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ONU boicota em Timor
o ensino do português

- 3-Dec-2002 - 10:22

A ONU tem demonstrado «má vontade» quanto ao uso da língua portuguesa em Timor-Leste, mostrando-se «pouco favorável» à presença de Portugal e à vinda de técnicos portugueses para o país, afirma, com todas as palavras e em português, João Mota de Campos, secretário de Estado adjunto da Ministra da Justiça de Portugal. Entretanto, no meio de um perigoso turbilhão político, José Luís Arnaut chegou a Díli para dizer, em português, que é urgente «passar da fase das boas intenções às acções». Parafraseando o ministro português, «já chega de protocolos e comissões, vamos todos ao trabalho», goste ou não o senhor Kofi Annan, queira ou não a ONU.

A ONU continua a pensar que é dona do Mundo e que, por isso, pode pôr os interesses dos seus patrões, nomeadamente os do tio Sam, acima de tudo o resto. E, diga-se, tem-no feito perante a passividade de muita gente com responsabilidades, sobretudo nos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa.

E em Timor-Leste está a fazer a mesma coisa. O senhor Kofi Annan entende que os timorenses devem falar inglês e, mesmo à revelia da Constituição do país, teima em esquecer que o português é falado por mais de 220 milhões de pessoas.

A ONU tem demonstrado «má vontade» quanto ao uso da língua portuguesa em Timor-Leste, mostrando-se «pouco favorável» à presença de Portugal e à vinda de técnicos portugueses para o país, afirmou João Mota de Campos.

«Temos que fazer escolhas permanentes de pessoas para mandar para cá e obrigar essas pessoas a passar por um filtro das Nações Unidas que não tem mostrado ser muito favorável à presença portuguesa em Timor-Leste, à revelia das escolhas feitas pelos próprios timorense», afirmou o secretário de Estado adjunto da Ministra da Justiça de Portugal, que também está em Díli.

NÃO BASTA TER IDEIAS, É PRECISO PÔ-LAS EM PRÁTICA

O político português, com uma rara frontalidade que, contudo, deve ser passada à prática para que a ONU entenda de uma vez por todas que não é (ainda, pelo menos) dona do Mundo, disse mesmo que «há alguma má vontade em relação à língua portuguesa».

Mota de Campos pensa que a posição das Nações Unidas claramente «dificulta» as tentativas de vários profissionais portugueses que já se mostraram disponíveis para vir para Timor-Leste. Dando um exemplo, disse que Portugal «tem enviado para o país os currículos de vários juizes e procuradores para darem colaboração na área da justiça e tem encontrado alguns problemas, alguns até desagradáveis, porque os juizes vêm a falar português, não inglês».

Numa tentativa de ultrapassar as dificuldades colocadas pela ONU, Portugal continuará a usar o canal bilateral, financiando directamente a colocação em Timor-Leste de magistrados e juristas portugueses para apoio ao sector timorense. Mas não pode ser assim. Portugal, mas sobretudo a Comunidade de Países de Língua Portuguesa, têm de dizer às Nações Unidas que não tem mandato, nem legitimidade de espécie alguma, para impor uma língua diferente.

Diversos documentos confirmam que a missão da ONU em Timor-Leste (UNMISET) defende que nos próximos três anos a formação e o apoio internacional aos magistrados e juristas timorenses sejam dados em indonésio e inglês, e não em português.

Para a UNMISET, a formação em língua portuguesa deveria ser apenas um objectivo a «médio e longo prazo», devendo «decorrer paralela mas separadamente do fornecimento de formação jurídica numa língua de trabalho».

Ou seja: a ONU quer pôr os timorenses a falar inglês e indonésio para depois de lhes perguntar se querem aprender português. Por outras palavras, a ONU quer – tal como fizeram os indonésios durante as décadas de ocupação selvagem - acabar com a nossa língua e, dessa forma, anular a influência de Portugal no país.

É claro, importa dizê-lo, que Lisboa tem também muitas responsabilidades neste estado de coisas pois, como acontece com outros países da Lusofonia, continua a dormir na forma, relegando para fora de jogo todos aqueles que, de facto e com seriedade, apoiam a língua portuguesa nos quatro cantos do Mundo.

Por sua vez, na primeira visita de um ministro português a Timor-Leste desde a independência, em Maio, José Luís Arnaut sublinhou ser intenção do Governo de Lisboa uma cooperação mais activa e mais directa e o reforço dos laços com o novo país.

Lá está Portugal a confundir as coisas. É que, como se diz em português, de boas intenções está o inferno cheio. O Governo português não pode ter a intenção de, tem de fazer. Tem de privilegiar a competência e não a subserviência. Tem de distinguir entre os que erram porque trabalham e os que não erram porque só dizem que trabalham.

DEFENDER A LUSOFONIA DEVE SER UM DESÍGNIO DE TODOS NÓS

Recorde-se, como aqui escreveu o nosso Director, que após a independência do Brasil e das ex-colónias portuguesas em África e, mais recentemente, de Timor-Leste passaram a ser oito os países de língua oficial portuguesa, num total de cerca de 220 milhões de habitantes, correspondendo a 3,6 por cento da população mundial.

Segundo o Secretário Executivo da CPLP, embaixador João Augusto de Médicis estes cerca de 220 milhões de falantes da língua de Camões estão muito mal tratados e, «corremos o risco de desaparecer ou ficar muito diminuídos» se não forem tomadas medidas na defesa da Lusofonia. Estamos plenamente de acordo.

Se é verdade que a lusofonia existe só por si - basta que exista um conjunto de países e de pessoas que se exprimem em português - não é menos verdade que, se não forem tomadas uma série de medidas concertadas com o objectivo de manter e incrementar o ensino e a divulgação da língua corremos o sério risco de ver a percentagem de luso-falantes diminuir apesar do crescimento da população. Basta pensar no investimento que outros países realizam em bibliotecas e educação directa em países como a Guiné-Bissau, Cabo Verde ou Moçambique onde o português perdeu terreno para o francês ou italiano. Basta pensar que, por exemplo, na Guiné-Bissau altos funcionários da administração falam mal o português e se exprimem naturalmente nas línguas nativas. Basta pensar, enfim, nos milhares de luso-descendentes de segunda e terceira geração que não aprendem e pura e simplesmente não falam o português.

A acrescentar a isto deveríamos também meditar sobre outro facto não menos interessante: Existem muitos países que embora não sendo lusófonos, tiveram forte influência portuguesa e onde ainda existe alguma população luso-descendente que, apesar de uma total ausência de apoios ou incentivos, continua tentando preservar as suas raízes e (pasme-se!) tem mesmo orgulho das mesmas. Basta lembrarmo-nos apenas de comunidades existentes em alguns países como a Malásia, o Japão, a Índia, ou a China onde existem pessoas que tentam orgulhosamente preservar algumas palavras, um monumento ou até uma receita culinária de origem portuguesa e onde, como é o caso de Goa, estão a realizar um esforço para que o português volte a ser ensinado nas escolas.

E o que queremos dizer com isto? Queremos dizer que os tais 220 milhões que correm o sério risco de diminuir poderiam ser muitos mais e aumentar todos os anos. O português poderia ser uma língua com muito maior expressão a nível mundial se os governos, começando pelo português, naturalmente, investissem mais em acções de educação e cooperação que fomentassem o ensino e divulgação da língua e de um imenso património cultural comum.

O investimento no incremento de acções de intercâmbio, envio de literatura, constituição de bibliotecas, apoio ao ensino do português noutros países ou apoio a iniciativas particulares que, a diversos níveis, têm provado que a aproximação entre os luso-falantes se pode fazer com sucesso fora das reuniões ministeriais não é, por certo, tão mediático como uma exposição mundial ou um campeonato europeu de futebol mas deixaria, com certeza, uma impressão muito mais duradoura e contribuiria certamente para que esses 220 milhões fossem cada vez mais e se orgulhassem das suas raízes comuns.


JORGE CASTRO


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