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  Cabo Verde
«Estabilidade essencial para desbloquear ajuda externa», diz Ramos Horta
- 19-Mar-2004 - 14:47

O representante especial da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) para a Guiné-Bissau alertou hoje os partidos políticos e a sociedade civil guineenses que "a comunidade internacional não desembolsará um centavo" se não houver "estabilidade" no país.


José Ramos Horta afirmou que "a comunidade internacional está disponível para apoiar a recuperação económica do país", mas apenas se houver garantias de "estabilidade, coesão social e demonstração de sentido de Estado por parte das forças políticas".

Ramos Horta, também chefe da diplomacia timorense, chega hoje a Bissau, onde se encontrará com as autoridades guineenses e com representantes das 15 formações políticas que se apresentam às eleições legislativas do próximo dia 28.

O representante da CPLP disse que fica na Guiné-Bissau durante uma semana, integrando a missão de observadores da organização, composta por 32 elementos, a maioria com chegada prevista para hoje a Bissau.

A missão, chefiada pelo secretário-executivo adjunto da CPLP, o moçambicano Zeferino Martins, incluiu mais um elemento da organização, dez observadores de Portugal, cinco de Angola, sete do Brasil, um de Cabo Verde, dois de Moçambique, dois de São Tomé e Príncipe e três de Timor-Leste.

Ramos Horta apelou ainda a todas as formações políticas guineenses para que "respeitem o resultado eleitoral", destacando a necessidade de ser formado "um governo de estabilidade".

Reconhecendo que existem algumas "falhas" ou "limitações" na organização do processo eleitoral, o responsável considera que existem condições para que as eleições se realizem na data prevista.

"A situação é estável e calma apesar de alguma tensão provocada pela pobreza e pela frustração de milhares de pessoas perante a falha de governação" que se tem registado na Guiné-Bissau nos últimos anos, acrescentou Ramos Horta.

O representante da CPLP elogiou por isso a população guineense, "que tem revelado um grande sentido de maturidade".

As eleições legislativas de dia 28 são as primeiras desde o golpe de Estado de 14 de Setembro do ano passado, que levou à demissão do presidente Kumba Ialá.


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