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  Cabo Verde
«Aqui estiveram homens brancos presos até ao 25 de Abril»
- 24-Apr-2004 - 14:29

Têm entre sete e 12 anos e colam-se aos esporádicos visitantes do abandonado campo de concentração do Tarrafal, na Ilha de Santiago, Cabo Verde, à cata de moedas soltas nos seus bolsos.


Por Ricardo Bordalo
da Agência Lusa

Conhecem os truques todos para a "recolha" junto daqueles que visitam o velho campo, que foi oficialmente denominado Colónia Penal de Cabo Verde na altura da sua criação, em Outubro de 1936.

Não sabem igualmente que, ali, para lá dos muros, onde ainda se adivinha a restrição da liberdade nas ferrugentas pontas soltas do arame farpado, estiveram presos "homens brancos" que deviam ser "importantes" para sofrerem tamanha tormenta.

Pressentem, no entanto, que é por causa dos "homens brancos" que naquele lugar "penaram" que o campo ainda hoje é visitado por outros brancos, quase todos portugueses, que são, num misto de ironia e memória, o seu sustento.

Mas desconhecem que aqueles "homens brancos" foram ali parar enviados por um regime ditatorial que só viria a cair a 25 de Abril de 1974.

E ignoram com a mesma persistência que, depois da extinção do campo, em 1953, este se tenha mantido como presídio para presos políticos das colónias portuguesas até ao estalar da Revolução de Abril.

Mal o carro pára próximo do portão que dá acesso ao lendário, mas degradado, campo do Tarrafal, logo se avolumam as cabeças à volta das portas, algumas ainda não chegam aos vidros.

De mão estendida tacteiam a sorte, umas moedas, primeira prioridade, ou canetas, rebuçados e quejandos, segundo alvo.

Os mais afoitos e, demonstrando uma estratégia bem definida, não aceitam um "não" ao insistente pedido de moedas; quando o ouvem, passam ao plano B.

Sacam de umas moedas de euro e pedem para que o visitante as troque por escudos cabo-verdianos, sabendo de antemão que esse é um negócio improvável e que o mais certo e acabarem por ficar com os euros e os escudos. Resulta quase sempre! Ao lado do portão do campo, descaindo para a esquerda, está o museu, onde a história sucinta do sofrimento dos "homens brancos" é acompanhada de fotografias, objectos usados por presos e guardas e mesmo um cavaquinho construído por um dos que ali penaram por resistir à ditadura de Salazar.

Mas nenhum dos pequenos "guardiães" do campo parece ter muito interesse em ali entrar, esperam na rua que o visitante saia para aliviar o bolso já que o espírito vem, seguramente, mais pesado.

Rui, um nome ao acaso, depois de receber dois euros em moeda inteira de um visitante, corre para junto de um familiar mais velho, que aparenta morar nas casas existentes ali ao lado e que foram guarida dos guardas de antanho, dizendo alto e bom som: "Já tenho 40 euros!".

O negócio parece não correr mal, como se, por uma qualquer amálgama temporal, pouco a pouco, estivessem a ser esconjuradas as penas ali sofridas pelos "homens brancos" de outras épocas.

E para que quer o Rui os euros? Para trocar por escudos seria o mais natural, mas não é o caso.

Questionado ao de leve, fica-se a saber que o mealheiro é para "quando for para Portugal", para "quando crescer e sair da escola" poder ir trabalhar na "terra dos brancos".

A mesma terra, onde, há 30 anos, as grossas grades de ferro que ainda abrem e fecham nas exíguas celas do campo do Tarrafal, como se o tempo não lhes tivesse retirado a elasticidade, deixaram de fazer sentido.


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