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  Cabo Verde
Deportados dos EUA, um problema social a crescer
- 20-Feb-2004 - 16:03

Cabo Verde debate- se, especialmente desde os atentados de 11 de Setembro de 2001, com um problema social crescente em cuja origem estão os cidadãos deportados dos Estados Unidos da América.


Por Ricardo Bordalo
da Agência Lusa

A maior parte dos cabo-verdianos que se viram forçados a regressar ao arquipélago - cerca de 600 actualmente - têm no "registo" actos de pequena criminalidade.

De acordo com Álvaro Apolo, presidente do Instituto das Comunidades(IC), organização governamental que lida com as acções de reintegração social destas pessoas, há um grupo significativo de indivíduos ligados à "criminalidade requintada" que merecem especial atenção.

No primeiro grupo, ligado à pequena criminalidade e falta de documentação, o problema mais grave que se coloca, em tudo semelhante ao que existe em Portugal, com maior incidência nos Açores, é o da difícil sociabilização no novo meio.

Álvaro Apolo lembra que são pessoas que deixaram Cabo Verde com tenra idade ou já nasceram fora do país e fizeram a sua socialização numa cultura totalmente distinta, "pesadamente urbana".

Agora, com idades entre os 20 e os 30 anos, são colocados num meio que "quase na íntegra não reconhecem, sem raízes" "para grande parte" deles e nem a língua, crioulo ou português, falam.

Alguns casos de criminalidade pesada aconteceram já em Cabo Verde ligados a pessoas deportadas dos Estados Unidos, dando azo a uma forte estigmatização social "que é preciso combater e está a ser combatida", lembra Álvaro Apolo.

Para isso, o IC criou Gabinetes de Apoio Personalizados(GAP) que já estão a funcionar em Mosteiros (ilha do Fogo) e na ilha da Brava, as duas ilhas com maior concentração de indivíduos repatriados dos Estados Unidos, embora esse número seja igualmente significativo na Praia (ilha de Santiago e capital do país).

Desde a década de 80 que Cabo Verde se debate com a questão da deportação, mas, até à década de 90, os deportados eram essencialmente oriundos da Europa, Portugal e França e com processos só lateralmente relacionados com a grande criminalidade. Na sua maioria, tinham a ver com falta de documentação.

Todavia, a situação alterou-se de forma significativa há cinco anos e com especial enfoque desde o 11 de Setembro de 2001, com os atentados contra as Torres Gémeas do World Trade Center de Nova Iorque, quando os Estados Unidos aumentaram os processos de deportação, atingindo a comunidade cabo-verdiana que se concentra, em grande parte, na área de Boston.

O Instituto das Comunidades de Cabo Verde está a desenvolver esforços junto das autoridades norte-americanas no sentido de ser feito um acompanhamento das pessoas que aguardam a deportação nas cadeias, para que, advoga Álvaro Apolo, lhes seja feita a "apresentação" do seu país e "diminua o choque cultural e o trauma associado a esse desconhecimento".

"São pessoas que vêem, subitamente, quebrados laços familiares, a perda de contacto com filhos, pais, mulheres, com as consequências naturalmente traumáticas que se conhecem. E, ainda por cima, retirados de um contexto social para outro que já nada lhes diz", explicou.

O presidente do IC chama a atenção para a ausência de sensibilidade para este esforço por parte das autoridades norte-americanas, que assumem tratar-se de "um problema exclusivamente cabo-verdiano".

Se este problema incide actualmente sobre pessoas oriundas dos Estados Unidos, dentro de poucos anos, "com a nova legislação europeia, mais restrita, o mesmo vai suceder com cabo-verdianos que estão detidos em Portugal ou na França", alerta o presidente do Instituto das Comunidades.

Só em Portugal, segundo números disponíveis no IC, há mais de 800 cabo-verdianos presos, essencialmente por crimes ligados ao tráfico de droga, que podem acabar igualmente deportados para Cabo Verde e enfrentar os mesmos problemas que afectam já as pessoas oriundas dos Estados Unidos.

O impacto destas deportações, cerca de 600, num meio pequeno como Cabo Verde - com cerca de 400 mil habitantes divididos por nove ilhas - é grande, pelo facto de os deportados se concentrarem em pequenos núcleos populacionais como é o caso das ilhas do Fogo e Brava e também na cidade da Praia.

O controlo é essencialmente feito através dos mecanismos de reintegração criados pelo Instituto das Comunidades, mas, como apurou a Lusa, as forças policiais têm esquemas montados de dissuasão da criminalidade junto desta comunidade específica.

Fonte policial indicou que existe um controlo "efectivo" de todos os indivíduos que chegaram ao país com crimes mais significativos no âmbito do tráfico de droga, furto ou mesmo homicídio praticados nos países de acolhimento.

Há, no entanto, recorda Apolo, "casos de integração com elevado sucesso", nomeadamente de pessoas que estão hoje a ensinar inglês junto das suas "novas" comunidades, a trabalhar na agricultura ou em profissões aprendidas já depois do regresso.


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