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Paz na terra às crianças que nada têm para comer
- 24-Dec-2002 - 0:33
Fome mata milhões de lusófonos. Para eles o Natal não é sempre que um homem quiser. É quando a fuba chega ao prato...
Com toda a legitimidade, o ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal destacou, na sua mensagem de Natal, as comunidades portuguesas da Venezuela e da África do Sul que, disse, vivem em situação difícil. Sem questionar a razoabilidade desta preocupação, importa lembrar que em todo o Mundo, 815 milhões de pessoas sentem todos os dias, a todas as horas, o que é a fome; importa lembrar que quase todas nasceram com fome, sobreviveram com fome e morrem com fome; importa lembrar que muitos delas pertencem à Lusofonia, esse mundo pelo qual Portugal é (também) responsável; importa lembrar que querer uma Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) é muito mais do que, no meio de - pelo menos – três refeições por dia, escrever mensagens de Natal.
LEGITIMIDADE NÃO DÁ DE COMER A QUEM TEM FOME
É claro, pensará com igual legitimidade o ministro Martins da Cruz, que com os brasileiros, angolanos, são-tomenses, cabo verdianos, guineenses, moçambicanos e timorenses deverão preocupar-se os respectivos governos. É verdade. Mas então, acabem com essa coisa a que dão o nome de CPLP, deixem de falar em lusofonia, e integrem os respectivos países – sobretudo os africanos – numa qualquer outra fonia que, certamente, lhes dará melhor tratamento.
Portugal, o pai de tudo isto, lá vai mandando uns peixes para alimentar os famintos. Fica de consciência tranquila mas, também importa lembrar, esquece-se do essencial: mais do que os peixes eles precisam de aprender a pescar.
Portugal, o pai de tudo isto, sempre se preocupou mais com os poucos que têm milhões do que com os milhões que têm pouco, ou nada. E é pena. Um dia destes, quando Lisboa quiser alguma coisa desses povos, eles vão perguntar: - Onde andavam quando os nossos morriam à fome?
QUANDO A MEMÓRIA NÃO É PEQUENA... VALE A PENA
A bem da memória, que é coisa que parece continuar a não existir nos membros mais ricos da CPLP, aqui voltamos a lembrar que em todo o Mundo, 1,1 mil milhões de pessoas não têm acesso a água potável; 2,5 mil milhões não têm saneamento básico; 30 mil morrem diariamente devido ao consumo de água imprópria. E acrescentamos: Esta é, igualmente, uma realidade da Lusofonia.
A sida já infectou mais de 60 milhões de pessoas e tirou a vida a um terço destas; e a malária mata 2,5 milhões de pessoas anualmente: Esta continua a ser uma outra vertente da Lusofonia.
Por esse Mundo, 1,6 mil milhões de pessoas não têm acesso a electricidade e a maioria recorre à queima de combustíveis que provocam a poluição do ar e problemas respiratórios. Queiramos ou não, também aqui a Lusofonia dá o seu contributo.
Uma superfície de floresta tropical húmida do tamanho de um estádio de futebol é destruída em cada cinco segundos; e dentro de 30 anos um quarto dos mamíferos terá desaparecido. Novamente encontramos uma quota parte desta verdade na Lusofonia.
Segundo Judith Lewis, responsável regional do Programa Alimentar Mundial (PAM) da ONU, cerca de 12 milhões de pessoas poderão morrer de fome em Angola, Botswana, Lesoto, Malaui, Moçambique, Suazilândia, Zâmbia e Zimbabwe se não forem distribuídos, nos próximos meses, um milhão de toneladas de cereais. Aqui figuram dois lusófonos.
CONTRA FACTOS NÃO PODE HAVER ARGUMENTOS
Até há pouco, o argumento da guerra (em Angola, na Guiné, em Moçambique e em Timor) serviu às mil maravilhas para que Portugal – o tal pai de tudo isto – dissesse que enquanto os seus filhos, apesar da maioridade, não se entendessem não era possível ensinar a pescar. Afirmavam a pés juntos que para ensinar a pescar era imprescindível a paz. E agora?
Portugal, em vez de se preocupar com o povo que não pode tomar antibióticos (e não pode porque eles, quando existem, são para tomar depois de uma coisa que o povo não têm: refeições), deveria dar novos mundos ao mundo como – dizem – fizeram outros portugueses, liderando no terreno uma estratégia de cooperação em toda a linha e não apenas, como agora acontece, mandar algumas sobras de vez em quando.
Assim... paz na terra às crianças que nada têm para comer.
MANUEL GILBERTO

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