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Feios, porcos e maus.
- 2-Dec-2002 - 18:43

É assim que nós, portugueses, vamos ficar para a História se não for convenientemente investigado e esclarecido o caso de pedofilia que envolve a Casa Pia de Lisboa e exemplarmente punidos todos os que nele participaram e também aqueles que, por negligência ou omissão, permitiram a continuação de tais práticas durante mais de duas décadas.

O que aqui está em causa não se pode compadecer com os proverbiais brandos costumes portugueses nem com o velho hábito de deixar tudo nas meias tintas. O que aqui está em causa são crimes praticados contra crianças indefesas - antes de mais por serem crianças e depois por serem crianças provenientes de lares pobres ou pura e simplesmente de lares nenhuns - que tinham como único suporte instituições para as acolher, educar e preparar para o futuro.

São crimes hediondos praticados por adultos que, acoitados na impunidade do poder e na conivência dos silêncios comprados, praticaram sevícias que mutilaram física e psíquicamente centenas de crianças e as marcaram para o resto das suas vidas. Aquelas que não se mataram. De nojo. De medo. De desespero.

Tal como aconteceu em casos recentes, os políticos (alguns ex-jornalistas) vêm imediatamente à liça dizer que a comunicação social está a exorbitar, quer tentando denegrir uma instituição que é exemplar, quer mostrando em horário nobre notícias e imagens chocantes.

Pois que choquem! Há ocasiões em que é necessário mostrar, mesmo que seja preciso chocar. É que a comunicação social também deve ter uma vertente pedagógica. A comunicação social tem que mostrar para que as pessoas possam exercer o seu direito à indignação e possam ter dados suficientes para exigir aos políticos em quem depositaram a sua confiança na hora das eleições que casos destes não se voltem a repetir.

Quanto à questão de considerar exemplar uma instituição que recebeu para educar e formar um menino de quatro anos que se veio a tornar num violador e angariador de crianças para práticas pedófilas, que punia os alunos que tentaram denunciar essas práticas ou cujos dirigentes participaram na selecção e até na recepção dos "senhores estrangeiros" que vinham a Portugal numa espécie de turismo sexual, ficam-nos algumas dúvidas.

Assustam-se - e com razão - os milhões de portugueses anónimos que temem que a amnésia que atacou instituições e governos durante décadas seja prenúncio de doença mais grave.
Assustam-se - e com razão - todos aqueles que já ouvem aqui e ali dizer-se que "isto não vai dar em nada" ou que se apercebem aqui ou ali que aquilo que foi dito ontem já não é bem assim hoje.
Assustam-se - e com razão - todos aqueles que temem que frases como "até às últimas consequências" ou "doa a quem doer" não passe de mero discurso político.

Neste momento Portugal pode escolher entre duas formas de vir a figurar nas páginas da História: Ou a barbárie ou a civilização. A decisão está nas mãos dos políticos que os portugueses escolheram para gerir os seus destinos.


António J. Ribeiro

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