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Professora são-tomense defende «livre circulação de bens culturais» na CPLP
- 5-Dec-2002 - 12:19
Se a Lusofonia existe, Inocência Mata é uma das suas encarnações. Aquela ensaísta são-tomense, radicada em Portugal há 23 anos, é sócia honorária da Associação de Escritores Angolanos, ensina literatura africana na Faculdade de Letras de Lisboa e é professora convidada de várias universidades brasileiras.
Se a Lusofonia existe, Inocência Inocência Mata acredita, contudo, que a lusofonia é «um termo muito idealizado» e que a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) «não está a ser um instrumento de afirmação internacional».
«A lusofonia devia ser uma noção cheia de pulsão contra a hegemonia da língua inglesa, mas está muito voltada para dentro», disse à Agência Lusa Inocência Mata.
Na sua opinião, em Portugal e nos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) «ainda não se fez a catarse dos complexos coloniais».
«Somos também muito melindrosos e temos dificuldades em nos relacionarmos como entidades soberanas», disse.
Por outro lado, o português continua sendo «uma língua periférica» e os PALOP são «enclaves linguísticos», cercados por nações falantes de inglês ou francês.
«Se o Brasil não entrar na guerra da lusofonia, a guerra está perdida», afirmou.
Inocência Mata lamenta que a CPLP, fundada em Julho de 1996, ainda não tenha conseguido assegurar a «livre circulação de intelectuais, professores e bens culturais» entre os seus oito países-membros.
«Não falo de pinturas ou de outras coisas: falo de livros», disse.
«Há muita coisa boa da literatura moçambicana que não chega a Angola e vice-versa. Em Portugal, ninguém conhece os escritores guineenses e para um são-tomense ir a Angola é um inferno», acrescentou.
A pesquisadora considera as literaturas africanas de expressão portuguesa «duplamente periféricas» - periféricas no âmbito da lusofonia e no contexto africano.
Inocência Mata também é membro da Association pour l\' Étude des Literatures Africaines (APELA), com sede na França.
Segundo contou, um artigo que escreveu sobre Pepetela, já depois daquele escritor angolano ter obtido o «Prêmio Camões», em 1997, «demorou quase dois anos para ser publicado».
Inocência Mata nasceu em São Tomé e Príncipe, fez os estudos secundários em Angola e vive em Portugal desde 1980.
É também professora de literatura brasileira e vai todos os anos dar aulas sobre literatura africana no Brasil.
Entre as várias obras que publicou estão uma antologia da poesia são-tomense e um ensaio sobre literatura angolana intitulado «Silêncios e Falas de uma Voz Inquieta».
«Sou são-tomense, mas também me sinto angolana e já vivi mais tempo em Portugal do que na África», diz Inocência Mata.
ANTÓNIO CAEIRO
da Agência Lusa

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