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  Brasil
Banco brasileiro propõe linha crédito para pescas em Angola
- 6-Feb-2004 - 17:16

O Banco Nacional de Desenvolvimento Económico e Social propôs ao governo angolano uma linha de crédito de 50 milhões de dólares (39,8 milhões de euros) para desenvolver a pesca, disse hoje o ministro brasileiro do sector.


José Fritsch revelou que a proposta foi apresentada durante a sua recente visita a Angola, de 25 a 31 de Janeiro, e estão a ser negociados agora os prazos e taxas de juros, podendo o acordo vir a ser concretizado até ao final deste ano.

Os dois governos estão igualmente a estudar a ampliação da linha de crédito concedida pelo governo brasileiro a Angola em troca de petróleo, mas ainda não há valores definidos.

O ministro revelou que dos 20 mil barris de petróleo/dia fornecidos por Angola, 45 por cento são convertidos em crédito para o país e o restante vai para o pagamento da dívida angolana ao Brasil.

José Fristch disse ainda que há um grande interesse dos empresários brasileiros do sector de pesca em investir em Angola.

"Com a concessão de linhas de crédito, vários negócios serão fechados na área da pesca e da aquicultura entre angolanos, brasileiros e portugueses", disse o membro do governo brasileiro.

Na sua viagem a Angola em Janeiro, o ministro foi acompanhado por representantes de oito empresas brasileiras, entre elas a Norte Pesca, Fischtc e os estaleiros Flypper e TWB.

O ministro das Pescas disse ainda ter ficado admirado com o potencial pesqueiro de Angola.

"Num barco artesanal os pescadores chegam a pescar numa noite dois mil quilos de peixe. É impressionante. Mas a maioria das embarcações é ainda a remo", afirmou.

José Fritsch considerou igualmente que o dinheiro do Banco Nacional de Desenvolvimento Económico e Social (BNDES) poderá ser usado para financiar a construção de barcos de pesca para Angola que, apesar da enorme quantidade de peixes em suas águas, não tem infra- estrutura pesqueira, não industrializa e nem exporta seus produtos.

Outro país de língua portuguesa que já manifestou o interesse em aproximar-se do sector brasileiro da pesca foi São Tomé e Príncipe, e o ministro espera estreitar em breve os contactos com o governo daquele país africano de língua portuguesa.

No ano passado, o Brasil exportou 411,7 milhões de dólares (328 milhões de euros) de peixes, crustáceos, moluscos e outros invertebrados aquáticos e teve um saldo positivo de 222 milhões de dólares (177 milhões de euros) no sector.

Os principais compradores desses produtos brasileiros são China, Japão, Coreia, Europa e Estados Unidos.

O Brasil prepara agora uma ofensiva comercial para divulgar no exterior os peixes da Amazónia (tambaqui, pirarucu, tucunaré) e do Pantanal Matogrossense (surubim, pintado, matrinxã, pacu).

Em Março e Abril, o Brasil promoverá exposições de seus peixes naturais de água doce na Inglaterra, França e Alemanha.

Os produtos serão testados por laboratórios europeus e haverá degustação de peixes.

As datas são consideradas oportunas para o ministro José Fritsch, que espera aumentar a exportação de peixes brasileiros, num momento de incidência do "mal da vaca louca" e da "gripe do frango" em várias partes do mundo.


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