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using defalts layout Acusada por Kumba Ialá de "interferência nos assuntos políticos" e "instigação à divisão dos muçulmanos", a associação Hamadiya foi expulsa da Guiné-Bissau e viu todos os seus bens confiscados, tendo os seus dirigentes, todos eles cidadãos estrangeiros, maioritariamente do Paquistão e Índia, sido expulsos da Guiné-Bissau.

Inconformados com a decisão de Kumba Ialá, cidadãos guineenses membros da associação depositaram um recurso na PGR que, após dois anos, ditou hoje a sua sentença, decretando a anulação imediata de todos os despachos do então chefe de Estado.

Na altura, a decisão de Kumba Ialá tinha motivado a demissão do ministro conselheiro do chefe de Estado para os assuntos religiosos, Sory Djaló.

Kumba Ialá acusou o seu ex-conselheiro e demais membros a associação, à qual chamava "Hamadiabos", de semearem "a confusão e intriga religiosa" na Guiné-Bissau.

Entretanto, a PGR fundamenta a sua decisão de restituir total liberdade de circulação e de acção à Hamadiya com o facto de a Guiné- Bissau ser um "Estado laico", não permitindo qualquer perseguição religiosa a quem quer que seja.

No despacho hoje emitido em Bissau, a PGR afirma que, por não existir qualquer processo-crime que possa justificar a decisão de Kumba Ialá, ordena a imediata devolução dos bens desta associação, a reabertura das suas sedes e a total liberdade de acção e movimento dos seus membros e seguidores.

A Hamadiya é uma associação muçulmana, cujas ideias são contestadas pelos muçulmanos ortodoxos, na medida em que prega acções em nome do Islão que contrariam radicalmente as práticas ancestrais desta religião.

Fundada por um alegado xeque Hamadiye, que se assume como novo profeta do Islão e que estabeleceu sede no Reino Unido, a Hamadiya condena nomeadamente a prática dos "marabouts", homens grandes que se dizem possuidores de conhecimentos baseados no Corão, para curar doenças e "maus-olhados".

Em apenas alguns meses de presença na Guiné-Bissau, a associação ganhou notoriedade, sobretudo junto dos jovens muçulmanos, tendo construído escolas e mesquitas em várias regiões do país.