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  Brasil
Freira que denunciou tráfico órgãos em Nampula acusada de falta de credibilidade
- 12-Mar-2004 - 17:48

A freira brasileira Elilda dos Santos, que tem denunciado alegados casos de raptos de menores na província de Nampula, é hoje acusada pelo jornal moçambicano Savana de não ter credibilidade, uma crítica repetida por religiosos católicos.


Maria Elilda dos Santos, 45 anos, uma missionária leiga brasileira, chegou a Nampula em 1995 para dirigir um projecto financiado pela Arquidiocese de S. Paulo, no Brasil, tendo desde então alternado a sua permanência em Moçambique com deslocações ao Brasil.

Chegada pela última vez a Nampula em Julho de 2003, Elilda dos Santos iniciou uma campanha de denúncias de alegados raptos de menores e adultos para morte e extracção dos respectivos órgãos humanos, visando um casal de fazendeiros brancos oriundo do Zimbabué e fazendo centrar as atenções da imprensa internacional naquela província do norte de Moçambique.

Hoje, o semanário Savana, um jornal de referência de Maputo, acusa Elilda dos Santos de ter montado "uma mistificação em nome da criança", de ter mantido uma relação amorosa com um jovem local e de ter vendido roupas doadas em Naimata, a localidade na província onde desenvolveu o projecto da Arquidiocese de S. Paulo.

A missionária brasileira não se mostrou disponível para comentar as acusações, tendo uma outra religiosa em Nampula dito à Lusa que Elilda dos Santos "não se encontra bem de saúde".

"Já esperávamos este tipo de reacção por parte da imprensa, mas estamos tranquilas", disse à Lusa a missionária, que não se identificou e que falava no telefone móvel que tem sido usado para contactos com Elilda dos Santos.

Na reportagem, o pároco de Naimata, Mário Maloquiha, é citado, afirmando que a senhora "não tem credibilidade nenhuma", palavras prosseguidas por Calisto, um animador da paróquia: "Até hoje estamos sem água e sem alfabetização, porque ela correu com o grupo de professores que na altura nos ensinava".

Mais contundente é o padre italiano Giuseppe Brunelli que diz não ter dúvidas que "se Comboni (o fundador da ordem a que pertence) fosse vivo de certeza que daria um murro na cara da brasileira".

O jornal publica as declarações de um empresário português que a missionária acusou de manter um cativeiro em casa, que foi revistada pela polícia sem se terem provado as denúncias.

"Não tenho nada contra a busca que foi feita, só que a irmã Elilda procedeu como se estivesse a jogar o papel da polícia, de gravador na mão, entrevistava os meus trabalhadores com prepotência", queixou-se António Miranda.

Numa carta enviada ao jornal Nigrizia, uma revista comboniana de Verona, Itália, a que a Lusa teve acesso, o padre Giuseppe Brunelli recordou que no dia 16 de Fevereiro de 2004, em casa do arcebispo de Nampula e na presença de vários religiosos, pediu à missionária brasileira uma foto de alguns dos casos por ela denunciados para enviar para aquela publicação.

"A Elilda reagiu mal, respondendo que a minha atitude queria explorar a miséria das crianças raptadas. Isso fez-me pensar e reflectir no caso mais profundamente, utilizando a minha experiência de dois anos de estudos em Justiça e Paz no Heythrop College de Londres", referiu o missionário que está em Moçambique desde 1972.

Já esta semana, a missionária queixou-se de ter sido agredida por dois jornalistas espanhóis na sua residência em Nampula, uma denúncia que foi desmentida pela polícia, mas que a religiosa brasileira mantém.

O caso abriu uma outra polémica, uma vez que um dos espanhóis é médico legista de profissão e ambos se encontravam em Nampula sem estarem registados como jornalistas no Gabinete de Informação de Moçambique.

Numa nota enviada hoje à imprensa, a embaixada de Espanha em Maputo, confirmou a situação, afirmando que desconhecia a presença dos jornalistas no país até ao momento em que compareceram na polícia de Nampula para prestar declarações sobre o incidente com a missionária.


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