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  Entrevista
Muvulege, Lunda Norte, está isolada por dificuldade de acessos
- 24-Jan-2005 - 15:01


A aldeia de Muvulege, a meio caminho entre as sedes municipais do Cuango e do Lubalo, na província angolana da Lunda Norte, está praticamente isolada do mundo devido às más condições do único caminho de acesso à localidade.


Quem sai da vila de Cuango em direcção a Muvulege, numa distância de cerca de 100 quilómetros, apenas consegue percorrer os primeiros 70 quilómetros em viaturas.

Os restantes 30 quilómetros têm que se cumpridos a pé através de uma picada quase totalmente tomada pela vegetação, numa viagem que demora dois ou três dias a fazer.

Os difíceis acessos fazem com que a população de Muvulege quase não tenha contactos com o exterior, não só porque são poucas as pessoas de fora que ali se dirigem, mas também porque não há muitos habitantes da localidade que se aventurem a sair.

Para agravar a situação em que se encontra a população, as estruturas do Estado ainda não foram implantadas na sede comunal de Muvulege.

Os responsáveis locais, que deveriam estar a trabalhar nesta localidade, optaram por se instalar na aldeia de Saluimbi, a 70 quilómetros de distância, devido às dificuldades de acesso.

O caso da comuna de Muvulege é uma das poucas excepções no âmbito da reposição da administração estatal em todo o território angolano, um processo que o director nacional do Poder Local, António Lopes Faria, considera estar concluído.

"Neste momento, temos o poder legal do Estado reposto em todos os 38 municípios e 185 comunas que tínhamos fora de controlo", afirmou Lopes Faria, numa entrevista que concedeu ao jornal Apostolado, uma publicação "on-lineÈ angolana.

Este responsável admitiu, no entanto, que "em algumas zonas não foi possível instalar (a administração estatal) nas localidades próprias da divisão político-administrativa devido à dificuldade de acessos".

A reposição da administração estatal em todo o território era uma das tarefas atribuídas ao governo angolano no âmbito do Protocolo de Lusaca, assinado com a UNITA em 1994.

Esta medida implica, além da instalação nas sedes municipais e comunais dos administradores e respectivos adjuntos, a reactivação dos serviços de saúde, educação e de polícia, entre outros.

A nível municipal, segundo Lopes Faria, todos os administradores foram instalados nas suas localidades, existindo apenas alguns problemas em seis comunas, onde as dificuldades de acessos ainda não permitiram a instalação dos responsáveis locais.


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