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Primeiro-ministro visita oficialmente Portugal dentro de uma semana
- 18-Oct-2004 - 19:01


O primeiro-ministro guineense vai efectuar uma visita oficial a Portugal a partir de 25 deste mês, seguindo, dois dias depois, para França, onde efectuará idêntico programa, afirmou hoje o próprio Carlos Gomes Júnior.


Numa entrevista conjunta à RDPÁfrica e à Agência Lusa, o chefe do executivo guineense esclareceu que a deslocação visa apelar ao investimento português e discutir o novo Programa Indicativo de Cooperação (PIC) para o triénio 2005/07, além de questões de natureza política e militar.

Trata-se da primeira visita de carácter oficial que Carlos Gomes vai efectuar a Portugal desde que foi empossado primeiro-ministro da Guiné-Bissau, em Maio deste ano.

Carlos Gomes Júnior adiantou que na próxima madrugada parte para Lisboa uma "equipa técnica" governamental, que irá preparar a sua visita a Portugal, para onde viajará sexta- feira, embora a parte oficial da deslocação só comece depois do fim-de-semana.

"A visita esteve programada para uma altura em que o governo português era chefiado por Durão Barroso, que é um amigo da Guiné-Bissau. Pensamos que Pedro Santana Lopes é também um amigo da Guiné-Bissau e da África, pois o PSD é um parceiro político do PAIGC", sublinhou.

Para Carlos Gomes Júnior, a visita a Portugal tem um "carácter fundamental" para a cooperação entre os dois países, pois vai ocorrer numa altura em que a Guiné-Bissau atravessa uma "perturbação" político-militar que está "quase" a terminar.

"Infelizmente, houve esta perturbação na Guiné- Bissau, mas a cooperação é sempre uma reciprocidade de vantagens", disse.

Neste momento, sustentou, "temos capacidade de abrir portas aos empresários portugueses e uma mais-valia, que é a garantia da convertibilidade da moeda, que pode servir para entrar num mercado mais vasto na África Ocidental".

No sentido inverso, acrescentou, Portugal, que é um parceiro da Guiné-Bissau, também pode ser uma vantagem para a ajuda institucional e abrir portas para a União Europeia (UE), "tendo ainda a vantagem o facto de Durão Barroso presidir à organização".

"Não pode haver só cooperação política e de amizade. Temos de partir para outra estratégia, nomeadamente a económica e comercial, vantajosa para ambas as partes", sublinhou.

Questionado sobre a "pertinência" de uma deslocação a Lisboa quando, na Guiné-Bissau, se vive mais uma crise político-militar aparentemente longe de estar resolvida, Carlos Gomes Júnior afirmou estar consciente desse risco, mas defendeu que o país não pode parar.

"É óbvio que toda a população guineense tem de se empenhar para que o mundo continue a acreditar na Guiné- Bissau. O governo vai envidando esforços para ganhar a confiança da comunidade internacional, no quadro do próprio programa de governação", argumentou.

"Para já, é Lisboa e Paris, dado a situação vigente na Guiné-Bissau. Não podemos estar muito tempo fora. Corremos o risco de chegarmos cá e estar cá outra gente no nosso lugar e eu não quero correr esse risco, não é?", observou, rindo- se.

Embora seja um Estado democrático, a brincar a brincar, temos de dizer as coisas. É difícil, mas temos de dar atenção à evolução da situação", destacou.

Em Portugal, tal como em França, frisou Carlos Gomes Júnior, vai também ser analisada a preparação da "mesa- redonda" de doadores, prevista para 15 de Dezembro próximo em local ainda por fixar.

A este propósito, Bissau tem já a garantia financeira das próprias Nações Unidas.

"Trata-se de um programa abrangente para atingir os objectivos do milénio, a redução da pobreza. Pensamos que todos os parceiros que querem efectivamente ver a Guiné- Bissau, no quadro do concerto das Nações, estão disponíveis para nos ajudar", afirmou.

"O programa - prosseguiu - tem o envolvimento do Banco Mundial e envolve vários sectores. Temos programas concretos para que a comunidade internacional possa alocar os fundos financeiros necessários para a sua concretização".

Segundo o primeiro-ministro guineense, estão também a preparar-se deslocações oficiais aos restantes quatro países africanos de língua oficial portuguesa (Angola, Cabo Verde, Moçambique e São Tomé e Príncipe), que manifestaram, ao mais alto nível, toda a solidariedade ao longo da evolução do processo guineense.

Nas deslocações a Portugal e França, Carlos Gomes Júnior, será acompanhado, no máximo, por quatro ministros, devido à "contenção orçamental".


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