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  Cabo Verde
José Maria Neves defende profunda reforma Forças Armadas guineenses
- 7-Oct-2004 - 17:53


O primeiro-ministro de Cabo Verde defendeu hoje que a estabilização da Guiné-Bissau depende de uma profunda reforma do Estado e das suas Forças Armadas.


José Maria Neves, que falava após uma reunião de hora e meia com o secretário-executivo da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), anunciou o envio de uma "forte delegação" cabo- verdiana a Bissau para "ajudar a encontrar soluções", na sequência do levantamento militar de que resultaram as mortes do Chefe de Estado Maior General das Forças Armadas (CEMGFA), general Veríssimo Correia Seabra, e do porta-voz do Estado-Maior, coronel Domingos Barros.

Para o governo de Cabo Verde, o que se passou na madrugada de quarta-feira em Bissau "não foi uma tentativa de golpe de Estado", mas sim "um incidente extremamente grave", que resultou de "desentendimentos" nas Forças Armadas, e um "incidente no sistema democrático do país". José Maria Neves apelou de forma veemente à comunidade internacional para que avance com um "forte apoio" à reforma do Estado guineense e das suas FA, porque uma solução conjuntural para os recentes acontecimentos "não resolve os problemas estruturais do país".

Alegadamente, o levantamento militar teve a sua génese na reivindicação de melhores condições nos quartéis, combate à corrupção nas chefias militares, bem como o pagamento do "soldo" devido aos militares integrados no contingente que esteve na vizinha Libéria em 2003-04, no âmbito de uma força de manutenção de paz.

O chefe do executivo cabo-verdiano recuperou ainda as afirmações do seu homólogo guineense, Carlos Gomes Júnior, que definiu a situação como resultado de um "aproveitamento político" de "alguns sectores", para "retirarem dividendos políticos".

Questionado pela Agência Lusa se a normalização da Guiné- Bissau pode acontecer sem o apuramento de responsabilidades pelas mortes de Veríssimo Seabra e Domingos Barros, Neves disse que "a via do diálogo é a única que permite às autoridades legítimas fazer o país regressar à ordem constitucional".


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