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  Cabo Verde
Martins da Cruz quer ser
super ministro português

- 4-Jan-2003 - 0:06


Os discursos são verdadeiras auto-estradas de boas intenções. As obras, essas continuam no tinteiro. Desde logo porque na Lusofonia são mais conhecidas as picadas


O ministro português dos Negócios Estrangeiros, António Martins da Cruz, não está com meias medidas. Quer estar em todas, mesmo quando não está em lado algum. Tem, é certo, 90% de inspiração. Esquece-se (com, ao que parece, óbvia conivência de Durão Barroso) que Portugal e a Lusofonia precisam é de 90% de transpiração. Dos Negócios Estrangeiros às Comunidades Portuguesas, da diplomacia económica à Comunidade de Países de Língua Portuguesa, ele assume todo o protagonismo. Agora até quer que o Brasil participe, na qualidade de observador, uma vez que ocupa a secretaria-geral da CPLP, na próxima cimeira entre os países da União Europeia e de África.

Na próxima segunda-feira, Martins da Cruz estará no comando, em Lisboa, da apresentação dos novos mecanismos de diplomacia económica. Nesse mesmo dia decorrerá no Ministério dos Negócios Estrangeiros um seminário para embaixadores sobre o tema da Diplomacia Económica, dividido em três partes, a primeira das quais será preenchida com a análise da evolução previsível da situação económica na Europa, uma vez que 85% das exportações portuguesas se destinam à União Europeia. A segunda parte do seminário será dedicada à diplomacia económica na perspectiva das empresas.

«Acima de tudo, pretende-se saber qual a mais-valia que as empresas esperam do Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) no plano da internacionalização da economia», afirma uma nota do ministério de Martins da Cruz. Não está mal. A internacionalização da economia passa pelo MNE e, certamente, os problemas dos portugueses na África do Sul ou na Venezuela serão analisados pelo Ministério da Economia.

Mas o super ministro não se fica por aqui. No Brasil, onde acompanhou a caravana de ilustres políticos portugueses presentes na tomada de posse do presidente Lula da Silva, meteu logo mãos à obra. Propôs ao seu homólogo brasileiro, Celso Amorim, uma mudança na fórmula da cimeira anual entre o Brasil e Portugal.

Martins da Cruz propôs que as cimeiras entre os dois país sejam precedidas de um encontro entre os ministros dos Negócios Estrangeiros dos dois países. Bem visto.

"O objectivo é focalizar a cimeira, de modo que fique mais orientada para questões concretas, a exemplo do que Portugal e Espanha já realizam", sugeriu o ministro português.


FALAR DA CPLP TAMBÉM É BONITO


O ministro português manifestou ainda ao homólogo brasileiro a intenção de dar maior impulso à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa. Nesse sentido, adiantou, Portugal vai propor aos ministros europeus que o Brasil participe, na qualidade de observador, uma vez que ocupa actualmente a secretaria-geral da CPLP, na próxima reunião de cúpula entre os países da UE e de África.Imparável.

Martins da Cruz reforçou ainda a Celso Amorim a posição de Portugal favorável ao "reforço institucional" entre os países da UE e do Mercosul, bloco comercial do Cone Sul, do qual participam o Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai.

Durante encontro com o presidente da Federação das Indústrias de São Paulo, Horácio Lafer Piva, o ministro português defendeu a criação de um fórum empresarial da CPLP. "Com isso, poderemos gerar oportunidades de negócios, aproveitando as sinergias de uma língua comum e de um mercado propiciado pelas boas relações entre os governos", afirmou.

É um autêntico ovo de Colombo. Pena é, entre outras coisas, que Martins da Cruz não saiba o que é a CPLP e, mais grave ainda, não leia o que tem sido dito pelo actual secretário-executivo da CPLP.

Entre os convites para visitas a Portugal que foi espalhando por todos os lados, Martins da Cruz teve ainda tempo para contactos diplomáticos (ou terão sido económicos?) com representantes da Guiné Bissau, Angola, Cabo Verde, Moçambique e da África do Sul.

Além disso, foram discutidas a ajuda portuguesa nas próximas eleições na Guiné Bissau, previstas para Abril, a primeira visita do primeiro-ministro português, Durão Barroso, a Angola, no primeiro semestre deste ano, as cimeiras UE/África, em Lisboa, também em Abril, e a próxima visita do primeiro-ministro moçambicano Pascoal Mocumbi a Portugal, entre os próximos dias 9 e 10.


A ENCICLOPÉDIA DO MINISTRO, OU O MINISTRO ENCICLOPÉDICO?


«As nossas respostas à globalização confluem igualmente no aproveitamento dos pólos e mecanismos políticos e económicos internacionais de que dispomos: a universalização da CPLP, que agora chega à Ásia-Pacífico, é para todos um novo inter-face de solidariedade internacional e, deste modo, mais um instrumento para enfrentar as tendências globalizantes do mundo de hoje. Estas avenidas que a CPLP pode agora alavancar reflectem-se no diálogo Norte-Sul, mas também no contexto Sul-Sul», afirmou recentemente Martins de Cruz.

Que é bonito, é. Que é poético, é. Mas de real tem muito pouco, sobretudo porque de promessas está o mundo (mormente o da CPLP) cheio. É simpático, mesmo em termos figurativos, falar de avenidas quando muitos dos lusófonos sé conhecem picadas.

Diz o ministro que, no âmbito do diálogo entre a União Europeia e os países africanos, «Portugal tem continuado nas instâncias comunitárias a chamar a atenção para a necessidade de ser evitada a marginalização do continente africano».

Enquanto Portugal não compreender que, mais do que opinar nos areópagos internacionais, deve fazer da CPLP e sobretudo dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa um desígnio nacional... não vai a lado nenhum. E quando resolver ir, já lá estarão outros, muitos outros, entre os quais espanhóis.

Enquanto o Governo português fala de «diplomacia económica» e da criação de um Conselho Empresarial da CPLP, os outros vão para o terreno e, dada a situação de carência, só se preocupam com a cor das paredes depois da casa construída.

«O futuro da nossa Comunidade deve ser desenvolvido com base num processo gradual, evoluindo através de pequenos passos, alicerçados em consensos pragmáticos e de acordo com a realidade e os condicionalismos concretos dos Estados membros. Será contraproducente definir metas irrealistas, que não são possíveis de concretizar tendo em conta a limitação dos nossos recursos», afirma Martins da Cruz.

Pois é. Portugal defende que se ausculte o doente, se façam todos os exames, se confrontem opiniões, se discuta se o doente deve ser medicado com genéricos ou medicamentos de marca. É assim a visão evoluída de um país que integra a União Europeia.

Só é pena que, mais uma vez, Portugal seja o protagonista do filme errado. O que os PALOP precisam é de uma coisa mais simples: comida. E, depois disso, precisam de aprender a pescar. É isso que os outros já entenderam e é isso que Portugal continua a não perceber.

JORGE CASTRO



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