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Lusofonia é um estado de alma
- 21-Dec-2002 - 0:16
Mónica Peixoto é licenciada em Comunicação Social pela Faculdades de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Além disso, como reconhece, é uma espécie de «fruto» da Lusofonia. Filha de pais portugueses, nascida no Brasil, casada com um português nascido em Moçambique...
... com família espalhada pelo Canadá, França, Moçambique, Brasil é, de facto, um «fruto» dessa realidade que envolve mais de 200 milhões de cidadãos. E, então, o que será para esta jovem a Lusofonia?
Notícias Lusófonas - O que é para si a Lusofonia?
Mónica Peixoto - Boa pergunta. O meu primeiro impulso foi o de consultar o dicionário, em busca da definição oficial do termo. Folheio o meu “Moderno Dicionário da Língua Portuguesa”, página 1408 ... pois bem, temos Lusíada, lusificar, lusismo, lusitânico ... lusitanidade, lusitanismo, lusitano, luso. Lusófilo, lustração ... Alto! Volto atrás, sigo em frente ... Pois é, Lusofonia não vem no dicionário ... Pelo menos nesta versão já velhinha de 1985 ...
NL – Então em que é que ficamos?
MP - Se olharmos para o termo com olhos de filólogo (amador, claro!), parece-nos que Lusofonia é palavra composta pela partícula luso, português, e fono , som. Sendo assim, Lusofonia é assim como, por exemplo, aquilo que soa a português?
NL – Ou seja...
MP - Bom, parece que assim não vamos muito longe ... é que nem sempre a Língua Portuguesa é o ponto que une os povos e países ditos lusófonos... por vezes, é mesmo mais o “soar” a português (a música, algumas palavras, como a japonesa tempura) o que resta da presença lusa pelo mundo.
NL – Isso significa o quê? Que estamos em queda?
MP – É mais ou menos isso. Cada vez mais a Língua se vai perdendo, força das pressões anglófonas e francófonas em África, e do esquecimento a que votamos tantos pontos da Ásia por onde os portugueses passaram (e, mais grave ainda, as comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo, e que lamentam a falta de professores de português que ensinem os seus filhos a falar correctamente a língua dos pais).
NL – A Lusofonia é então o quê, um estado de alma?
MP - Talvez que a Lusofonia esteja mesmo além das palavras ditas... E viva das memórias de quem, por várias razões, deixou Portugal, ou aqui chegou em busca de um futuro melhor.
NL – É o seu caso?
MP - A Lusofonia pode, de facto, passar por pessoas como eu, que nasci brasileira, filha de mãe portuguesa constantemente saudosa de Portugal, e de um pai que, 31 anos depois de desembarcar no Brasil, regressou á terra natal com um coração mais verde e amarelo do que verde-rubro.
NL – E que mais?
MP - A Lusofonia deve passar certamente por aqueles que nasceram e viveram em África e que, por guerras tão inúteis como cruéis, tiveram de deixar para trás toda uma vida, chegando a um Portugal desconhecido, demasiado pequeno na geografia e nas mentalidades, e que os catalogou a todos indiscriminadamente de “retornados” – mesmo àqueles cujo último antepassado nascido em Portugal continental era o Bisavô.
NL – Também só nesses?
MP – Não. E está com certeza nos muitos cabo-verdianos, angolanos, moçambicanos, são-tomenses, guineenses, brasileiros e timorenses que vivem em Portugal, para nossa vergonha tantas vezes mal tratados e discriminados, olhados como estranhos, quando na realidades, todos são lusófonos, porque mesmo quando falam crioulo, o crioulo, lá está, soa a português ...

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