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Freira lamenta silêncio da igreja sobre suposto tráfico de órgãos
- 24-Feb-2004 - 17:53
A freira brasileira Maria Elilda, que denunciou o alegado tráfico de órgãos humanos na província moçambicana de Nampula, lamentou hoje o "silêncio grave" da igreja em relação aos supostos crimes, criticando ainda a ONU e a Amnistia Internacional.
"Há um silêncio bastante grave e profundo por parte de todos, incluindo a igreja e outras organizações cívicas", sublinhou a religiosa brasileira, em declarações à Lusa, um dia após o procurador- geral da República de Moçambique, Joaquim Madeira, ter negado, com base num relatório pericial, a existência de extracção de órgãos humanos para tráfico.
Sobre as razões que estão por detrás do pretenso silêncio da igreja, Maria Elilda, 45 anos, referiu a acção de "poderosas forças" que, disse, comandam os alegados casos de tráfico.
"Não são pessoas pobres que se envolvem no tráfico de órgãos humanos, os pobres são apenas vítimas", afirmou Elilda.
A freira brasileira repudiou igualmente a falta de reacção das Nações Unidas e da Amnistia Internacional, a quem disse ter enviado cartas em finais de 2003, denunciando a ocorrência de inúmeros casos de assassínios que relacionou com o tráfico de órgãos humanos.
Maria Elilda acrescentou que a sua "coragem em denunciar" os supostos crimes teve como consequência que a sua situação em Moçambique não esteja boa, dizendo haver muitas pessoas que a querem ver "pelas costas e fora do país".
"No âmbito dos projectos sociais em que estou envolvida, este é o meu último ano em Moçambique, estou de malas aviadas e sei que isso satisfaz muitos que me querem ver pelas costas", sublinhou a religiosa, há nove anos no país.
Elilda disse ainda estar em curso uma campanha de difamação contra si, indicando que estaria a sofrer distúrbios mentais e de que terá sido expulsa do Brasil.
"Lançam toda a sorte de infâmias para me desacreditarem e abafar o drama", acusou a freira.

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