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  Entrevista
Sócrates reafirma aposta na tecnologia para se ter maior competitividade
- 13-Feb-2005 - 17:30


O líder do PS, José Sócrates, reafirmou hoje que, se for primeiro-ministro, apostará numa reforma tecnológica para tornar mais competitiva a economia, com o objectivo de obter um crescimento económico de três por cento durante a próxima legislatura.


Em entrevista ao programa "Diga lá excelência", da Rádio Renascença, Sócrates afirmou estar preparado para ser primeiro- ministro e considerou como "falsa" a ideia de "casa arrumada" relativamente às finanças públicas, veiculada pelo líder do PSD, Santana Lopes, a quem acusa de "falhanço em todos os domínios".

"Desde o discurso da tanga que tudo começou a correr mal para o país, e isso agravou-se nos últimos seis meses com o descrédito do governo" de Santana Lopes, disse, citando um documento recente do Eurostat que revela que os portugueses apresentam o triplo do pessimismo quanto à progressão da economia, quando comparados com a média da União Europeia.

Considerando o PS como o único partido que se apresenta com uma alternativa política sustentável na área económica, Sócrates defende que a economia portuguesa pode ser beneficiada pela "reorientação do ensino para uma economia mais competitiva", com a "duplicação da frequência dos cursos técnicos e profissionais", combate ao "insucesso escolar" e maior "ligação entre Universidades e processos de inovação".

O candidato a primeiro-ministro lembrou que o plano de reestruturação tecnológica que defende "não é para produzir resultados no ano a seguir, mas é necessário que se comece o mais rapidamente possível", realçando que o PS faz "uma exigência rigor e apelo ao trabalho e não de lamento pela situação.

"O Estado deve intervir e chamar a atenção da sociedade para as áreas onde se travam hoje as batalhas nos países, investir na tecnologia, na qualificação dos portugueses, na modernização das empresas e no fomento informático", disse, considerando que este é "o segredo do futuro", que passa pela "maior integração e competição de Portugal na economia global".

Negando que esta modernização tecnológica possa conduzir a mais desemprego, devido à falta de preparação actual das empresas, o líder socialista admitiu que vai aproveitar fundos do IV Quadro Comunitário de Apoio para que estas medidas não levem a "mais despesa (para o Estado)".

Sócrates prometeu também um plano de investimentos privados em áreas públicas, com realce para a das energias renováveis, de forma a cumprir os objectivos de Quioto e alterar o perfil energético de Portugal.

Como objectivo, os socialistas pretendem um crescimento potencial de 3 por cento no final da legislatura, o que José Sócrates não considera muito ambicioso, precisando que "a economia mundial cresceu 4 por cento no ano passado".

No âmbito da função pública, reiterou pretender "fazer melhor até com menos funcionários", reorientando novas admissões pelos sectores mais necessitados tendo como objectivo a "eficiência".

"As taxas moderadoras (na Saúde) devem continuar taxas moderadoras e não o pagamento de serviços", disse ainda Sócrates, afastando um sistema de taxas discriminatórias.

José Sócrates considerou ainda que durante o governo do ex- primeiro-ministro António Guterres o país cresceu "sempre mais do que a Europa, enquanto nos últimos três anos empobreceu", e disse que "não tem sentido" excluir figuras como Jaime Gama, António Costa ou António Vitorino de um futuro governo socialista, por serem representantes "de uma esquerda moderna e detentoras de um pensamento arrojado".


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