o Instituto de Investigação Científica Tropical de Lisboa espera há alguns anos um pequeno montante financeiro para avançar.


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