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  Brasil
Procurador de Nampula admite falta de meios de investigação
- 8-Mar-2004 - 14:39

O chefe dos procuradores provinciais de Nampula, Moçambique, admitiu hoje uma "notória falta de meios" do seu serviço mas considerou que as investigações sobre o alegado tráfico de órgãos humanos "terão êxito".


O responsável pela Procuradoria provincial, Daniel Magula, disse que a escassez de meios afecta, sobretudo, a capacidade de deslocação do seu serviço, que integra mais dois procuradores.

"Eu próprio já tive de ir à boleia até Angucho", uma cidade que dista cerca de 200 quilómetros de Nampula, disse Daniel Magula, que conduz as investigações do caso dos alegados raptos de crianças e adultos para morte e extracção dos respectivos órgãos humanos.

As investigações judiciais e policiais às denúncias levantadas por missionárias católicas, e que apontavam como suspeitos um casal de fazendeiros brancos oriundo do Zimbabué, têm sido alvo de fortes críticas.

A própria Procuradoria-Geral da República (PGR) de Moçambique, na apresentação das conclusões de uma investigação que desencadeou em Nampula, acusou a polícia local de displicência e falta de rigor no tratamento dos casos suspeitos.

"Alguns agentes da Polícia de Investigação Criminal não têm formação adequada e a própria força luta com falta de meios, mas na Procuradoria a situação é pior", reconheceu Magula.

Afirmando que o seu gabinete "trabalha numa base de amor à camisola", o procurador-chefe provincial mostrou-se, no entanto, convencido que as suspeitas que sobressaltam a província de Nampula serão esclarecidas "com êxito".

O responsável pela PGR em Nampula acrescentou duvidar de informações que dão conta de 50 crianças desaparecidas, afirmando que o número é bastante inferior.

Este número tem sido avançado pela missionária brasileira Elilda Santos e é sustentado numa alegada lista de crianças desaparecidas difundida por duas estações de rádio locais, que ainda não a facilitaram à polícia nem responderam aos pedidos de consulta por parte de jornalistas.

"É bom perguntar a quem deu este número (50 crianças desaparecidas), que diga quais são os casos, os nomes e quem são os respectivos pais", contrapôs Daniel Magula.

"As investigações estão a prosseguir de forma adiantada", concluiu o procurador-chefe de Nampula.


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