NCaster Has not been assigned a template for this catogory. This site is powered by Project ncaster
using defalts layout Antes da suspensão dos trabalhos, Vasco Manhiça, director do Hotel Rovuma, em Maputo, depôs no tribunal e negou a existência de quartos no segundo e terceiro andares daquele estabelecimento hoteleiro, onde se terão realizado os preparativos para assassinar Carlos Cardoso.

No entanto, lembrou que existem naqueles pisos vários tipos de serviços, designadamente bares e restaurantes, com a consequente possibilidade de acesso ao público.

Na qualidade de testemunha, Manhiça depôs por requerimento da defesa, que pretendia que se pronunciasse sobre as alegações feitas pela principal testemunha da acusação, Osvaldo Muianga, vulgo "Dudu", de que alguns arguidos do caso "Cardoso" se terão encontrado por três vezes no segundo e terceiro andares do hotel para prepararem o assassínio do jornalista.

Mesmo reconhecendo que há segurança bastante para detectar qualquer tipo de movimentação estranha no interior do hotel, Manhiça admitiu ser possível a realização de encontros nos quartos do hotel, sem que os seus funcionários o notem, pois os aposentos da unidade hoteleira têm espaço suficiente para tal.

O tribunal ouviu ainda Orlando Maluleque, uma espécie de guarda-costas de Momed Abdul Satar, mais conhecido por "Nini", acusado da co-autoria moral e material do assassínio de Carlos Cardoso, na qualidade de testemunha da defesa.

Maluleque afirmou que estava com "Nini" em casa deste, e na companhia de outros parentes, quando ambos tomaram conhecimento da morte do jornalista, através da rádio, acrescentando que os dois foram momentos depois jantar fora, na presença de dois amigos de "Nini".

Orlando Maluleque afirmou ainda ter visto por várias vezes Nyimpine Chissano, filho mais velho do presidente moçambicano, Cândida Cossa e Nanayo Pateguana na Unicâmbios, propriedade de Ayob Satar, que também responde pela autoria moral e material do crime, onde "Nini" era trabalhador antes da detenção.

"Nini" já havia alegado em interrogatórios ter presenciado encontros preparatórios para assassinar o jornalista em casa de Cândida Cossa, nos quais terão participado Nyimpine Chissano e Nanayo Pateguana, filho de um ex-governador da província de Inhambane, no sul de Moçambique.

Ainda na sessão de hoje, o juiz da causa, Augusto Paulino, anunciou ter ordenado o arquivamento nos cofres do tribunal de uma cassete de vídeo enviada por Aníbal dos Santos Júnior, mais conhecido por "Anibalzinho", o suspeito de ser o cérebro da execução da crime, que se encontra em fuga desde Setembro deste ano.

O juiz da causa disse que a cassete, que "Anibalzinho" pretendia que fosse apresentada em audiência, foi entregue ao tribunal pelo investigador principal do caso, António Frangoulis, que a terá recebido das mãos da mãe do fugitivo, Teresinha Mendonça.

Augusto Paulino acrescentou que decidiu não exibir a cassete em causa por entender que os réus são julgados em função das matérias constantes dos autos e não em ligação com elementos extraprocessuais.

Paulino afirmou que "o melhor que "Anibalzinho tem a fazer é entregar-se ao tribunal e não tentar manietá-lo, como muito bem lhe convier".