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Pierre Falcone acusa Global Witness de desestabilizar Angola
- 29-Mar-2004 - 21:46

O empresário franco-brasileiro Pierre Falcone acusou a "Global Witness" de lançar uma campanha de desestabilização contra Angola, ao denunciar o alegado desvio anual de 1,7 biliões de dólares das receitas petrolíferas entre 1997 e 2002 em benefício do Presidente angolano e seus colaboradores.


Falcone, que falava em Luanda à rádio e à televisão estatais, disse que "este tipo de informação nunca foi provada e comprovada e não o será não porque foi escondida, mas porque nunca existiram os supostos desvios".

"Os inimigos políticos de Angola investiram biliões de dólares num campo que perdeu, agora estão desesperados para recuperarem" as avultadas somas, sublinhou.

Por outro lado, Falcone disse que devido ao caso "Angolagate", no qual é acusado de tráfico de armas para Angola em Novembro de 2000, foi preso em Dezembro do mesmo ano, 15 dias depois de ter recebido um documento do Secretariado-Geral da Defesa Nacional (SGDN) negando o suposto tráfico.

Lembrou que o SGDN declarou a 4 de Dezembro de 2000 que o envio de armas para Angola não constituía tráfico porque o embargo decretado pela ONU abrangia apenas as partes do território angolano controladas pelo então movimento rebelde UNITA e não as detidas pelo governo legalmente constituído.

Disse que Angola comprou armas para se defender e que tudo "foi feito em estrito respeito à legislação internacional".

"Eu vivi. Eu fiz. Assumo a responsabilidade toda, plena, pelo que fiz. Não houve comissão. Não houve corrupção. Não houve tráfico de armas. Não houve tráfico de influência", explicou.

Falcone, que está sob alçada da justiça francesa devido ao alegado tráfico de armas para Angola, foi nomeado no ano passado ministro conselheiro da Embaixada angolana junto da UNESCO, cargo que lhe confere imunidade diplomática.

Reagindo a uma suposta fuga de França depois da sua nomeação, o empresário disse que "se não tivesse (imunidade diplomática)estaria a trabalhar em Paris, no meu escritório, e a jogar ténis. Há mais de dois anos que fui libertado da prisão".

O homem de negócios franco-brasileiro negou ainda o alegado desvio de cerca de 600 milhões de dólares resultantes do pagamento da dívida de Angola para com a Rússia.

"A Rússia recebeu cada centavo de cada dólar que tinha que receber", disse.

Segundo Falcone, os dois governos soberanos acordaram renegociar uma dívida que estava a entravar não só as economias dos seus países, mas também a que se podia desenvolver entre os dois países e facilitar a Angola o acesso a mercados financeiros com um endividamento mais baixo.

A suspeita de má gestão do dinheiro do petróleo angolano ressurgiu em Janeiro quando o semanário satírico francês "Le Canard enchaîné" noticiou a existência duma conta bancária no Luxemburgo pertencente ao Presidente José Eduardo Dos Santos, na qual foram alegadamente depositados 37 milhões de dólares.

Entretanto, Carlos Feijó, chefe da Casa Civil do Presidente angolano, ao refutar o relatório da Global Witness, disse que José Eduardo dos Santos "nunca foi nem será beneficiário das contas da sociedade Camparal, abertas no Banco Indosuez, no Luxemburgo", adiantando que as mesmas eram propriedade de Pierre Falcone.

Feijó disse que "num dado momento difícil da história recente de Angola, Pierre Falcone, por sua conta e risco, colocou fundos à disposição do governo angolano para que este pudesse exercer o seu direito de soberania, que quase lhe foi negado pela comunidade internacional".

O chefe da Casa Civil da Presidência angolana desmentiu ainda um alegado recurso ao petróleo para garantia de empréstimos financeiros e da renegociação da dívida bilateral com Portugal, Polónia e Alemanha, considerada no relatório contrária às recomendações do FMI.

Esclareceu que o suporte jurídico da operação estava subjacente na autorização concedida pelo Parlamento aquando da aprovação do Orçamento Geral do Estado (OGE).


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